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Vale do Boi falará sobre bem-estar animal no BeefSummit 2014

BeefSummit Bem-estar Animal 2014No próximo dia 8 de Maio, Epaminondas de Andrade apresentará as experiências e resultados com práticas de bem-estar animal no rebanho da Vale do Boi nos últimos 30 anos.

“Há quase 30 anos abolimos o ferrão e a gritaria com o gado, e estamos colhendo resultados surpreendentes.” Atesta Epaminondas de Andrade. Pecuarista, proprietário da Fazenda Vale do Boi, no município de Carmolândia, região de Araguaína na região norte do Tocantins.

Há tempos o BeefPoint publica artigos sobre manejo racional e bem-estar animal pois esse assunto é muito importante para a pecuária de corte brasileira, por uma série de motivos:

  • fazendas que adotam bem-estar animal são mais produtivas
  • há menos acidentes com animais (menos prejuízos)
  • há menos acidentes com pessoas
  • há melhor qualidade de carne (menos stress)
  • há maior ganho de peso e outras medidas de produtividade
  • há menos perda por contusões no abate

E num futuro muito breve:

  • vai abrir (ou manter aberto) mercados importantes de carne bovina
  • existir mercado para carnes com certificação de bem-estar animal (como já existe nos EUA)

Ou seja, são muitos ganhos, para o produtor, para os animais, para os vaqueiros, para o frigorífico, para o consumidor. E para o setor como um todo. É um verdadeiro ganha-ganha-ganha.

Esse será um evento com conteúdo de altíssima qualidade, relacionamento, interação, e muita inspiração para você fazer diferente.

O BeefSummit Bem-Estar Animal vai ser o encontro de quem faz bem-estar animal na prática no Brasil, em pecuária de corte. Se você quer estar entre os líderes nesse negócio, marque na sua agenda.

Confira:

BeefSummit Bem-estar Animal
8 de maio de 2014
Centro de Convenções do Ribeirão Shopping – Ribeirão Preto/SP

O Sr. Epaminondas é finalista no Premio BeefPoint Edição Bem estar Animal.

beefpoint2014Prêmio BeefPoint 2014 – Edição Bem-estar Animal – Vote agora em quem é referência no Brasil!

O BeefPoint realizará um grande evento sobre “Bem-estar Animal” no dia 8 de maio de 2014, no Centro de Convenções do Ribeirão Shopping, na cidade de Ribeirão Preto/SP.

O evento terá a participação especial de Temple Grandin – pesquisadora que é referência mundial em bem-estar animal. Além de palestras inovadoras, com Prof. Mateus Paranhos da Costa e pecuaristas que são referência nas práticas de bem-estar animal no Brasil.

Estes profissionais irão compartilhar casos de sucesso e aprendizados nesta área que cresce a cada dia dentro da cadeia produtiva da carne. E para fechar o dia com chave de ouro, realizaremos a entrega do Prêmio BeefPoint 2014 – Edição Bem-estar Animal, que irá homenagear pecuaristas, profissionais, vaqueiros e pesquisadores que são referência em bem-estar no Brasil. Assim, como tudo do BeefPoint, você é a parte mais importante, nós queremos te ouvir!

Então, participe da votação e escolha quem deve ser homenageado pelo trabalho e dedicação ao bem-estar animal na pecuária. :-)

O Prêmio BeefPoint 2014 – Edição Bem-estar Animal, irá homenagear pessoas e não empresas ou entidades, além de ser permitido apenas um voto por pessoa, e vamos rastrear isso com uma confirmação enviada por email.

Vote agora! :-) Esperamos você neste dia que ficará marcado no cenário da pecuária brasileira, de 2014.

http://sites.beefpoint.com.br/premio/bemestaranimal/

Produtor Referência em Bem-estar Animal
Alexandre Parise
Ana Lúcia Spironelli
Anselmo Paulo Bellodi
Arnaldo Johannes Eijsink
Beatriz Biagi
Breno Barros
Carmen Perez
Claudio Braga
Eduardo Penteado Cardoso
Epaminondas de Andrade
Fernanda Macitelli Benez
Helton Marçola
Henrique Coutinho
Hugo Correa Netto da Costa Porto
Ian Hill
Joaquim Loureiro
José da Rocha Cavalcanti
Lourival Delpupo
Luciano Borges
Luiz Antônio Ferreira
Mauro Lúcio
Paulo Aranha
Percio Barros de Lima
Vinicius Scaramussa

A pecuária de corte gera empregos (inclusive nas cidades), riquezas, impostos e produz a melhor fonte de proteínas para o homem, a carne

BeefPoint lançou seu prêmio mais importante do ano para reconhecer e celebrar quem faz a diferença na pecuária de corte brasileira.

Nosso trabalho é focado em 3 pilares: conhecimento, relacionamento e inspiração. Tudo isso com foco em uma pecuária mais moderna, lucrativa e eficiente. Realizar um prêmio que seja uma festa e uma homenagem a essas pessoas especiais da pecuária de corte é a melhor maneira que encontramos para trazer inspiração a todos os envolvidos na cadeia da carne. Celebrar e destacar os bons exemplos é o caminho que encontramos e por isso sempre realizamos o Prêmio BeefPoint.

A premiação ocorreu durante nosso maior evento de 2013, o BeefSummit Brasil, que reuniu mais de 1.000 pessoas em Ribeirão Preto, SP, nos dias 10 e 11 de dezembro de 2013.

A cerimônia de entrega dos prêmios e divulgação dos ganhadores foi no final do dia 10 de dezembro, após as palestras e antes do coquetel com Chopp Pinguim e degustação de carnes especiais.

Para conhecer melhor os finalistas de cada categoria, o BeefPoint preparou uma série de entrevistas com cada um deles.

Confira abaixo a entrevista com Eduardo Penteado Cardoso, pecuarista e um dos finalistas e vencedor do Prêmio BeefPoint Brasil na categoria – Produtor – Destaque Bem-estar Animal.

BeefPoint: Qual o maior desafio da pecuária de corte do Brasil hoje?

Eduardo Penteado: O maior desafio é manter a competitividade da atividade, pois diversas áreas de pastagens vêm perdendo espaço para culturas diversas. O principal motivo é econômico, pois de uma forma geral a agricultura vem se mostrando mais rentável do que a pecuária de corte.

BeefPoint: O que o setor poderia / deveria fazer para aumentar sua competitividade no brasil?

Eduardo Penteado: Internamente, é preciso ter atenção especial ao gerenciamento das fazendas, especialmente o fluxo de caixa, lembrando sempre que Lucro = Receita – Despesas. As margens da pecuária são muito pequenas e administrar bem as despesas torna-se vital na atividade. Nesse contexto, por menores que sejam, é muito importante que sejam corretas e bem pensadas as decisões que temos que tomar todos os dias. Não existe, em larga escala, um “pulo do gato” na pecuária de corte.

Na maioria das vezes, a viabilidade econômica é alcançada pela somatória dessas pequenas decisões que precisamos tomar todos os dias. Nunca podemos esquecer a segurança econômica que a atividade nos traz, quando comparada com a agricultura. E isso em geral não é traduzido em números quando se compara agricultura e pecuária de corte.

Externamente, seria muito importante aumentar a demanda pela carne vermelha. Isso seria feito com campanhas de propaganda inteligentes, mostrando para a população urbana que a pecuária de corte não se resume às novelas de televisão, tampouco aos leilões de elite. Ela não é a vilã do meio ambiente, lembrando que ocupa enormes áreas de pastagens perenes, verdes a maior parte do ano: as plantas exercem a fotossíntese, sequestrando o carbono da atmosfera e liberando o oxigênio. Trata-se de um verdadeiro filtro natural.

A pecuária de corte brasileira é executada por um enorme contingente de pessoas distribuídas por todo o país, dando empregos a milhões de trabalhadores (inclusive nas cidades), gerando riquezas e impostos e, o mais importante, produzindo a melhor fonte de proteínas e minerais para o homem: a carne vermelha. Isso tudo a partir de 3 fatores relativamente abundantes na natureza: sol, água e nutrientes do solo.

BeefPoint: Você poderia nos contar sobre os acertos? O que fez e deu certo em sua carreira? Qual a sua maior realização?

Eduardo Penteado: Profissionalmente, a maior realização foi o envolvimento com a pecuária de corte através da seleção da raça Nelore, a base da produção de carne em nosso país. A opção foi por uma linhagem antiga e fechada, Lemgruber, que por ser um tanto homozigótica, tem a finalidade de promover o “choque de sangue” quando utilizada com animais da raça Nelore de outras origens.

Adicionalmente, esse trabalho de seleção permitiu que se pudesse aquilatar o potencial que essa raça apresenta para ser melhorada em diversas características.

BeefPoint: Todos sabemos que aprendemos mais com nossos erros. O que fez e deu errado? Você poderia nos contar?

Eduardo Penteado: É difícil particularizar um erro. Talvez o fato de eu ter me envolvido um pouco tarde com o gado, o que me privou por muitos anos desse grande prazer que é o contato com os animais.

BeefPoint: O que você fez em 2013 que te trouxe mais resultados?

Eduardo Penteado: Dei continuidade ao trabalho de seleção genética da linhagem Lemgruber, mantendo inalterada a filosofia que vem sendo adotada desde 1982 e é baseada em 4 pilares:

  • Adaptação ao ambiente (pasto)
  • Fertilidade
  • Aptidão econômica
  • Padrão racial

Uma filosofia objetiva aliada à qualidade das informações coletadas tem grandes possibilidades de levar o trabalho de melhoramento genético ao sucesso, onde a geração mais nova deve ser mais eficiente do que a mais velha. Em 2013 ficou evidente o excelente desempenho do Lemgruber nos diversos sumários de avaliação genética.

Foi também o ano em que a linhagem Lemgruber ultrapassou mais da metade de influência nos touros Nelore com sêmen à venda nas 9 maiores centrais de inseminação artificial no Brasil: 52,9% dos reprodutores dessa raça cujo sêmen está à venda, tem algum grau de sangue Lemgruber.

BeefPoint: O que você pretende fazer em 2014? quais são seus planos?

Eduardo Penteado: Continuar a seleção genética nos moldes atuais, sempre preservando a qualidade das informações coletadas e buscando incessantemente animais melhoradores. A satisfação dos clientes, principalmente no aspecto econômico, é fator fundamental. Pretendemos dar mais visibilidade ao trabalho de criação e seleção efetuado na Fazenda Mundo Novo.

BeefPoint: Em sua opinião, o que deve ser feito para aumentar o envolvimento dos jovens na agropecuária?

Eduardo Penteado: Mostrar a eles que a pecuária de corte é uma atividade nobre, pois vem suprir, como foi dito, a melhor fonte de proteínas e minerais para a população cada vez mais urbanizada. É também uma atividade rentável desde que bem gerenciada. E é extremamente gratificante pelo envolvimento entre o homem e o gado, cujo relacionamento existe desde a pré-história.

BeefPoint: Qual o exemplo de pecuarista do futuro do brasil hoje? Quem você admira por fazer um excelente trabalho?

Eduardo Penteado: Respeito muito as pessoas que vivem exclusivamente da pecuária. Dentro desse princípio, tenho um especial apreço pelo trabalho executado na Fazenda Vale do Boi, pelo meu amigo Epaminondas de Andrade, em Araguaína/TO. É um exemplo de gerenciamento, com muita objetividade e sem complicações. É uma prova de que a atividade pecuária dá lucro.

Também admiro a persistência dos Srs. Geraldo de Paula (Fazenda Papagaio, em Curvelo/MG) e Paulo Lemgruber (Fazenda São José, em Carmo/RJ). Além de depender da pecuária a vida toda, eles resistiram bravamente às novidades que surgiram ao longo do tempo e mantiveram-se fiéis à linhagem Lemgruber, trazida para o Brasil por Manuel Lemgruber em 1878.

BeefPoint: Em sua opinião, qual fazenda se destaca na pecuária hoje?

Eduardo Penteado: Gosto muito do Grupo CFM, que há muitas décadas vem exercendo um excelente trabalho de seleção genética da raça Nelore, produzindo animais que têm contribuído muito para a pecuária brasileira.

BeefPoint: Por que você acha que foi finalista do prêmio BeefPoint Brasil?

Eduardo Penteado: Talvez por ter sido um dos primeiros criatórios a se envolver com seleção da característica “temperamento” no Brasil e a adotar manejo mais racional no rebanho. O bovino existe para servir ao homem e precisa exercer as atividades que este quiser.

Todavia, pode-se induzir o animal a exercer essas atividades sem contrariar o seu instinto. Para isso, precisamos estudar o comportamento dos bovinos diante das diferentes situações, trazendo esses conhecimentos para o nosso próprio benefício. Quando chegamos a esse ponto, estamos proporcionando-lhes o bem-estar e ao mesmo tempo fazendo com que nos sirvam e satisfaçam as nossas necessidades.

BeefPoint: Que mensagem você deixaria para os pecuaristas?

Eduardo Penteado: Seria a mesma para os jovens: a pecuária é uma atividade nobre pela qualidade do alimento que ela produz e pela melhoria ambiental que ela proporciona. É também passível de ser lucrativa, desde que gerenciada de forma adequada, com um olho fixo nas despesas.

Finalmente posso afirmar que traz uma enorme satisfação pessoal e proporciona uma excelente qualidade de vida para quem gosta.

 

http://www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/entrevistas/a-pecuaria-de-corte-gera-empregos-inclusive-nas-cidades-riquezas-impostos-e-produz-a-melhor-fonte-de-proteinas-para-o-homem-a-carne-eduardo-penteado-cardoso-produtor-destaque-bem-est/

Há quase 30 anos abolimos o ferrão e a gritaria com o gado

Epaminondas, Ricardo e PauloHá quase 30 anos abolimos o ferrão e a gritaria com o gado, e estamos colhendo resultados surpreendentes – Epaminondas de Andrade

bem-estar animal tem sido preocupação crescente entre pesquisadores, produtores e consumidores de todo o mundo que passaram a exigir com maior intensidade uma conduta humanitária no tratamento dos animais, no que diz respeito à produção, transporte e abate.

Assim, para mostrar o que está acontecendo de mais atual no Brasil  e no mundo frente a área de bem-estar animal, na cadeia produtiva bovina, o BeefPoint preparou algumas entrevistas com diversos pecuaristas que já adotam medidas de manejo que visam as boas práticas de manejo, compartilhando casos de sucesso na pecuária de corte.

Confira abaixo, o caso de sucesso da Fazenda Vale do Boi, propriedade de Epaminondas de Andrade, no município de Carmolândia, região de Araguaína na região norte do Tocantins:

BeefPoint: Por favor, conte sobre o trabalho que vem desenvolvendo na área de bovinocultura de corte e bem-estar animal na sua propriedade.

Epaminondas de Andrade: Junto com meus filhos Ricardo José e Paulo Henrique trabalhamos na pecuária de corte, com ênfase no melhoramento genético da raça Nelore utilizando o PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos), sendo que em 2015 faremos 40 anos de seleção. Sempre fomos preocupados com o respeito aos animais. Há quase 30 anos abolimos o ferrão e a gritaria com o gado, sendo que nos últimos tempos aumentamos a atenção para o “chamado bem-estar animal”.

BeefPoint: Quais técnicas/práticas você desempenha em sua fazenda que resultou em bons resultados, quando o tema é bem-estar animal?

Epaminondas de Andrade: Foi realizado na propriedade no ano de 2006, o curso de Manejo Racional de Bovinos de Corte, ministrado pelo Professor Mateus Paranhos. Assim passamos a adotar algumas medidas de resultado, tais como:

  • Uso de bandeira para condução do gado
  • Não há gritos com os animais
  • Fazemos tratamento e vacinações um a um no brete de contenção
  • Quando colocamos sal mineral ou proteinados chamamos os animais para o cocho
  • Fazemos a cura do umbigo e tatuagem dos recém-nascidos no próprio pasto sem agressividade e brutalidade

A partir de então colhemos resultados surpreendentes, como uma maior facilidade no trabalho com os animais, redução na mortalidade dos bezerros e outros acidentes, bem como, conforto e segurança para os trabalhadores. O rebanho ficou mais dócil!

BeefPoint: Conte para nós qual a aceitabilidade de sua equipe quanto às técnicas de bem-estar animal? Como é feito o treinamento de seus funcionários?

Epaminondas de Andrade: A aceitabilidade foi razoável, mas aos poucos foi fazendo parte do dia a dia. Nossa rotatividade é pequena, mas quando entra um novo funcionário ele vai aprendendo com os mais velhos ou com nossas explicações, mas sempre é preciso fazer uma reciclagem.

BeefPoint: Quais instalações de sua propriedade são adequadas para as técnicas de bem-estar?

Epaminondas de Andrade: Nossos currais foram feitos antes de conhecermos os atuais anti-stress, mesmo assim foram planejados para um manejo mais tranquilo e seguro. Ao redor dos currais mantemos piquetes para não acumular muitos animais fechados.

Estamos instalando bebedouros com água de qualidade para o rebanho,  uma vez que pesquisas mostram que podemos ter aumentos de mais de 20% em desempenho econômico. Também mantemos arborização nas pastagens para o conforto dos animais.

BeefPoint: Por que decidiu adotar medidas de bem-estar animal em sua propriedade? Teve o apoio de alguma empresa e/ou profissional da área?

Epaminondas de Andrade: Estamos convencidos de que a melhor maneira de aumentar a rentabilidade na pecuária de corte é com o aumento da produtividade e isso se consegue com genética, nutrição, sanidade e manejo. Tivemos diversas contribuições para tal, sendo que para lidar com o gado o Professor Mateus Paranhos foi essencial.

BeefPoint: O que a sua propriedade difere das demais? As que utilizam boas práticas de manejo e as que não utilizam?

Epaminondas de Andrade: Somos preocupados com o futuro de nossa atividade, e meus dois filhos e eu vivemos intensamente o dia a dia de nosso negócio. Quanto às diferenças com outras propriedades nós temos trabalhadores mais felizes, menor rotatividade, menos acidentes tanto de caráter pessoal quanto animal, obtendo maior produtividade.

BeefPoint: Em relação ao manejo de bovinos, quais os erros mais comuns cometidos  em sua propriedade?

Epaminondas de Andrade: O erro mais comum é o de não entender ao certo, como o animal reage com a presença do homem.

BeefPoint: Que mensagem você deixaria para os pecuaristas que pretendem praticar técnicas relacionadas ao bem-estar animal?

Epaminondas de Andrade: Os resultados são palpáveis a qualquer leigo. Estamos no século 21 e a pecuária de corte precisa evoluir muito para competir com outras atividades, hoje existe tecnologia para triplicar os índices de produtividade assim como o retorno sobre o investimento, e as técnicas de manejo racional e bem-estar animal são fundamentais.

http://www.beefpoint.com.br/radares-tecnicos/ha-quase-30-anos-abolimos-o-ferrao-e-a-gritaria-com-o-gado-e-estamos-colhendo-resultados-surpreendentes-epaminondas-de-andrade-fazenda-vale-do-boi/

Campanha de vacinação contra febre Aftosa é lançada

Campanha de vacinação contra febre Aftosa é lançadaO Estado do lançou na manhã de hoje, às 10 horas, na Fazenda Vale do Boi, município de Carmolândia, em comemoração aos 16 anos sem febre Aftosa a primeira fase da campanha contra a doença neste ano, que teve como tema “Tocantins sem febre aftosa: É na raça que a gente mantém essa conquista”. Todos os bovídeos do Estado devem ser vacinados até o dia 31 de maio, totalizando mais de 8 milhões de animais.

Durante o lançamento, que contou com a presença de autoridades, foram entregues 17 caminhonetes, oriundas de parceria entre Ministério da Agricultura e Governo do Estado. Os veículos devem ser utilizados pela Agência de Defesa Agropecuária (Adapec) para reforçar o serviço da defesa sanitária e fiscalização do rebanho. Só no município escolhido para o lançamento existem 76 propriedades rurais e 134 produtores rurais.

Mais informações na versão impressa de amanhã do Jornal do Tocantins.

http://www.jornaldotocantins.com.br/20130504124.176963#04mai2013/economia-176963/estado_-_campanha_de_vacinacao_contra_febre_aftosa_e_lancada

Tocantins lança campanha oficial e comemora 16 anos sem febre aftosa

Tocantins lança campanha oficial e comemora 16 anos sem febre aftosa“Temos grande orgulho de executar as ações de Defesa Agropecuária e darmos a nossa parcela de contribuição ao Tocantins ”, disse o presidente da Adapec – Agência de Defesa Agropecuária, durante a abertura oficial da primeira etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa, que ocorreu na manhã deste sábado, 4, na Fazenda Vale do Boi, em Carmolândia. Na cerimônia, também foi comemorado os 16 anos livre da febre aftosa com vacinação.

O proprietário da Fazenda, Epaminondas de Andrade, afirma que a sua criação é exclusivamente de gado nelore, em torno de 3,5 mil cabeças, e um programa de melhoramento genético com diversas premiações. Para chegar a este patamar Epaminondas relata que seguiu todas as normas estabelecidas pelas legislações federais e estaduais. “Somos dedicados, o solo para o gado é corrigido, o manejo é racional, porque temos o maior respeito pela criação. Nisso está incluído também a vacinação contra febre aftosa, pois qualquer imprevisto pode por em risco não só o meu rebanho, mas de todo Brasil”, destacou.

Durante o pronuciamento, o presidente da Adapec, Marcelo aguiar Inocente, ressaltou as ações executadas por todos da cadeia produtiva pecuária que fez do Tocantins um destaque nacional em produtos de qualidade. “Os produtores rurais estão de parabéns por terem entendido a importância de vacinar o rebanho. Tenho certeza que esta campanha será um sucesso”, acrescentando que o Estado está de braços abertos para receber rebanho de outros estados, desde que seja sanitariamente igualitário, como prevê o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Além disso, falou da importância dos convênios firmados com o Mapa em parceria com o governo do Estado que permitirá a aquisição de computadores e camionetes, entre outros.

Na oportunidade, o vice-presidente da Faet – Federação da Agricultura e Pecuária, Paulo Carneiro, afirmou que a instiuição fará doação de vacinas contra a febre aftosa aos sindicatos rurais do Estado e as cidades que não tem sindicatos, as doses serão enviadas para as prefeituras.

Em 2012 o Tocantins exportou 37 mil toneladas de carnes, produtos e subprodutos, num total de arrecadação de U$ 161,88 milhões de dólares. O superintendente Federal da Agricultura, Jalbas Aires Manduca, falou da importancia economica de estar livre da febre aftosa com vacinação e da luta da região Nordeste em busca da melhoraria do status sanitário. “Digo aos produtores, não vacilem, temos de manter nosso status, que foi uma conquista conseguida a duro sacrifício”, disse.

Para o secretário da Agricultura, da Pecuária e do Desenvolvimento Agrário, Jaime Café, a campanha será um sucesso, com o empenho de cada produtor tocantinense que faz e fará a sua parte. “Agradeço aos colaboradores da Adapec que tem feito seu papel de maneira extraordinária e do compromisso dos produtores rurais que estão engajados nesta luta”, disse. Na ocasião, o secretário anunciou a criação do Plano de Cargos, Carreira e Remuneração da Adapec. “O governador Siqueira Campos determinou que até o final do mês a minuta esteja pronta e no momento adequado encaminhará a Assembleia Legislativa”.

O vice-governador do Estado, João Oliveira, enalteceu o comprometimento da Agência e a conscientização dos produtores rurais em manter o estado livre da febre aftosa. “É importante termos o apoio técnico, vigilante para nossos produtores poduzirem cada vez mais. A vacinação é a garantia da sanidade animal, por isso devemos colaborar com a garantia da saúde animal e da população”, disse.

Também participaram do evento, o prefeito de Carmolândia, Sebastião Bastin, o Secretário de Desenvolvimento Agrário e Regulação Fundiária, Irajá Abreu, o Deputado Estadual, Osires Damaso, a Deputada Estadual, Amália Santana, o prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas e demais autoridades.

Entrega de camionetes

Durante o evento, foi entregue 17 camionetes modelo L 200 triton em uma parceria entre o Mapa e o governo do Estado, por do convênio nº 771213 da área vegetal e convênio nº 771224 da área animal. Os carros servirão para fortalecer as ações de Defesa, Inspeção e Sanidade Animal e Vegetal em todo o Estado.

Campanha

A primeira etapa da campanha acontece entre os dias 1º e 31 de maio. Neste período todos os bovídeos devem receber a dose da vacina, indiferente da faixa etária. Após vacinar o gado, o produtor tem até 10 dias para declarar o ato, nas unidades da Adapec, onde sua ficha cadastral é movimentada. É preciso levar a nota fiscal da vacina e a Carta-aviso com dados de todos os animais da propriedade.

Para produtor que deixar de vacinar a multa é de R$ 5,32 por cabeça de animal e R$ 127,69 por propriedade não declarada. É importante ressaltar que a partir do dia 1º de maio, para emissão da GTA – Guia de Trânsito Animal é preciso comprovar a vacinação, pois o transporte ilegal sem a guia gera ao produtor multa de R$ 42,56 por cabeça de animal e R$ 127,69 ao transportador, além das sanções previstas na Lei.

http://www.adapec.to.gov.br/noticia.php?id=897

Tourinho bem alimentado, mais bezerros no pasto.

Revista DBO nº 371 – Setembro/2011
Especial – Genética e Reprodução
Nutrição

Na formulação do programa nutricional dos reprodutores, recomenda-se evitar o aporte de energia em excesso, por ser prejudicial ao seu desempenho.

A nutrição é um dos fatores que mais influi no desempenho reprodutivo, não apenas das fêmeas, mas também dos touros – e estes nem sempre recebem a atenção devida. Segundo o veterinário Fernando Galvani, da VetPlus Assessoria em Genética e Reprodução, com sede em Marabá, PA, os machos candidatos a reprodutores devem ser alimentados adequadamente desde a desmama, para que cheguem à puberdade mais cedo e produzam mais bezerros.

Restrições severas na fase de recria podem causar atrofia testicular. Em reprodutores jovens (18 meses), a subnutrição reduz a produção espermática em até 15%. Comida em excesso também prejudica o desempenho do touro a pasto. “Não se mede genética por meio de gordura ou peso, e sim com DEPs. O touro deve ser alimentado na dose certa, apenas para expressar o seu potencial”, diz Galvani.

Fazendas com bom manejo alimentar de reprodutores os suplementam na seca pósdesmama e realizam o seu preparo pré-estação de monta. Algumas preferem tratá-los desde a fase de lactação, por meio de creep feeding, até à época de venda. “Não existe regra. Cada fazenda deve desenvolver o seu programa nutricional, conforme o sistema de produção”, diz o consultor da VetPlus. O peso considerado como referência para tourinhos da raça Nelore é 600kg aos 20-24 meses. “Se o vendedor diz criar animais a pasto, adaptados para cobertura a campo, e os oferece com peso muito acima desse patamar, é bom desconfiar, porque algo está errado”, adverte Galvani.

Um mês antes de serem colocados em monta, os tourinhos recebem um proteinado de médio consumo.

ESTRATÉGIAS – Na Fazenda Vale do Boi, do selecionador Epaminondas de Andrade, em Carmolândia, TO, os bezerros candidatos a tourinhos são suplementados com proteinado de baixo consumo durante a seca, que se segue à desmama, na proporção de 0,1% do peso vivo, ou cerca de 200g/cab/dia. Quando chegam as chuvas, em outubro/novembro, eles são transferidos para pastagens rotacionadas de braquiarão ou mombaça e recebem sal energético. “O período das águas é muito importante, pois temos o vento a nosso favor, ou seja, todas as condições são favoráveis ao desenvolvimento dos animais. É preciso tirar máximo proveito disso”, diz Ricardo José de Andrade, filho de “seu” Epaminondas e administrador da fazenda.

Nas águas, os novilhos deslancham, ganhando de 800g a 1 kg/cab/dia, conforme atestam as pesagens regulares. Quando chega a seca seguinte, já pré-estação de monta, eles começam a ser preparados para a venda, com o fornecimento de ração concentrada com 18% de proteína, no próprio piquete, durante 90 dias, em níveis moderados, de 500 g/cab/dia, para que cheguem aos 24 meses com o peso ideal. “Se a demanda por tourinhos está alta, elevamos a suplementação para 1 kg/cab/dia, de forma a melhorar rapidamente sua condição corporal e vendê-los aos 21-22 meses, logo após o término das avaliações do PMGZ – Programa de Melhoramento Genético da Raça Zebuína, conduzido pela ABCZ. Se o mercado não está bom, tiramos a ração. Se o estoque acaba, voltamos a suplementar. Para cada situação, recorremos à estratégia mais indicada”, diz Ricardo.

Tourinhos Nelore da Fazenda Vale do Boi, ofertados no shopping, que normalmente ocorre no começo de junho.

Já os animais que vão ser ofertados no shopping da fazenda, em junho, são submetidos a outro programa nutricional. Cerca de 90 dias antes do evento, os tourinhos passam a receber 1% do peso vivo em ração, ou cerca de 5 kg/cab/dia. Como permanecem no pasto, também recebem um pouco de forragem picada, para evitar que rapem o capim. O shopping é a principal vitrine da Vale do Boi. Nele são ofertados os 100-120 tourinhos mais bem avaliados a cada ano. A fazenda, de 1.800 ha, conta com um plantel de 1.000 matrizes PO e tem quatro touros, entre os 20 melhores raçadores Nelore, com destaque para Imperador VB da Vale, terceiro lugar no Índice de Qualificação Genética do Sumário Embrapa/ABCZ 2011.

FORÇA DO VISUAL – O objetivo do tratamento pré-venda, segundo informa Ricardo Andrade, é melhorar a aparência do tourinho e valorizar a sua genética. “O comprador escolhe muito pelo visual. Mesmo guiando-se pelas DEPs e outras medidas genéticas, se o touro está mais enxuto, ele não compra”, diz.

Epaminondas de Andrade (ao centro) com os filhos Ricardo e Paulo

A superalimentação, contudo, é prática proibida na Vale do Boi. Ao chegar à fazenda do comprador, cerca de 90% dos tourinhos da marca são levados diretamente para o pasto, para cobrir a vacada, e se adaptam às condições rústicas de campo. “Monitoramos o seu desempenho pós-venda. Em 30 anos de seleção, tivemos de trocar somente quatro reprodutores”, afirma Ricardo.

Pela experiência do veterinário Galvani, ninguém compra touro de tipo atlético, só músculos. Em geral, escolhe-se o macho de estrutura corporal mais avantajada, porque se associa a ela a capacidade de transmitir peso ao bezerro. “Como não há treinamento para se comprar um bom reprodutor, o comprador é fisgado pelo olho. É preciso escolher aquele que melhor atende o sistema de produção da fazenda”.Uma prática arriscada, adverte, é investir na compra de um touro jovem tratado em baia com ração, pois ele não está acostumado às condições de campo. “Em consequência, sentirá muito o peso do serviço e poderá desmanchar, ou seja, perder condição corporal rapidamente”. Também não é bom um animal abaixo do padrão: “Um touro de dois anos, com peso de 450 kg, pode não cobrir direito as vacas”, alerta Galvani.

Reprodutores jovens devem cobrir, inicialmente, um número menor de vacas, para que não se desgastem.

Ao pecuarista que não dispõe de olhar treinado, o veterinário recomenda que contrate um técnico para auxiliá-lo na compra. Outra recomendação é informar-se, junto ao vendedor, sobre o programa nutricional utilizado na preparação do animal. Se ele passou a seca perdendo peso, por exemplo, e depois foi alimentado no cocho com muita ração, por período relativamente prolongado, deve receber, ao chegar à fazenda, um tratamento diferenciado – cobertura de um número menor de fêmeas, suplementação de manutenção etc. Caso contrário, se for colocado para cobertura em pasto pobre, sem trato algum, poderá sofrer muito. “O ideal é monitorar a sua condição corporal ao longo da estação de monta (leia sobre cuidados como touro jovem no quadro ao lado)”, diz Galvani.

…   …

Cuidados com o tourinho

Os touros recém-adquiridos, ou de primeiro serviço, devem receber tratamento especial, para que cheguem ao final da estação de monta em boa condição corporal. A seguir, alguns cuidados básicos, recomendados por técnicos:

• Colocar os tourinhos em companhia de novilhas, ou de um número menor de vacas, em comparação com os reprodutores adultos, pois eles têm alta libido e se cansam rapidamente, devido ao excesso de coberturas, muitas não conclusivas. Se o lote de fêmeas for grande, a taxa de prenhez poderá resultar baixa.

• Monitorar a sua condição corporal, com a leitura de escore corporal, ou pesagens, antes e depois da estação de monta, para detectar eventuais desgastes, que afetem a produção espermática. Caso haja perda de massa muscular, o animal deve ser suplementado.

• Não misturar touros jovens com adultos, pois estes são dominantes e podem agredi-los, restringir o seu acesso à água e aos alimentos e prejudicar o seu desempenho sexual, impedindo os de cobrir as vacas.

• Para evitar a perda de muito peso durante a estação de monta, o animal deve ser suplementado 30 dias antes de entrar em serviço e durante o período de cobertura. Após o término dos trabalhos, deve ser examinado, para verificação de eventuais problemas físicos.

Obesidade x desempenho

O fornecimento de dietas muito energéticas leva ao acúmulo de gordura no tecido escrotal, o que impossibilita a perda de calor nos testículos e provoca desequilíbrio na síntese de testosterona e na produção de sêmen. Pesquisas realizadas com dietas de baixo, médio e alto nível energético mostraram que os animais superalimentados apresentaram menor produção espermática e problemas nas articulações, que dificultam a monta.

Para produzir uma quantidade adequada de esperma, o touro demanda um aporte energético apenas 5%-10% acima dos níveis de manutenção, necessidade menor do que as de um animal em crescimento, por exemplo. Portanto, não convém exagerar na sua alimentação. O correto é mantê-lo com escore corporal 3 ou 4, numa escala de 1 a 5, condição adequada ao seu bom desempenho.

http://issuu.com/revistadbo/docs/dbo_371

Risco para a tropa

Revista DBO nº 370 – Ago 2011

Pastagens | Manejo

Surtos de cólicas em equídeos após ingestão de capins do gênero Panicum  dizimam os animais de serviço na região Norte.

Prejuízos gerados por surtos de cólica em equídeos no bioma amazônico continuam a preocupar pecuaristas e pesquisadores. Ao pastejar áreas de Panicum maximum, como Massai, Mombaça e Tanzânia, na época da rebrota, os animais apresentam quadro de cólica aguda e parte deles morre horas depois. Embora os primeiros casos tenham sido registrados em 2001, ainda não foi identificado o agente causador. Sabe-se apenas que as complicações surgem na época das chuvas, principalmente no início do período, quando ocorre a rebrota, em Estados do Norte, como Acre, Maranhão, Pará, Amazonas, Tocantins e norte do Mato Grosso.

Os sintomas são semelhantes aos das cólicas comuns. Os equídeos apresentam timpanismo e dilatação abdominal, gerados pela parada dos movimentos intestinais e pela alta produção de gases. As mucosas congestionam-se e, em alguns casos, ocorre refluxo nasal. Devido às fortes dores, alguns animais contorcem-se no solo, enquanto outros permanecem em posição conhecida como de “cão sentado”.

O tratamento consiste em retirar a tropa do pasto imediatamente e aplicar analgésico. A seguir, estimulam-se os animais a andar, o que auxilia no funcionamento do intestino. Em casos graves, intervem-se com a introdução de uma sonda no aparelho respiratório, a fim de reduzir a pressão abdominal. “O emprego da sonda traz bons resultados, e, sob a orientação do veterinário, qualquer pessoa pode executar o procedimento”, afirma José Diomedes Barbosa Neto, pesquisador da UFPA Universidade Federal do Pará. Depois de adotados esses procedimentos, a taxa de mortalidade caiu de 60% para 40%.

Diomedes, que há oito anos coordena pesquisas sobre o tema, estima que 30 mil animais entre cavalos, burros e jumentos, morreram nos últimos 10 anos, em decorrência dos surtos de cólica. O número elevado preocupa pecuaristas da região, que se têm ressentido da carência de tropa de serviço. Em 2008, em apenas um dia, a Fazenda Vale do Boi, de Carmolândia, no norte do Tocantins, perdeu 16 animais, entre muares e equinos. “Conseguimos salvar a maioria com a medicação e os tratos, mas o prejuízo foi grande”, diz o proprietário Epaminondas de Andrade. Quem atendeu o caso foi o médico veterinário Marco Augusto Giannoccaro da Silva, da Universidade Federal do Tocantins. “Naquele ano, socorri mais de 100 animais. Foi um período de altos índices de surtos na região”.

Neste ano, o fazendeiro Ricardo Alonso, da Fazenda Elge, em Paraíso do Tocantins, teve um prejuízo superior a R$ 30.000 com a morte de animais da tropa. “Eu havia acabado de comprar algumas matrizes, R$ 1.500 reais por cabeça”, afirma ele.

SINAIS – É forte a suspeita de que o problema esteja associado à ingestão do capim Massai. O Massai é uma das três cultivares de Panicum desenvolvidas pela Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande, MS.A instituição iniciou as pesquisas sobre essas gramíneas em 1982, para oferecer melhores opções aos pecuaristas. Foram lançados o Tanzânia, em 1990, e o Mombaça, em 1993. Devido à susceptibilidade de diversos cultivares ao ataque da cigarrinha-das-pastagens, a Embrapa lançou em 2001 o Massai, resistente a ela, depois de ter realizado pesquisas em sete Estados: Acre, Piauí, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Tocantins, Rondônia e Distrito Federal. Graças às suas características de rápida brotação no início das chuvas e de ótima cobertura de solo, a cultivar difundiu-se rapidamente.

Informados do problema, pesquisadores da Embrapa, em workshop realizado em 2009, lançaram o Comunicado Técnico 114, no qual advertem que em regiões de ocorrência da enfermidade, deve evitar-se, durante a época chuvosa, o pastejo exclusivo por equídeos das três cultivares de Panicum.

Valdemir Antônio Laura, chefe-adjunto de pesquisas e desenvolvimento da Embrapa Gado de Corte, enfatiza que a recomendação é não alimentar equinos com monocultura dessas variedades. Na página da Embrapa na internet sobre a a cultivar Massai, porém, não se faz ressalva para o seu uso por equinos na região amazônica. O texto encerra coma seguinte recomendação: “Preferencialmente para bovinos, ovinos caprinos e equinos”.

FALTA DE RECURSOS – O pesquisador Diomedes, observa que faltam recursos e pessoal para pesquisar sobre o problema. Ele informa que o projeto intitulado “Estudo da etiologia e de métodos profiláticos da cólica em equídeos pela ingestão de Panicum maximum no bioma amazônico” recebeu apenas R$ 120.000, dos R$ 400.000 necessários. Depois de ter pesquisado o problema por oito anos, ele levanta três hipóteses para a sua ocorrência, sendo amais provável a presença no capim Massai de saponinas, que são agentes do metabolismo secundário vegetal semelhantes a bactérias, caracterizados pela formação de espuma no tecido da planta, responsáveis pela intoxicação. “O trabalho perdeu consistência, porque sem recursos a reprodução do capim não pode ser feita no ambiente de seu crescimento em diferentes regiões, como a pesquisa exige”, lamenta.

Uma outra hipótese, segundo a pesquisadora Valíria Cerqueira, é a suspeita de que o clima amazônico transforma os carboidratos do capim em frutanas, um tipo de carboidrato de fácil digestão, que seria responsável pelo excesso de gases emitidos. O pesquisador Franklin Riet Correa, da UFCG – Universidade Federal de Campina Grande, PB, também investiga essa hipótese. “O problema pode ser causado pelos carboidratos facilmente fermentáveis. Mas a pesquisa requer muito tempo”, observa. Assim como no caso das saponinas, são necessárias áreas de cultivo para experimento em diferentes regiões e verbas para o projeto. A ausência de recursos deixou a pesquisa de Cerqueira estacionada.

Além dessas hipóteses, os pesquisadores levantam uma terceira – a existência de microrganismos endofíticos – fungos e bactérias – nos capins, responsáveis pela produção de alcalóides tóxicos. Porém, inexiste projeto de pesquisa que se ocupe dela.

Pesquisa registra problema semelhante em bovinos

Sintomas semelhantes aos manifestos em equinos foram identificados em bovinos sobre pastagens de Panicum na região amazônica. Levantamento feito em rebanhos leiteiros pelo pesquisador Franklin Riet Correa, da Universidade Federal de Campina Grande, PB, entre janeiro e maio de 2011, no município de Ourem, no nordeste do Pará, registra a sua ocorrência. Em experimento relatado por Franklin, por três vezes os animais foram retirados do capim Tanzânia, para evitar perdas na produção leiteira, depois de sete deles terem adoecido no início de janeiro. Exames identificaram a ocorrência de distensão abdominal. Detectou-se também a parada dos movimentos intestinais e a presença de excesso de gás no intestino. Apenas um animal apresentou cólica, e alguns tinham as fezes mais secas e outros, fezes pastosas em grande quantidade. “Percebe-se que os animais deixam de se alimentar devido à enfermidade”, diz o pesquisador.

Depois de identificado o problema, os animais foram retirados do Tanzânia e reinstalados no mesmo pasto, uma vez recuperados. No início de maio, outros cinco animais apresentaram sinais clínicos da enfermidade e foram retirados, mas se recuperaram-se em até quatro dias. No final do mês, outros sete animais voltaram a apresentar os mesmos sintomas, após oito dias de pastejo. Para Correa, isso é sinal evidente de que o Panicum também pode afetar os ruminantes. “O problema ocorre também em bovinos, mas em menor escala do que em equinos”, conclui Correa.

A pesquisa leva à suspeita de que a rotação nos piquetes, de 28 dias, fez com que os animais sempre consumissem o capim em brotação, período coincidente com o de índices mais elevados de cólica em equinos. A sugestão ao pecuarista é que espere um pouco mais até o capim amadurecer e evite o pastoreio do gado durante a rebrota.

Surto semelhante foi observado também em pastagens de Mombaça, no Pará, em abril. Ao serem introduzidos empastagens em brotação, bovinos de diferentes idades apresentaram sintomas semelhantes aos registrados no gado leiteiro de Pombal. Na primeira área, dezoito vacas, de um total de 60, apresentaram o problema, e o mesmo ocorreu em 60 garrotes de um lote de 140, quatro dias após terem sido introduzidos em pastagem de Mombaça na fase de rebrota.

Além do Mombaça, o Massai também apresentou problemas em bovinos. Na Fazenda Vale do Boi, no Estado de Tocantins, o proprietário Ricardo Andrade observou uma que da acentuada na taxa de prenhez em vacas e novilhas mantidas em pastagem de Massai. Em novembro de 2008, nenhuma de suas 40 matrizes emprenhou, depois de alimentadas exclusivamente com Massai. “É estranho, pois tanto o touro quanto as matrizes apresentaram bons índices em anos anteriores”, diz Ricardo. No ano seguinte, ele colocou um outro lote de 40 vacas, com outro touro, no mesmo pasto, para avaliar o resultado. A taxa de prenhez ficou em 12%, abaixo da média de 80% registrada nas demais áreas da fazenda. Em 2010, a área de Massai deixou de ser utilizada para alimentação de gado em reprodução. “Estamos substituindo por Mombaça, que sempre nos ofereceu bons resultados”, informa Ricardo.

http://issuu.com/revistadbo/docs/_.dbo_370_ago

Araguaína recebe edição especial da Caravana Acelera Tocantins nesta segunda-feira

As ações de Governo, levadas pela Caravana Acelera Tocantins, chegarão de forma emergencial à cidade de Araguaína, nesta segunda-feira, 3, quando o governador Carlos Gaguim (PMDB) cumprirá seus primeiros compromissos oficiais após a viagem à China. A Caravana ficará um dia inteiro no município inaugurando obras e liberando recursos. A principal iniciativa, que é bastante aguardada, pela população é a Força Tarefa do Dertins que vai recuperar ruas e avenidas de Araguaína, numa parceria com a prefeitura local.

O trabalho da Caravana começa às 7h40, com uma visita às obras da Estação de Passageiros e às instalações da Fundação de Medicina Tropical de Araguaína. Logo em seguida, por volta das 8h30, na sede da prefeitura de Araguaína, no gabinete do prefeito Valuar Barros, o governador assina os atos de liberação de emendas parlamentares e assina convênios com a prefeitura para a execução de obras e programas como os Pioneiros Mirins. Ainda no período da manhã, Carlos Gaguim inaugura um Telecentro Comunitário.

Por volta das 9h, o governador aciona as máquinas da Força Tarefa, na Avenida Dom Emanuel, bairro Senador, próximo ao Parque de Exposição Agropecuária. Em seguida, haverá a inauguração da Sala de Armas e o Lavajato na sede do 2º BPM – Batalhão da Polícia Militar.

Na sede dos Pioneiros Mirins, às 9h45, o governador realiza o plantio de mudas e faz pronunciamento à população de Araguaína. Logo após, na Escola Estadual José Alves de Assis, os estudantes recebem a cobertura da quadra poliesportiva e um parque de diversões. Também será inaugurado o Centro de Reabilitação.

No período da tarde, iniciando por volta das 14h, a Caravana retoma as ações emergenciais na cidade com o início da recuperação de vias públicas no bairro São Miguel e conjunto Patrocínio. Às 16h, o governador visita a Plataforma Multimodal da Ferrovia Norte-Sul. A população também recebe do Governo o Centro Regional da Juventude e um Ponto de Cultura.

Agenda extra

A Caravana Acelera Tocantins em Araguaína terá uma pausa por volta das 11h30 da manhã, para a abertura oficial da 1ª Etapa da Campanha de Vacinação Contra a Febre Aftosa. O evento ocorre na fazenda Vale do Boi, no município de Carmolândia, a cerca de 30 km de Araguaína.

No período da noite, por volta das 20h, o governador participa da inauguração do Sistema de Retransmissão da Record News, canal 55 UHF. Em seguida, Carlos Gaguim participa de reunião com empresários locais, na sede da Fieto, em Araguaína.

Já na terça-feira, 4, o governador e comitiva visitam as instalações do Frigorífico Minerva, antes do retorno a Palmas, previsto para o final da manhã. (Da Secom).

http://www.portalct.com.br/n/f71199406cedc23a831f01600e282855/araguaina-recebe-edicao-especial-do-acelera-tocant/