Arquivo da categoria: Manejo

Práticas de manejo do rebanho Nelore e pastagens na Fazenda Vale do Boi

Fazenda Vale do Boi é parceira da palestra sobre Manejo Racional de Bovinos.

Palestra Manejo Racional Bovinos - Fev/2016Encontro/ Palestra sobre Manejo Racional de Bovinos

O Encontro/ Palestra tem como objetivo principal o treinamento e aperfeiçoamento de profissionais (pecuaristas, capatazes, vaqueiros, técnicos e demais interessados) em práticas de manejo. A ênfase doevento está na utilização dos conhecimentos sobre o comportamento dos bovinos para a definição de estratégias de manejo, de forma a reduzir o estresse animal. A adoção dessa nova filosofia de trabalho contribui para melhorar nossa interação com os bovinos, proporcionando: melhoria do bem-estar dos animais, melhores condições de trabalho, diminuição de perdas e maior produtividade.

Horário: 08:00 às 12:00 e 14:00 às 18:00

Data: 20/02/2016

Palestrante: Prof. Dr. Mateus Paranhos – UNESP – Campus de Jaboticabal/ SP

Número de vagas: 80 vagas

Obs.: Inscrições gratuitas e no local do evento

Local: Auditório do SEBRAE em Araguaína/ TO

Temas abordados:

 

  • Custos da má qualidade na produção de bovinos
  • Aspectos fundamentais no comportamento de bovinos
  • Interações humano-bovinos no dia-a-dia da fazenda
  • Infraestrutura para o manejo de bovinos
  • Manejo Racional de bezerros ao nascimento

 

  • Tópicos em Manejo Racional:
    • Na Desmama
    • Na condução de bovinos ao curral: apartação, embretamento, condução ao tronco de contenção e contenção.
    • Na vacinação
    • Na identificação
    • No embarque

Realização: Sindicato Rural de Araguaína

Parceiros: Faz. Vale do Boi, Sebrae, Agroquima, Romancini e UFT.

A pecuária de corte gera empregos (inclusive nas cidades), riquezas, impostos e produz a melhor fonte de proteínas para o homem, a carne

BeefPoint lançou seu prêmio mais importante do ano para reconhecer e celebrar quem faz a diferença na pecuária de corte brasileira.

Nosso trabalho é focado em 3 pilares: conhecimento, relacionamento e inspiração. Tudo isso com foco em uma pecuária mais moderna, lucrativa e eficiente. Realizar um prêmio que seja uma festa e uma homenagem a essas pessoas especiais da pecuária de corte é a melhor maneira que encontramos para trazer inspiração a todos os envolvidos na cadeia da carne. Celebrar e destacar os bons exemplos é o caminho que encontramos e por isso sempre realizamos o Prêmio BeefPoint.

A premiação ocorreu durante nosso maior evento de 2013, o BeefSummit Brasil, que reuniu mais de 1.000 pessoas em Ribeirão Preto, SP, nos dias 10 e 11 de dezembro de 2013.

A cerimônia de entrega dos prêmios e divulgação dos ganhadores foi no final do dia 10 de dezembro, após as palestras e antes do coquetel com Chopp Pinguim e degustação de carnes especiais.

Para conhecer melhor os finalistas de cada categoria, o BeefPoint preparou uma série de entrevistas com cada um deles.

Confira abaixo a entrevista com Eduardo Penteado Cardoso, pecuarista e um dos finalistas e vencedor do Prêmio BeefPoint Brasil na categoria – Produtor – Destaque Bem-estar Animal.

BeefPoint: Qual o maior desafio da pecuária de corte do Brasil hoje?

Eduardo Penteado: O maior desafio é manter a competitividade da atividade, pois diversas áreas de pastagens vêm perdendo espaço para culturas diversas. O principal motivo é econômico, pois de uma forma geral a agricultura vem se mostrando mais rentável do que a pecuária de corte.

BeefPoint: O que o setor poderia / deveria fazer para aumentar sua competitividade no brasil?

Eduardo Penteado: Internamente, é preciso ter atenção especial ao gerenciamento das fazendas, especialmente o fluxo de caixa, lembrando sempre que Lucro = Receita – Despesas. As margens da pecuária são muito pequenas e administrar bem as despesas torna-se vital na atividade. Nesse contexto, por menores que sejam, é muito importante que sejam corretas e bem pensadas as decisões que temos que tomar todos os dias. Não existe, em larga escala, um “pulo do gato” na pecuária de corte.

Na maioria das vezes, a viabilidade econômica é alcançada pela somatória dessas pequenas decisões que precisamos tomar todos os dias. Nunca podemos esquecer a segurança econômica que a atividade nos traz, quando comparada com a agricultura. E isso em geral não é traduzido em números quando se compara agricultura e pecuária de corte.

Externamente, seria muito importante aumentar a demanda pela carne vermelha. Isso seria feito com campanhas de propaganda inteligentes, mostrando para a população urbana que a pecuária de corte não se resume às novelas de televisão, tampouco aos leilões de elite. Ela não é a vilã do meio ambiente, lembrando que ocupa enormes áreas de pastagens perenes, verdes a maior parte do ano: as plantas exercem a fotossíntese, sequestrando o carbono da atmosfera e liberando o oxigênio. Trata-se de um verdadeiro filtro natural.

A pecuária de corte brasileira é executada por um enorme contingente de pessoas distribuídas por todo o país, dando empregos a milhões de trabalhadores (inclusive nas cidades), gerando riquezas e impostos e, o mais importante, produzindo a melhor fonte de proteínas e minerais para o homem: a carne vermelha. Isso tudo a partir de 3 fatores relativamente abundantes na natureza: sol, água e nutrientes do solo.

BeefPoint: Você poderia nos contar sobre os acertos? O que fez e deu certo em sua carreira? Qual a sua maior realização?

Eduardo Penteado: Profissionalmente, a maior realização foi o envolvimento com a pecuária de corte através da seleção da raça Nelore, a base da produção de carne em nosso país. A opção foi por uma linhagem antiga e fechada, Lemgruber, que por ser um tanto homozigótica, tem a finalidade de promover o “choque de sangue” quando utilizada com animais da raça Nelore de outras origens.

Adicionalmente, esse trabalho de seleção permitiu que se pudesse aquilatar o potencial que essa raça apresenta para ser melhorada em diversas características.

BeefPoint: Todos sabemos que aprendemos mais com nossos erros. O que fez e deu errado? Você poderia nos contar?

Eduardo Penteado: É difícil particularizar um erro. Talvez o fato de eu ter me envolvido um pouco tarde com o gado, o que me privou por muitos anos desse grande prazer que é o contato com os animais.

BeefPoint: O que você fez em 2013 que te trouxe mais resultados?

Eduardo Penteado: Dei continuidade ao trabalho de seleção genética da linhagem Lemgruber, mantendo inalterada a filosofia que vem sendo adotada desde 1982 e é baseada em 4 pilares:

  • Adaptação ao ambiente (pasto)
  • Fertilidade
  • Aptidão econômica
  • Padrão racial

Uma filosofia objetiva aliada à qualidade das informações coletadas tem grandes possibilidades de levar o trabalho de melhoramento genético ao sucesso, onde a geração mais nova deve ser mais eficiente do que a mais velha. Em 2013 ficou evidente o excelente desempenho do Lemgruber nos diversos sumários de avaliação genética.

Foi também o ano em que a linhagem Lemgruber ultrapassou mais da metade de influência nos touros Nelore com sêmen à venda nas 9 maiores centrais de inseminação artificial no Brasil: 52,9% dos reprodutores dessa raça cujo sêmen está à venda, tem algum grau de sangue Lemgruber.

BeefPoint: O que você pretende fazer em 2014? quais são seus planos?

Eduardo Penteado: Continuar a seleção genética nos moldes atuais, sempre preservando a qualidade das informações coletadas e buscando incessantemente animais melhoradores. A satisfação dos clientes, principalmente no aspecto econômico, é fator fundamental. Pretendemos dar mais visibilidade ao trabalho de criação e seleção efetuado na Fazenda Mundo Novo.

BeefPoint: Em sua opinião, o que deve ser feito para aumentar o envolvimento dos jovens na agropecuária?

Eduardo Penteado: Mostrar a eles que a pecuária de corte é uma atividade nobre, pois vem suprir, como foi dito, a melhor fonte de proteínas e minerais para a população cada vez mais urbanizada. É também uma atividade rentável desde que bem gerenciada. E é extremamente gratificante pelo envolvimento entre o homem e o gado, cujo relacionamento existe desde a pré-história.

BeefPoint: Qual o exemplo de pecuarista do futuro do brasil hoje? Quem você admira por fazer um excelente trabalho?

Eduardo Penteado: Respeito muito as pessoas que vivem exclusivamente da pecuária. Dentro desse princípio, tenho um especial apreço pelo trabalho executado na Fazenda Vale do Boi, pelo meu amigo Epaminondas de Andrade, em Araguaína/TO. É um exemplo de gerenciamento, com muita objetividade e sem complicações. É uma prova de que a atividade pecuária dá lucro.

Também admiro a persistência dos Srs. Geraldo de Paula (Fazenda Papagaio, em Curvelo/MG) e Paulo Lemgruber (Fazenda São José, em Carmo/RJ). Além de depender da pecuária a vida toda, eles resistiram bravamente às novidades que surgiram ao longo do tempo e mantiveram-se fiéis à linhagem Lemgruber, trazida para o Brasil por Manuel Lemgruber em 1878.

BeefPoint: Em sua opinião, qual fazenda se destaca na pecuária hoje?

Eduardo Penteado: Gosto muito do Grupo CFM, que há muitas décadas vem exercendo um excelente trabalho de seleção genética da raça Nelore, produzindo animais que têm contribuído muito para a pecuária brasileira.

BeefPoint: Por que você acha que foi finalista do prêmio BeefPoint Brasil?

Eduardo Penteado: Talvez por ter sido um dos primeiros criatórios a se envolver com seleção da característica “temperamento” no Brasil e a adotar manejo mais racional no rebanho. O bovino existe para servir ao homem e precisa exercer as atividades que este quiser.

Todavia, pode-se induzir o animal a exercer essas atividades sem contrariar o seu instinto. Para isso, precisamos estudar o comportamento dos bovinos diante das diferentes situações, trazendo esses conhecimentos para o nosso próprio benefício. Quando chegamos a esse ponto, estamos proporcionando-lhes o bem-estar e ao mesmo tempo fazendo com que nos sirvam e satisfaçam as nossas necessidades.

BeefPoint: Que mensagem você deixaria para os pecuaristas?

Eduardo Penteado: Seria a mesma para os jovens: a pecuária é uma atividade nobre pela qualidade do alimento que ela produz e pela melhoria ambiental que ela proporciona. É também passível de ser lucrativa, desde que gerenciada de forma adequada, com um olho fixo nas despesas.

Finalmente posso afirmar que traz uma enorme satisfação pessoal e proporciona uma excelente qualidade de vida para quem gosta.

 

http://www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/entrevistas/a-pecuaria-de-corte-gera-empregos-inclusive-nas-cidades-riquezas-impostos-e-produz-a-melhor-fonte-de-proteinas-para-o-homem-a-carne-eduardo-penteado-cardoso-produtor-destaque-bem-est/

Há quase 30 anos abolimos o ferrão e a gritaria com o gado

Epaminondas, Ricardo e PauloHá quase 30 anos abolimos o ferrão e a gritaria com o gado, e estamos colhendo resultados surpreendentes – Epaminondas de Andrade

bem-estar animal tem sido preocupação crescente entre pesquisadores, produtores e consumidores de todo o mundo que passaram a exigir com maior intensidade uma conduta humanitária no tratamento dos animais, no que diz respeito à produção, transporte e abate.

Assim, para mostrar o que está acontecendo de mais atual no Brasil  e no mundo frente a área de bem-estar animal, na cadeia produtiva bovina, o BeefPoint preparou algumas entrevistas com diversos pecuaristas que já adotam medidas de manejo que visam as boas práticas de manejo, compartilhando casos de sucesso na pecuária de corte.

Confira abaixo, o caso de sucesso da Fazenda Vale do Boi, propriedade de Epaminondas de Andrade, no município de Carmolândia, região de Araguaína na região norte do Tocantins:

BeefPoint: Por favor, conte sobre o trabalho que vem desenvolvendo na área de bovinocultura de corte e bem-estar animal na sua propriedade.

Epaminondas de Andrade: Junto com meus filhos Ricardo José e Paulo Henrique trabalhamos na pecuária de corte, com ênfase no melhoramento genético da raça Nelore utilizando o PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos), sendo que em 2015 faremos 40 anos de seleção. Sempre fomos preocupados com o respeito aos animais. Há quase 30 anos abolimos o ferrão e a gritaria com o gado, sendo que nos últimos tempos aumentamos a atenção para o “chamado bem-estar animal”.

BeefPoint: Quais técnicas/práticas você desempenha em sua fazenda que resultou em bons resultados, quando o tema é bem-estar animal?

Epaminondas de Andrade: Foi realizado na propriedade no ano de 2006, o curso de Manejo Racional de Bovinos de Corte, ministrado pelo Professor Mateus Paranhos. Assim passamos a adotar algumas medidas de resultado, tais como:

  • Uso de bandeira para condução do gado
  • Não há gritos com os animais
  • Fazemos tratamento e vacinações um a um no brete de contenção
  • Quando colocamos sal mineral ou proteinados chamamos os animais para o cocho
  • Fazemos a cura do umbigo e tatuagem dos recém-nascidos no próprio pasto sem agressividade e brutalidade

A partir de então colhemos resultados surpreendentes, como uma maior facilidade no trabalho com os animais, redução na mortalidade dos bezerros e outros acidentes, bem como, conforto e segurança para os trabalhadores. O rebanho ficou mais dócil!

BeefPoint: Conte para nós qual a aceitabilidade de sua equipe quanto às técnicas de bem-estar animal? Como é feito o treinamento de seus funcionários?

Epaminondas de Andrade: A aceitabilidade foi razoável, mas aos poucos foi fazendo parte do dia a dia. Nossa rotatividade é pequena, mas quando entra um novo funcionário ele vai aprendendo com os mais velhos ou com nossas explicações, mas sempre é preciso fazer uma reciclagem.

BeefPoint: Quais instalações de sua propriedade são adequadas para as técnicas de bem-estar?

Epaminondas de Andrade: Nossos currais foram feitos antes de conhecermos os atuais anti-stress, mesmo assim foram planejados para um manejo mais tranquilo e seguro. Ao redor dos currais mantemos piquetes para não acumular muitos animais fechados.

Estamos instalando bebedouros com água de qualidade para o rebanho,  uma vez que pesquisas mostram que podemos ter aumentos de mais de 20% em desempenho econômico. Também mantemos arborização nas pastagens para o conforto dos animais.

BeefPoint: Por que decidiu adotar medidas de bem-estar animal em sua propriedade? Teve o apoio de alguma empresa e/ou profissional da área?

Epaminondas de Andrade: Estamos convencidos de que a melhor maneira de aumentar a rentabilidade na pecuária de corte é com o aumento da produtividade e isso se consegue com genética, nutrição, sanidade e manejo. Tivemos diversas contribuições para tal, sendo que para lidar com o gado o Professor Mateus Paranhos foi essencial.

BeefPoint: O que a sua propriedade difere das demais? As que utilizam boas práticas de manejo e as que não utilizam?

Epaminondas de Andrade: Somos preocupados com o futuro de nossa atividade, e meus dois filhos e eu vivemos intensamente o dia a dia de nosso negócio. Quanto às diferenças com outras propriedades nós temos trabalhadores mais felizes, menor rotatividade, menos acidentes tanto de caráter pessoal quanto animal, obtendo maior produtividade.

BeefPoint: Em relação ao manejo de bovinos, quais os erros mais comuns cometidos  em sua propriedade?

Epaminondas de Andrade: O erro mais comum é o de não entender ao certo, como o animal reage com a presença do homem.

BeefPoint: Que mensagem você deixaria para os pecuaristas que pretendem praticar técnicas relacionadas ao bem-estar animal?

Epaminondas de Andrade: Os resultados são palpáveis a qualquer leigo. Estamos no século 21 e a pecuária de corte precisa evoluir muito para competir com outras atividades, hoje existe tecnologia para triplicar os índices de produtividade assim como o retorno sobre o investimento, e as técnicas de manejo racional e bem-estar animal são fundamentais.

http://www.beefpoint.com.br/radares-tecnicos/ha-quase-30-anos-abolimos-o-ferrao-e-a-gritaria-com-o-gado-e-estamos-colhendo-resultados-surpreendentes-epaminondas-de-andrade-fazenda-vale-do-boi/

Tocantins lança campanha oficial e comemora 16 anos sem febre aftosa

Tocantins lança campanha oficial e comemora 16 anos sem febre aftosa“Temos grande orgulho de executar as ações de Defesa Agropecuária e darmos a nossa parcela de contribuição ao Tocantins ”, disse o presidente da Adapec – Agência de Defesa Agropecuária, durante a abertura oficial da primeira etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa, que ocorreu na manhã deste sábado, 4, na Fazenda Vale do Boi, em Carmolândia. Na cerimônia, também foi comemorado os 16 anos livre da febre aftosa com vacinação.

O proprietário da Fazenda, Epaminondas de Andrade, afirma que a sua criação é exclusivamente de gado nelore, em torno de 3,5 mil cabeças, e um programa de melhoramento genético com diversas premiações. Para chegar a este patamar Epaminondas relata que seguiu todas as normas estabelecidas pelas legislações federais e estaduais. “Somos dedicados, o solo para o gado é corrigido, o manejo é racional, porque temos o maior respeito pela criação. Nisso está incluído também a vacinação contra febre aftosa, pois qualquer imprevisto pode por em risco não só o meu rebanho, mas de todo Brasil”, destacou.

Durante o pronuciamento, o presidente da Adapec, Marcelo aguiar Inocente, ressaltou as ações executadas por todos da cadeia produtiva pecuária que fez do Tocantins um destaque nacional em produtos de qualidade. “Os produtores rurais estão de parabéns por terem entendido a importância de vacinar o rebanho. Tenho certeza que esta campanha será um sucesso”, acrescentando que o Estado está de braços abertos para receber rebanho de outros estados, desde que seja sanitariamente igualitário, como prevê o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Além disso, falou da importância dos convênios firmados com o Mapa em parceria com o governo do Estado que permitirá a aquisição de computadores e camionetes, entre outros.

Na oportunidade, o vice-presidente da Faet – Federação da Agricultura e Pecuária, Paulo Carneiro, afirmou que a instiuição fará doação de vacinas contra a febre aftosa aos sindicatos rurais do Estado e as cidades que não tem sindicatos, as doses serão enviadas para as prefeituras.

Em 2012 o Tocantins exportou 37 mil toneladas de carnes, produtos e subprodutos, num total de arrecadação de U$ 161,88 milhões de dólares. O superintendente Federal da Agricultura, Jalbas Aires Manduca, falou da importancia economica de estar livre da febre aftosa com vacinação e da luta da região Nordeste em busca da melhoraria do status sanitário. “Digo aos produtores, não vacilem, temos de manter nosso status, que foi uma conquista conseguida a duro sacrifício”, disse.

Para o secretário da Agricultura, da Pecuária e do Desenvolvimento Agrário, Jaime Café, a campanha será um sucesso, com o empenho de cada produtor tocantinense que faz e fará a sua parte. “Agradeço aos colaboradores da Adapec que tem feito seu papel de maneira extraordinária e do compromisso dos produtores rurais que estão engajados nesta luta”, disse. Na ocasião, o secretário anunciou a criação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração da Adapec. “O governador Siqueira Campos determinou que até o final do mês a minuta esteja pronta e no momento adequado encaminhará a Assembleia Legislativa”.

O vice-governador do Estado, João Oliveira, enalteceu o comprometimento da Agência e a conscientização dos produtores rurais em manter o estado livre da febre aftosa. “É importante termos o apoio técnico, vigilante para nossos produtores poduzirem cada vez mais. A vacinação é a garantia da sanidade animal, por isso devemos colaborar com a garantia da saúde animal e da população”, disse.

Também participaram do evento, o prefeito de Carmolândia, Sebastião Bastin, o Secretário de Desenvolvimento Agrário e Regulação Fundiária, Irajá Abreu, o Deputado Estadual, Osires Damaso, a Deputada Estadual, Amália Santana, o prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas e demais autoridades.

Entrega de camionetes

Durante o evento, foi entregue 17 camionetes modelo L 200 triton em uma parceria entre o Mapa e o governo do Estado, por do convênio nº 771213 da área vegetal e convênio nº 771224 da área animal. Os carros servirão para fortalecer as ações de Defesa, Inspeção e Sanidade Animal e Vegetal em todo o Estado.

Campanha

A primeira etapa da campanha acontece entre os dias 1º e 31 de maio. Neste período todos os bovídeos devem receber a dose da vacina, indiferente da faixa etária. Após vacinar o gado, o produtor tem até 10 dias para declarar o ato, nas unidades da Adapec, onde sua ficha cadastral é movimentada. É preciso levar a nota fiscal da vacina e a Carta-aviso com dados de todos os animais da propriedade.

Para produtor que deixar de vacinar a multa é de R$ 5,32 por cabeça de animal e R$ 127,69 por propriedade não declarada. É importante ressaltar que a partir do dia 1º de maio, para emissão da GTA – Guia de Trânsito Animal é preciso comprovar a vacinação, pois o transporte ilegal sem a guia gera ao produtor multa de R$ 42,56 por cabeça de animal e R$ 127,69 ao transportador, além das sanções previstas na Lei.

http://www.adapec.to.gov.br/noticia.php?id=897

AGROPRODUTOR: Melhoramento genético dá lucro

Epaminondas Andrade, de Araguaína, TO. Um dos maiores usuários do PMGZ - Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos da ABCZ.AgroGuia
Por Nathã Carvalho

 

AGROPRODUTOR
Fazenda Vale do Boi
Melhoramento genético dá lucro

Epaminondas Andrade, de Araguaína, TO.
Um dos maiores usuários do PMGZ – Programa de Melhoramento
Genético de Zebuínos da ABCZ.

 

 

Em Carmolândia (TO) está localizada uma das propriedades modelo quando o assunto é gestão rural e utilização de metodologias que possibilitam o controle mais eficaz das atividades. Trata-se da Fazenda Vale do Boi, do pecuarista Epaminondas de Andrade, com área total de 1.800 hectares. Destes, 1.500 hectares são de pasto, destinados à pecuária de corte de ciclo completo e à seleção de reprodutores e matrizes geneticamente superiores da raça Nelore (PO) em plena harmonia com o meio ambiente. O rebanho alcança cerca de 3500 cabeças, das quais 1.200 matrizes.

Pacote tecnológico é o diferencial Por Nathã Carvalho Fazenda Vale do Boi, de Epaminondas de Andrade, é exemplo que investir em melhoramento e gestão dá certo
Pacote tecnológico é o diferencial
Fazenda Vale do Boi, de Epaminondas de Andrade,
é exemplo que investir em melhoramento e gestão dá certo

A história da Fazenda Vale do Boi começou após Epaminondas concluir que o futuro da pecuária de corte no Brasil estava nas regiões Centro-Oeste e Norte, o que hoje é uma realidade. Sua atividade no campo começou há pouco mais de 40 anos, em Uberaba (MG), sua terra natal, com seleção da raça Gir. Cerca de quatro anos depois, Epaminondas vendeu a fazenda de porteira fechada, inclusive com o rebanho Gir, e adquiriu outra, porém, com gado Nelore, iniciando a seleção da raça ainda em terras uberabenses.

“Pela dificuldade de trabalhar com a pecuária de corte na região do Triangulo Mineiro, pela necessidade de ter uma escala maior e também em função da valorização das terras na região, migrei para o Norte do País para adquirir terras mais baratas”, conta. Em outubro de 1983 o rebanho foi transferido para a Fazenda Vale do Boi, no município de Araguaína, norte de Goiás, e, com a divisão do estado e municípios, Carmolândia, no norte do Tocantins, próximo do sul dos Estados do Pará e Maranhão.

A fazenda é destaque nacional quando se fala em gestão rural. É totalmente adepta às metodologias que possibilitem a informatização da propriedade. “Quando era menino, fui para São Paulo, onde tive a oportunidade de concluir meus estudos e construir uma carreira. Fui até diretor em algumas empresas e trouxe essa bagagem de gestão de negócios para a pecuária. A fazenda construiu um diferencial a partir da minha vida na indústria e no comércio”, afirma o criador. No sistema de gerenciamento da Vale do Boi estão inclusas desde planilhas do inventário do rebanho até as de mapas de compra e venda, caixa e controle de custos e receitas, balanço, software Procan e de controle pluviométrico, medição realizada desde 1986 e que apresenta todo o histórico de chuva na área. Todas muito bem detalhadas e organizadas.

Boas práticas de gestão renderam o prêmio MPE-Brasil, em 2010

A lida com o gado conta a aplicação de variadas técnicas como manejo racional, rotação de pastagens, correção e adubação do solo, diversidade de gramíneas, controle de lotação e rotação. Entre as forrageiras cultivadas destacam os capins massai, tanzânia, mombaça, braquiarão, MG5 e elefante, além da grama estrela africana e a estrela roxa. “Trabalho com nível mediano a alto de tecnologia. Como faço melhoramento genético, a fazenda é toda informatizada e, em 2010, a Vale do Boi recebeu o prêmio MPE-Brasil, conferido a melhor qualidade de gestão no agronegócio no Brasil, o que tornou a fazenda reconhecida entre as melhores empresas do País, na categoria Agronegócio, pelas boas práticas de gestão adotadas”, destaca.

Epaminondas não esconde a importância de uma gestão moderna. “Para se fazer uma gestão mais eficiente, é necessário investir em ferramentas que não são tão caras para informatizar a fazenda. Basta utilizar os softwares disponíveis no mercado. O que é mais custoso é produzir uma pastagem que seja compatível com o gado geneticamente melhorado, pois quanto maior o avanço genético do gado, maior a exigência destes animais em termos de nutrição e manejo.” E por falar em genética, a Fazenda Vale do Boi foi uma das pioneiras na adesão ao PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos), da ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu). Foi pioneira na comercialização de reprodutores com avaliação genética em leilões no Estado e é atualmente uma das propriedades com o maior número de animais participantes tanto na prova de CDP (Controle de Desenvolvimento Ponderal) como nas PGP (Provas de Ganho de Peso).

Propriedade é destaque no PMGZ/ABCZ em participação de animais

O rebanho também participa (e vence), frequentemente, das etapas do Circuito Boi Verde de Carcaças, organizado pela ACNB (Associação dos Criadores de Nelore do Brasil). “Trouxemos todas estas técnicas para a fazenda, o que tem nos ajudado e nos destacado no cenário nacional, inclusive somos reconhecidos por tudo isso. Por exemplo, chegamos a receber uma premiação da ABCZ, em função dos nossos animais se destacarem em desempenho através do PMGZ”, detalha.

Com relação ao PMGZ, Epaminondas é um dos grandes defensores da utilização do programa, por verificar as vantagens na prática. “Tenho um desempenho muito bom na minha fazenda, baseado no programa” afirma. Para ele, modernamente é impossível desenvolver pecuária de corte ou leite sem utilizar uma ferramenta de programa de melhoramento. “O PMGZ é muito abrangente e trabalha, hoje, com quase um milhão de matrizes. A ABCZ tem um dos melhores grupos técnicos espalhados pelo Brasil, com um escritório regional nas principais cidades, e isso possibilita um desempenho considerável”, acrescenta.

Só para exemplificar, a evolução de quase 18%, de 1995 a 2009, no rebanho da Vale do Boi, em relação ao peso à desmama dos bezerros Nelore, comprova a eficiência tanto das práticas adotadas para manejo e nutrição, como também da utilização do programa de melhoramento. A cada ano a fazenda vem se destacando na superioridade genética de seus produtos, como demonstram os relatórios dos animais candidatos a CEP (Certificado Especial de Produção), do PMGZ. Só em 2012, considerando a safra de 2010, mais de 202 produtos da fazenda eram candidatos a CEP, um dos mais importantes produtos disponibilizado pelo PMGZ, certificado alia a superioridade genética do animal ao seu biotipo, baseado nas avaliações genéticas de todos os animais participantes do PMGZ.

Segundo o criador, as avaliações obtidas por meio dos programas de melhoramento estão à disposição do produtor como importante ferramenta de seleção, seja com o foco na produção de genética ou de gado comercial. “Muitos produtores trabalham há anos com seleção de gado e não utilizam essas ferramentas. Estão perdendo tempo, pois o quanto antes eles participarem desses programas, o quanto antes vão conseguir melhorar o desempenho dos seus rebanhos”, argumenta e acrescenta: “Investir em melhoramento genético é o caminho certeiro para quem está focado em atingir o ápice de desempenho do rebanho, o que resultará no aprimoramento da eficiência produtiva e consequentemente no incremento da rentabilidade.”

Epaminondas Andrade conquistou em 2012 o título de “Pecuarista do Ano” no Rally da Pecuária
Epaminondas Andrade conquistou em 2012 o título de “Pecuarista do Ano” no Rally da Pecuária

 

Grupo Publique e DuPont visitam a Vale do Boi

Visitas da Publique e DuPont juntos a Epaminondas e Ricardo na Vale do Boi.No ultimo domingo dia 11 de novembro, estiveram visitando a Fazenda Vale do Boi, Carlos Alberto da Silva o “Carlão” da Publique, Marcelo Faria e Rodrigo Dondé da DuPont.

Foram horas agradáveis onde os visitantes puderam ver a propriedade e conhecer o manejo e manutenção das pastagens, a gestão, bem como a rebanho nelore e sua seleção através do PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos).

Dia de Campo na Vale do Boi: “Como conseguir lucro na pecuária de Corte”

dia de campo na Vale do Boi 26-9-2012
dia de campo na Vale do Boi 26-9-2012

Dia de Campo

Aconteceu no ultimo dia 26 de setembro, na Fazenda Vale do Boi o Dia de Campo – “Como conseguir lucro na pecuária de Corte”.

Mais de 100 pessoas entre pecuaristas, profissionais da área, professores e acadêmicos da UFT (Universidade Federal do Tocantins) acompanharam a palestra e explicações do Zootecnista e consultor pecuário Adilson de Paula Almeida Aguiar. Durante todo o dia os participantes puderam fazer perguntas e tirar suas duvidas sobre manejo e formação de pastagens, variedade de forragens e resultados da atividade. Adilson fez questão de andar com os participantes pelos piquetes da fazenda tornando as explanações mais interativas. Todos puderam também conhecer o trabalho de captação de agua, proteção de mananciais e distribuição de agua para o rebanho da Vale do Boi.

O Dia de Campo teve a organização do SEBRAE Tocantins, Fazenda Vale do Boi e patrocínio da CALTINS (Calcário Dolomítico).

 

Sustentabilidade, a palavra de ordem

Revista Nelore – Setembro 2011

Se a pecuária brasileira não garantir uma produção sustentável estará fadada ao descrédito e à falência.

Para um negócio ser sustentável ele precisa ser ecologicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. Pensar em pecuária sustentável leva a refletir como os diferentes agentes econômicos se organizam para produzir e entregar ao consumidor final um produto de qualidade e ambientalmente correto. Com isso, compreender como novas práticas de produção sustentável são adotadas, incorporadas e contratadas ao longo da cadeia produtiva, se transformou em uma questão chave para se viabilizar a atividade no País.

Fato é que a bovinocultura de corte pode ser definida como a arte de transformar componentes vegetais em proteína animal. Sendo assim, este processo pode ser feito com maior ou menor impacto sobre o meio ambiente , em razão da eficiência do sistema utilizado pelo produtor. Nos últimos anos, a pecuária de corte tem sido alvo de inúmeras críticas por parte de ambientalistas. Os Fatores específicos que influem a sustentabilidade de uma propriedade são a lucratividade e o uso que ela faz dos recursos naturais. Para que a fazenda (ou a empresa rural) seja sustentável, em longo prezo, é necessário que além lucratividade, o manejo de recursos naturais como o solo e a água sejam considerados como pontos fundamentais do negócio.

Preocupação com o futuro

O criador Epaminondas de Andrade, da Fazenda Vale do Boi, há 40 anos dedicando-se à pecuária, afirma que a primeira coisa que o preocupa quando entra em uma propriedade rural, é o que ela tem pra ser utilizado e como ele pode melhorar o que já existe de bom. Andrade garante que todas as fazendas pelas quais já passou ficaram melhores do que quando nelas entrou. “A pecuária te estimula a pensar no futuro. Se não for assim, quatro ou cinco aos depois o produtor estará perdido”, admite.

O pecuarista diz que mesmo antes de se falar em sustentabilidade, quando o tema ainda não era “tão badalado” como é hoje, a maior parte dos pecuaristas sérios já se preocupava em como seria sua fazenda no futuro. “Ha 40 anos nem existia adubação de pastagens. O fazendeiro tinha de preservar aquilo ao seu redor , explorando menos e mantinha o pasto por mais tempo. Hoje, com os recursos técnicos existentes, pode-se explorar com mais intensidade, corrigir e adubar o solo. A coisa mais simples é ter um pasto melhor amanhã do que hoje”. Conhecedor da pecuária, seus problemas e soluções, ele adverte: “É impossível, contudo, ter um bom pasto se não preservar as nascentes e o solo, e permitir que a erosão domine a paisagem. Se não tomar todos esses cuidados não há tecnologia que garanta um bom pasto. Além disso, uma terra erodida, lavada, tem um custo altíssimo para ser recuperada”, garante.

Andrade conta que na sua fazenda havia muitas áreas degradadas, com erosões que poderiam esconder uma carreta. “A primeira coisa que fiz, antes mesmo de reformar os pastos, foi acabar com as erosões, impedindo que evoluíssem e tornar-se mais cara sua correção, além de aumentar os prejuízos que estavam causando para a natureza. Resolvida esta parte comecei a reformar as pastagens com correção e adubação do solo”, comenta. Com o solo desprotegido, qualquer chuva leva sua riqueza para o leito dos rios. “Não consigo conceber trabalhar a pecuária, a terra, sem pensar em seu futuro e, em última instância, no meu futuro. Quem faz diferente, se não está pagando uma conta alta por isso, pagará nos próximos tempos”, sentencia o criador.

Além de todos esses cuidados, Andrade ressalta a importância de se conscientizar todos aqueles que atuam dentro de uma fazenda. “Os que trabalham comigo já pensam como eu. Muitos dos meus empregados sabem que se não preservarem aquela arvorezinha que está crescendo, daqui a algum tempo eles podem precisar de uma sombra e não a terão. Nós que somos ruralistas temos de ter esses conceitos incrustados dentro da gente, como fundamento da nossa atividade”, admite o proprietário da Vale do Boi. Segundo ele, todas as casas de seus empregados têm árvores plantadas e jardins feitos. “Eu os estimulo e, muitas fezes, providencio a montagem do jardim. Isso é prazeroso”.

Quanto ao custo de todos esses cuidados, o fazendeiro garante que é mais caro recuperar o que já estragou. Arrumar leva milhares de horas de máquinas para cobrir, mudar e fazer voltar a fertilidade do solo. Não basta tapar o buraco com terra, afinal a natureza não se recompõe em um passe de mágica. Para ele, esse processo traz dois ingredientes importantes no resultado final: o econômico e o emocional. “Temos de aproveitar esse momento em que todos falam em sustentabilidade e fazê-la, não só pelo retorno econômico, mas pelo amor à natureza. Acaba tendo um troco, mas é bom chegar a um lugar onde tudo está preservado. Nem saberia medir o prazer que isso nos traz. Às vezes ele é maior que o financeiro”, conclui.

Tourinho bem alimentado, mais bezerros no pasto.

Revista DBO nº 371 – Setembro/2011
Especial – Genética e Reprodução
Nutrição

Na formulação do programa nutricional dos reprodutores, recomenda-se evitar o aporte de energia em excesso, por ser prejudicial ao seu desempenho.

A nutrição é um dos fatores que mais influi no desempenho reprodutivo, não apenas das fêmeas, mas também dos touros – e estes nem sempre recebem a atenção devida. Segundo o veterinário Fernando Galvani, da VetPlus Assessoria em Genética e Reprodução, com sede em Marabá, PA, os machos candidatos a reprodutores devem ser alimentados adequadamente desde a desmama, para que cheguem à puberdade mais cedo e produzam mais bezerros.

Restrições severas na fase de recria podem causar atrofia testicular. Em reprodutores jovens (18 meses), a subnutrição reduz a produção espermática em até 15%. Comida em excesso também prejudica o desempenho do touro a pasto. “Não se mede genética por meio de gordura ou peso, e sim com DEPs. O touro deve ser alimentado na dose certa, apenas para expressar o seu potencial”, diz Galvani.

Fazendas com bom manejo alimentar de reprodutores os suplementam na seca pósdesmama e realizam o seu preparo pré-estação de monta. Algumas preferem tratá-los desde a fase de lactação, por meio de creep feeding, até à época de venda. “Não existe regra. Cada fazenda deve desenvolver o seu programa nutricional, conforme o sistema de produção”, diz o consultor da VetPlus. O peso considerado como referência para tourinhos da raça Nelore é 600kg aos 20-24 meses. “Se o vendedor diz criar animais a pasto, adaptados para cobertura a campo, e os oferece com peso muito acima desse patamar, é bom desconfiar, porque algo está errado”, adverte Galvani.

Um mês antes de serem colocados em monta, os tourinhos recebem um proteinado de médio consumo.

ESTRATÉGIAS – Na Fazenda Vale do Boi, do selecionador Epaminondas de Andrade, em Carmolândia, TO, os bezerros candidatos a tourinhos são suplementados com proteinado de baixo consumo durante a seca, que se segue à desmama, na proporção de 0,1% do peso vivo, ou cerca de 200g/cab/dia. Quando chegam as chuvas, em outubro/novembro, eles são transferidos para pastagens rotacionadas de braquiarão ou mombaça e recebem sal energético. “O período das águas é muito importante, pois temos o vento a nosso favor, ou seja, todas as condições são favoráveis ao desenvolvimento dos animais. É preciso tirar máximo proveito disso”, diz Ricardo José de Andrade, filho de “seu” Epaminondas e administrador da fazenda.

Nas águas, os novilhos deslancham, ganhando de 800g a 1 kg/cab/dia, conforme atestam as pesagens regulares. Quando chega a seca seguinte, já pré-estação de monta, eles começam a ser preparados para a venda, com o fornecimento de ração concentrada com 18% de proteína, no próprio piquete, durante 90 dias, em níveis moderados, de 500 g/cab/dia, para que cheguem aos 24 meses com o peso ideal. “Se a demanda por tourinhos está alta, elevamos a suplementação para 1 kg/cab/dia, de forma a melhorar rapidamente sua condição corporal e vendê-los aos 21-22 meses, logo após o término das avaliações do PMGZ – Programa de Melhoramento Genético da Raça Zebuína, conduzido pela ABCZ. Se o mercado não está bom, tiramos a ração. Se o estoque acaba, voltamos a suplementar. Para cada situação, recorremos à estratégia mais indicada”, diz Ricardo.

Tourinhos Nelore da Fazenda Vale do Boi, ofertados no shopping, que normalmente ocorre no começo de junho.

Já os animais que vão ser ofertados no shopping da fazenda, em junho, são submetidos a outro programa nutricional. Cerca de 90 dias antes do evento, os tourinhos passam a receber 1% do peso vivo em ração, ou cerca de 5 kg/cab/dia. Como permanecem no pasto, também recebem um pouco de forragem picada, para evitar que rapem o capim. O shopping é a principal vitrine da Vale do Boi. Nele são ofertados os 100-120 tourinhos mais bem avaliados a cada ano. A fazenda, de 1.800 ha, conta com um plantel de 1.000 matrizes PO e tem quatro touros, entre os 20 melhores raçadores Nelore, com destaque para Imperador VB da Vale, terceiro lugar no Índice de Qualificação Genética do Sumário Embrapa/ABCZ 2011.

FORÇA DO VISUAL – O objetivo do tratamento pré-venda, segundo informa Ricardo Andrade, é melhorar a aparência do tourinho e valorizar a sua genética. “O comprador escolhe muito pelo visual. Mesmo guiando-se pelas DEPs e outras medidas genéticas, se o touro está mais enxuto, ele não compra”, diz.

Epaminondas de Andrade (ao centro) com os filhos Ricardo e Paulo

A superalimentação, contudo, é prática proibida na Vale do Boi. Ao chegar à fazenda do comprador, cerca de 90% dos tourinhos da marca são levados diretamente para o pasto, para cobrir a vacada, e se adaptam às condições rústicas de campo. “Monitoramos o seu desempenho pós-venda. Em 30 anos de seleção, tivemos de trocar somente quatro reprodutores”, afirma Ricardo.

Pela experiência do veterinário Galvani, ninguém compra touro de tipo atlético, só músculos. Em geral, escolhe-se o macho de estrutura corporal mais avantajada, porque se associa a ela a capacidade de transmitir peso ao bezerro. “Como não há treinamento para se comprar um bom reprodutor, o comprador é fisgado pelo olho. É preciso escolher aquele que melhor atende o sistema de produção da fazenda”.Uma prática arriscada, adverte, é investir na compra de um touro jovem tratado em baia com ração, pois ele não está acostumado às condições de campo. “Em consequência, sentirá muito o peso do serviço e poderá desmanchar, ou seja, perder condição corporal rapidamente”. Também não é bom um animal abaixo do padrão: “Um touro de dois anos, com peso de 450 kg, pode não cobrir direito as vacas”, alerta Galvani.

Reprodutores jovens devem cobrir, inicialmente, um número menor de vacas, para que não se desgastem.

Ao pecuarista que não dispõe de olhar treinado, o veterinário recomenda que contrate um técnico para auxiliá-lo na compra. Outra recomendação é informar-se, junto ao vendedor, sobre o programa nutricional utilizado na preparação do animal. Se ele passou a seca perdendo peso, por exemplo, e depois foi alimentado no cocho com muita ração, por período relativamente prolongado, deve receber, ao chegar à fazenda, um tratamento diferenciado – cobertura de um número menor de fêmeas, suplementação de manutenção etc. Caso contrário, se for colocado para cobertura em pasto pobre, sem trato algum, poderá sofrer muito. “O ideal é monitorar a sua condição corporal ao longo da estação de monta (leia sobre cuidados como touro jovem no quadro ao lado)”, diz Galvani.

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Cuidados com o tourinho

Os touros recém-adquiridos, ou de primeiro serviço, devem receber tratamento especial, para que cheguem ao final da estação de monta em boa condição corporal. A seguir, alguns cuidados básicos, recomendados por técnicos:

• Colocar os tourinhos em companhia de novilhas, ou de um número menor de vacas, em comparação com os reprodutores adultos, pois eles têm alta libido e se cansam rapidamente, devido ao excesso de coberturas, muitas não conclusivas. Se o lote de fêmeas for grande, a taxa de prenhez poderá resultar baixa.

• Monitorar a sua condição corporal, com a leitura de escore corporal, ou pesagens, antes e depois da estação de monta, para detectar eventuais desgastes, que afetem a produção espermática. Caso haja perda de massa muscular, o animal deve ser suplementado.

• Não misturar touros jovens com adultos, pois estes são dominantes e podem agredi-los, restringir o seu acesso à água e aos alimentos e prejudicar o seu desempenho sexual, impedindo os de cobrir as vacas.

• Para evitar a perda de muito peso durante a estação de monta, o animal deve ser suplementado 30 dias antes de entrar em serviço e durante o período de cobertura. Após o término dos trabalhos, deve ser examinado, para verificação de eventuais problemas físicos.

Obesidade x desempenho

O fornecimento de dietas muito energéticas leva ao acúmulo de gordura no tecido escrotal, o que impossibilita a perda de calor nos testículos e provoca desequilíbrio na síntese de testosterona e na produção de sêmen. Pesquisas realizadas com dietas de baixo, médio e alto nível energético mostraram que os animais superalimentados apresentaram menor produção espermática e problemas nas articulações, que dificultam a monta.

Para produzir uma quantidade adequada de esperma, o touro demanda um aporte energético apenas 5%-10% acima dos níveis de manutenção, necessidade menor do que as de um animal em crescimento, por exemplo. Portanto, não convém exagerar na sua alimentação. O correto é mantê-lo com escore corporal 3 ou 4, numa escala de 1 a 5, condição adequada ao seu bom desempenho.

http://issuu.com/revistadbo/docs/dbo_371