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Associação Brasileira dos Criadores de Zebú (www.abcz.org.br)

ABCZ realiza curso em Araguaína

ABCZ realiza curso em Araguaína
Assessoria de Imprensa ABCZ

A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) realiza em Araguaína/TO, entre os dias 17 e 19 de agosto, o Curso de Noções em Morfologia e Julgamentos de Zebuínos. O curso visa a capacitar profissionais ligados às áreas de Medicina Veterinária, Agronomia e Zootecnia para atuarem como jurados das raças zebuínas, porém todos os interessados em ampliar seus conhecimentos sobre os métodos e critérios de seleção e julgamento podem participar.

As aulas teóricas serão ministradas na sede do Sebrae no dia 17 e as práticas nos dias 18 e 19 no Parque de Exposições Dair José Lourenço e nas fazendas Vale do Boi e Bela Índia. O investimento para profissionais e criadores é de R$ 500 e para acadêmicos R$ 250, incluindo almoço para os três dias. As inscrições podem ser feitas no local do curso até dia 01/08. Outras informações pelo telefone: (63) 3415-1831.

http://www.abcz.org.br/noticias/2155

CEP 2007: Produtos nelore indicados da Fazenda Vale do Boi

CEP 2007

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE ZEBU
CEP – CERTIFICADO ESPECIAL DE PRODUÇÃO – 2007
PRODUTOS CANDIDATOS AO CEP – CATEGORIA NACIONAL – SAFRA 2005
Criador: EPAMINONDAS DE ANDRADE Faz. Vale do Boi Raça: NELORE – PO
Nome do Animal Pai Avô Materno RG Dt. Nasc. IQG %TOP CEP #
FÊMEAS
HABA VB DA VALE VBV 6009 8/3/2005 4,74 0,1 BRONZE 650
HAIFA VB DA VALE VBV 6031 12/3/2005 4,28 0,1 PRATA 166
HEXONA VB DA VALE VBV 6223 3/10/2005 3,80 1 PRATA 203
HYBLA VB DA VALE VBV 6339 2/11/2005 3,77 1 PLATINA 65
HEXAMINA VB DA VALE VBV 6224 3/10/2005 3,68 0,5 PLATINA 64
HELICE VB DA VALE VBV 6138 9/9/2005 3,56 2 PLATINA 235
HOLDA VB DA VALE VBV 6266 14/10/2005 3,53 0,5 OURO 35
HAGAR VB DA VALE VBV 6059 24/3/2005 3,48 0,5 OURO 263
HORA VB DA VALE VBV 6298 21/10/2005 3,47 0,5 OURO 17
HUNGRIA VB DA VALE VBV 6334 2/11/2005 3,47 0,5 OURO 84
HERNE VB DA VALE VBV 6190 20/9/2005 3,32 3 PRATA 267
HAIA VB DA VALE VBV 6029 11/3/2005 3,31 0,5 PRATA 593
HERESIA VB DA VALE VBV 6185 20/9/2005 3,30 3 OURO 228
HORCA VB DA VALE VBV 6357 8/11/2005 3,29 0,5 PRATA 533
HENDECA VB DA VALE VBV 6152 13/9/2005 3,27 0,5 PLATINA 151
HARTE VB DA VALE VBV 6039 15/3/2005 3,15 1 BRONZE 29
HESSA VB DA VALE VBV 6204 28/9/2005 3,14 1 BRONZE 358
HURCA VB DA VALE VBV 6363 9/11/2005 3,13 1 PRATA 60
HEMINA VB DA VALE VBV 6149 13/9/2005 3,01 1 OURO 106
HELENINA VB DA VALE VBV 6136 9/9/2005 2,95 6 BRONZE 114
HAGARA VB DA VALE VBV 6422 25/11/2005 2,87 7 PRATA 169
HERSE VB DA VALE VBV 6200 27/9/2005 2,84 2 BRONZE 99
HIGIAMA VB DA VALE VBV 6241 8/10/2005 2,83 2 BRONZE 102
HYDE VB DA VALE VBV 6387 15/11/2005 2,83 7 OURO 278
HUMAIA VB DA VALE VBV 6343 4/11/2005 2,81 7 OURO 23
HESIONE VB DA VALE VBV 6202 27/9/2005 2,63 10 PRATA 130
HIPOTESE VB DA VALE VBV 6254 11/10/2005 2,62 3 BRONZE 749
HUMITA VB DA VALE VBV 6325 1/11/2005 2,54 12 BRONZE 235
HIDRICA VB DA VALE VBV 6234 6/10/2005 2,53 3 BRONZE 487
HARCADA VB DA VALE VBV 6407 22/11/2005 2,49 13 PRATA 47
HERANCA VB DA VALE VBV 6180 19/9/2005 2,47 3 PRATA 499
HESSITA VB DA VALE VBV 6205 28/9/2005 2,12 6 BRONZE 368
HARINA VB DA VALE VBV 6062 24/3/2005 1,96 8 BRONZE 281
HORTA VB DA VALE VBV 6306 24/10/2005 1,95 27 BRONZE 142
HEDVIGES VB DA VALE VBV 6119 8/8/2005 1,81 10 BRONZE 455
MACHOS
HAGEN VB DA VALE VBV 6065 25/3/2005 5,82 0,1 PLATINA 90
HABIB VB DA VALE VBV 6028 11/3/2005 5,82 0,1 PLATINA 182
HACO VB DA VALE VBV 6036 14/3/2005 5,54 0,1 OURO 197
HAMY VB DA VALE VBV 6095 18/4/2005 5,17 0,1 PLATINA 49
HANGAR VB DA VALE VBV 6088 14/4/2005 5,10 0,1 PRATA 188
HAMURABI VB DA VALE VBV 6096 18/4/2005 4,88 0,1 PLATINA 57
HANON VB DA VALE VBV 6083 7/4/2005 4,87 0,1 PLATINA 82
HANDY VB DA VALE VBV 6086 14/4/2005 4,63 0,1 PLATINA 94
HAKE VB DA VALE VBV 6040 15/3/2005 4,44 0,1 OURO 33
HERDADO VB DA VALE VBV 6166 16/9/2005 4,40 0,5 PLATINA 52
HELIACO VB DA VALE VBV 6156 14/9/2005 4,25 0,5 PLATINA 39
HASIK VB DA VALE VBV 6131 5/9/2005 4,15 0,5 PLATINA 29
HABILITADO VB DA VALE VBV 6018 9/3/2005 4,11 0,5 PRATA 145
HATON VB DA VALE VBV 6133 8/9/2005 4,06 0,5 PLATINA 104
HAMIRPUR VB DA VALE VBV 6097 18/4/2005 3,91 0,5 OURO 269
HADES VB DA VALE VBV 6047 17/3/2005 3,86 1 PLATINA 232
HADON VB DA VALE VBV 6044 17/3/2005 3,82 1 PRATA 487
HELIOS VB DA VALE VBV 6155 14/9/2005 3,76 1 PLATINA 139
HATUAL VB DA VALE VBV 6377 12/11/2005 3,66 1 PRATA 182
HODER VB DA VALE VBV 6270 15/10/2005 3,22 3 PRATA 17
HORIZONTE VB DA VALE VBV 6332 2/11/2005 3,21 4 PRATA 378
HANKO VB DA VALE VBV 6082 7/4/2005 3,21 4 BRONZE 557
HINDU VB DA VALE VBV 6269 15/10/2005 3,15 4 OURO 186
HUMORAL VB DA VALE VBV 6335 1/11/2005 3,12 4 OURO 137
HAXIMA VB DA VALE VBV 6134 8/9/2005 3,10 4 PRATA 395
HEREDO VB DA VALE VBV 6172 17/9/2005 3,06 5 PLATINA 172
HIFEN VB DA VALE VBV 6251 10/10/2005 3,03 5 PRATA 800
HETERIO VB DA VALE VBV 6201 27/9/2005 2,95 6 PRATA 68
HAB VB DA VALE VBV 6367 10/11/2005 2,93 6 OURO 50
HECTO VB DA VALE VBV 6153 14/9/2005 2,88 7 PRATA 488
HUON VB DA VALE VBV 6399 21/11/2005 2,87 7 OURO 207
HIMALAIA VB DA VALE VBV 6260 13/10/2005 2,77 9 PRATA 670
HODY VB DA VALE VBV 6329 1/11/2005 2,74 8 PRATA 595
HOTEL VB DA VALE VBV 6340 2/11/2005 2,65 10 BRONZE 499
HEBRAICO VB DA VALE VBV 6123 1/9/2005 2,38 15 BRONZE 391
HUMILE VB DA VALE VBV 6417 24/11/2005 2,31 17 BRONZE 384
HAMBURGO VB DA VALE VBV 6098 18/4/2005 2,28 18 BRONZE 258
HIDALGO VB DA VALE VBV 6229 4/10/2005 2,28 18 BRONZE 315
HIDOLO VB DA VALE VBV 6361 9/11/2005 2,23 19 BRONZE 620
HEROI VB DA VALE VBV 6168 16/9/2005 2,21 19 BRONZE 310
HERVEY VB DA VALE VBV 6198 27/9/2005 2,17 20 PRATA 747
HUPE VB DA VALE VBV 6405 22/11/2005 2,04 24 BRONZE 323
HERCO VB DA VALE VBV 6173 17/9/2005 1,83 31 BRONZE 481
HEROICO VB DA VALE VBV 6191 20/9/2005 1,71 36 BRONZE 743

Fonte: PMGZ/ABCZ

CEP 2006: Produtos nelore indicados da Fazenda Vale do Boi

CEP 2006

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS CRIADORES DE ZEBU
CEP – CERTIFICADO ESPECIAL DE PRODUÇÃO – 2006
PRODUTOS CANDIDATOS AO CEP – CATEGORIA NACIONAL – SAFRA 2004
Criador: EPAMINONDAS DE ANDRADE Faz. Vale do Boi Raça: NELORE – PO
Nome do Animal Pai Avô Materno RG Dt. Nasc. IQG %TOP CEP #
FÊMEAS
FALCA VB DA VALE VBV 5385 4/4/2003 3,89 1 OURO 15
FAMOSA VB DA VALE VBV 5409 16/4/2003 3,54 2 OURO 397
FAVORITA VB DA VALE VBV 5421 23/4/2003 3,28 0,5 PRATA 406
FALERA VB DA VALE VBV 5395 7/4/2003 3,13 4 PRATA 494
FALTA VB DA VALE VBV 5393 7/4/2003 2,97 2 BRONZE 458
FORMA VB DA VALE VBV 5622 12/11/2003 2,83 7 BRONZE 393
FACADA VB DA VALE VBV 5334 20/3/2003 2,53 3 BRONZE 658
FABIANA VB DA VALE VBV 5325 17/3/2003 2,40 4 BRONZE 707
FACHA VB DA VALE VBV 5341 21/3/2003 2,32 16 PRATA 207
FACULA VB DA VALE VBV 5352 24/3/2003 2,17 21 BRONZE 270
MACHOS
FASTO VB DA VALE VBV 5464 17/9/2003 6,13 0,1 PLATINA 13
FEUDAL VB DA VALE VBV 5511 26/9/2003 5,48 0,1 PLATINA 3
FERID VB DA VALE VBV 5494 23/9/2003 4,62 0,1 OURO 392
FARUK VB DA VALE VBV 5413 17/4/2003 4,55 0,1 PLATINA 45
FABRO VB DA VALE VBV 5333 20/3/2003 4,25 0,5 PLATINA 140
FILAO VB DA VALE VBV 5551 14/10/2003 4,22 0,5 OURO 235
FACIL VB DA VALE VBV 5344 22/3/2003 4,18 0,5 PLATINA 52
FILANTE VB DA VALE VBV 5535 4/10/2003 4,05 0,5 PRATA 510
FARNE VB DA VALE VBV 5462 17/9/2003 4,00 0,5 OURO 274
FALCAO VB DA VALE VBV 5372 31/3/2003 3,90 1 OURO 347
FAMOSO VB DA VALE VBV 5386 4/4/2003 3,89 1 OURO 134
FANCO VB DA VALE VBV 5445 13/9/2003 3,55 3 PLATINA 87
FALLON VB DA VALE VBV 5383 3/4/2003 3,53 2 BRONZE 319
FIDO VB DA VALE VBV 5521 29/9/2003 3,51 2 OURO 253
FATO VB DA VALE VBV 5424 24/4/2003 3,38 3 PRATA 545
FAROL VB DA VALE VBV 5401 11/4/2003 3,35 3 PRATA 174
FLAP VB DA VALE VBV 5550 14/10/2003 3,33 3 OURO 255
FANTASTICO VB DA VALE VBV 5388 4/4/2003 3,31 3 PRATA 553
FLORO VB DA VALE VBV 5580 29/10/2003 3,20 4 BRONZE 715
FENICIO VB DA VALE VBV 5480 20/9/2003 3,19 4 PRATA 175
FACEIRO VB DA VALE VBV 5340 21/3/2003 3,10 4 PRATA 743
FLAMO VB DA VALE VBV 5566 17/10/2003 3,00 5 PRATA 724
FALUDI VB DA VALE VBV 5396 10/4/2003 2,95 6 PRATA 35
FALERNO VB DA VALE VBV 5375 31/3/2003 2,92 6 BRONZE 438
FARO VB DA VALE VBV 5410 16/4/2003 2,89 6 BRONZE 594
FALIJO VB DA VALE VBV 5440 12/9/2003 2,89 6 PRATA 831
FABELO VB DA VALE VBV 5329 17/3/2003 2,77 8 PRATA 420
FENOTIPO VB DA VALE VBV 5491 23/9/2003 2,67 9 PRATA 668
FIDALGO VB DA VALE VBV 5519 29/9/2003 2,54 12 BRONZE 28
FAZY VB DA VALE VBV 5415 18/4/2003 2,49 13 BRONZE 578
FOGO VB DA VALE VBV 5605 3/11/2003 2,42 14 PRATA 785
FALCAO VB DA VALE VBV 5335 20/3/2003 2,30 17 BRONZE 816
FAVORY VB DA VALE VBV 5499 24/9/2003 2,23 19 PRATA 590

Fonte: PMGZ/ABCZ

O real valor genético do zebu selecionado

Revista ABCZ Mar/Abr 2006

A Vale do Boi tem o rebanho nelore com maior número de CEPs PLATINA.

Tempo Técnico

O real valor genético do zebu selecionado

Na seleção, conhecer o real valor genético dos animais é essencial. Entre o valor genético real dos indivíduos e nossa avaliação, se interpõem camadas e camadas de elementos que desviam nossa atenção. Todos os esforços para remover essas camadas que falseiam nossas decisões são dignos de louvor. Em geral, eles demandam tempo e dinheiro, e aqueles que travam essa batalha merecem todo crédito. Neste espaço, desta edição, gostaria de apresentar algumas informações sobre o PMGZ – Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos, trabalho que é conduzido pela equipe da Superintendência de Melhoramento Genético – SMG, com muita dedicação. É um conjunto pequeno de informações dada a dimensão real do programa, mas é válida sua divulgação. A proposta é mantê-la atualizada a cada edição da nossa revista.

Seu rebanho é especial?
Sabia que em seu rebanho podem existir animais especiais?
Animal com CEP (Certificado Especial de Produção) é animal especial, pois a ABCZ atesta sua superioridade genética e fenotípica.
Baseado nas Avaliações Genéticas ABCZ – Embrapa/CNPGC, os animais participantes do PMGZ são avaliados e determina-se seu IQG – Índice de Qualificação Genética.
Este IQG apresenta a seguinte ponderação:

IQG = 10% PM-EM + 15% PD-ED + 20% TMD + 30%PS + 10% IPP + 10% I2P + 5% PES

Onde:
PM- EM: DEP para efeito materno sobre o peso aos 120 dias (kg);
PD-ED: DEP para peso aos 240 dias (kg), efeito direto;
TMD: DEP para total materno sobre o peso a desmama (kg);
PS: DEP para peso ao sobre ano (kg);
IPP: Idade ao primeiro parto (dias) ;
I2P:DEP para intervalo entre o primeiro e segundo parto (dias);
PES: DEP para perímetro escrotal ao sobre ano (cm).

Os 8% melhores animais PO baseados neste índice (IQG) e nascidos na safra avaliada, são pré-candidatos ao CEP, portanto devem ser avaliados fenotipicamente por um técnico da ABCZ.
Assim, o intuito do CEP é identificar e disponibilizar ao mercado animais com genética superior e biotipo adequado à produção.

O CEP está dividido em quatro categorias:

CEP Platina: animais entre os 0,5% melhores IQG
CEP Ouro: animais entre os 2% melhores IQG
CEP Prata: animais entre os 5% melhores IQG
CEP Bronze: animais entre os 8% melhores IQG

Prova de ganho em peso

Por sua fácil execução e alta eficiência técnica, seja ela realizada a pasto ou confinada, a PGP – Prova de Ganho em Peso, é uma das provas zootécnicas que mais vem crescendo dentro do PMGZ. Conheça as PGP´s que encerraram e as que iniciaram em 2006:

Luiz Antonio Josahkian é superintendente-técnico da ABCZ.

http://www.abcz.org.br/site/produtos/revista/index.php?cb_mes=03&cb_ano=2006&idrevista=31

PMGZ: a sigla do melhoramento genético

Revista ABCZ Nov/Dez 2005

Programa da ABCZ caracteriza a genética do zebu; banco de dados é o maior do mundo.

Epaminondas de Andrade ainda era um principiante na lida com a pecuária, em meados da década de 1970, quando já se preocupava em responder à pergunta: como se fazer o melhoramento genético de zebuínos? “Naquela época, um amigo criador, bem mais antigo do que eu, e com mais experiência, me disse que, se para selecionar gado PO, tivesse que fazer o Ponderal, ele preferia parar de criar. Fiquei assustado, surpreso”, lembra o pecuarista ao recordar-se das provas iniciais de ganho em peso da ABCZ, em 1968.

Atuante na região Norte do Brasil, Epaminondas disse notar que, a exemplo do passado, muitos criadores da atualidade ainda não se atentaram para o valor dos programas de melhoramento genético como ferramenta de trabalho. “Existe, e prevalece, a cultura antiga do olho, da pessoa que utiliza o touro registrado, grande e bonito, com um grupo de vacas registradas, e que acredita estar fazendo seleção”, disse o criador, proprietário da fazenda Vale do Boi, no município de Carmolândia, no Estado de Tocantins.

Na sua propriedade, o selecionador de gado nelore sempre registrou – outrora no papel, hoje no computador – todas as informações de seu rebanho, até mesmo dos animais cara limpa. “É o que chamamos atualmente de valor agregado”, ressaltou, ao comentar que traz consigo esse conceito a partir de sua experiência como administrador de empresas. “Sabemos a habilidade materna de cada vaca da fazenda, inclusive, do rebanho comercial”, disse Ricardo José de Andrade, filho do criador.

Pioneiro na utilização do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), Epaminondas de Andrade afirma que custos, receitas e índices de produtividade são termos incorporados ao seu negócio desde o início de sua atividade como pecuarista. “O rebanho evolui com mensuração”.

A ótica de trabalho do criador mineiro radicado no Tocantins rendeu dois pontos importantes em seu empreendimento. O primeiro deles é que, mesmo sem participar de pistas de julgamento, a genética da Vale do Boi está presente nos reprodutores que lideram o Sumário de Touros ABCZ/Embrapa; em segundo lugar, animais nascidos e criados na fazenda consagraram-se campeões em dois abates técnicos, na categoria Lote de Carcaça, realizados pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), em Tocantins.

“O PMGZ permite com bastante precisão, baseado em critérios técnicos, identificar os melhores animais do rebanho, e direcionar cada grupo e característica dos mesmos de acordo com o mercado específico que o produtor quer atingir. São várias as características observadas pelo Programa, que busca atender as mais variadas demandas da pecuária”, afirmou Nelson Pineda, diretor Técnico da ABCZ.

“Seleção não é descartar um animal que nasce mancando de uma perna. Não é tão simples assim”, emendou Epaminondas de Andrade, ao se declarar um aprendiz de genética com base na teoria da “ervilha de Mendel”, e assumir que ocorreram diversas mudanças na área científica nesses seus mais de 30 anos como pecuarista. “Alguém pode até dizer que alcança algum avanço genético sem programa de melhoramento, mas é um avanço irrelevante para a pecuária atual”, afirmou.

Ciência

Com o mundo cada vez mais conectado entre si, a influência direta da economia global no destino do setor produtivo é ainda maior; tendência que leva à equação: aumento de produtividade versus redução de custos. “Incorporar tecnologia é fundamental para que os pecuaristas aumentem o ganho na seleção de seus rebanhos”, salienta Carlos Henrique Cavallari Machado, superintendente técnico-Adjunto da ABCZ.

Segundo ele, a pressão diária do mercado cobra maior eficiência dos criadores e, conseqüentemente, mais perspicácia no processo de produção. “O PMGZ identifica os melhores animais com maior probabilidade de acerto. Com isso, o ganho genético é mais acelerado. Aumenta-se os genes favoráveis no rebanho e diminui-se os não desejáveis”, explica o diretor Pineda, que vê nas estimativas de valores genéticos (VG) uma das grandes ferramentas geradas pelo PMGZ ao selecionador.

O ganho genético a que Pineda se refere foi o que o gerente da fazenda Morada da Prata, Fernando Garcia de Carvalho, objetivou para o plantel tabapuã da propriedade quando adotou o PMGZ. Na época, Carvalho era diretor técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Tabapuã (ABCT) e foi encarregado, também, de escolher qual o programa que seria adotado para raça com a oficialização da sua entidade.

“A base de dados do PMGZ é uma das suas grandes vantagens. Podemos comparar a tabapuã com outras raças zebuínas”, comentou o gerente da Morada da Prata, fazenda que completa sua 28ª Prova de Ganho em Peso, pela ABCZ. Atualmente, cerca de 25% dos animais tabapuã avaliados pelo PMGZ são pertencentes à Morada da Prata – a propriedade, localizada próxima à Batatais (SP), comporta 1.200 animais no total, sendo 500 deles matrizes.

“Existem clientes que querem animais com valor agregado. Os criadores geralmente são bons na seleção do ‘olho’, mas o PMGZ não faz seleção e, sim, melhoramento genético”, afirmou Fernando Carvalho, que há 13 anos atua na fazenda do interior paulista. Segundo ele, é importante o criador aliar o PMGZ ao Procan +, bem como incentivar e participar dos dias de campo promovidos pela ABCZ.

Carne e leite

O capixaba Carlos Fernando Fontenelle Dumans divide seu tempo entre o petróleo e a pecuária, mais precisamente com o guzerá NF. Engenheiro, Carlos Fernando trabalha na Petrobrás e ajuda a administrar a fazenda Fontenelle, localizada em Baixo Guandu (ES). Segundo ele, os animais da propriedade são todos provados em conformidade com os regulamentos das Provas de Leite da ABCZ. “Nos três currais da fazenda, uma vez por mês, é feita a pesagem oficial do leite por técnico da ABCZ para registro da produção leiteira”, comentou.

Adepta ao PMGZ, a marca NF tem sido destaque no Concurso Leiteiro da ExpoZebu desde 1992 quando atingiu produções como a das fêmeas Alvura NF (Reservada Grande Campeã), com 25 kg de leite/dia, sem ajustes, e Traíra NF (Campeã Vaca Adulta), com 31 kg/dia, ajustados para 4% MG.

Para reforçar o potencial de produção leiteira da raça guzerá, Carlos Fernando evidencia outros criatórios e cita como exemplo a quebra de recorde mundial do Concurso Leiteiro da ExpoZebu 2005, onde a fêmea Nagoia Taboquinha, registrou a maior produção de leite em torneios públicos da raça, com a produção média de 37,100 Kg/dia.

“Programas como o PMGZ são peças importantes para a seleção. Dão ao criador condição de verificar informações que vão servir para avaliar com maior eficiência as possibilidades de melhoramento genético do rebanho. É preciso dispor dessas informações para se melhorar a produtividade. Sem esse tipo de programa é muito mais complicado trabalhar com seleção”, reforçou Haroldo Fontenelle, que é tio de Carlos Fernando, proprietário da marca NF e ex-integrante do Conselho e do Colégio de Jurados da ABCZ.

Ambos acreditam que o gado guzerá desempenha bem a função de produzir carne e leite. Embora, o trabalho de reconhecer na seleção a dupla aptidão, segundo Carlos Fernando, não seja fácil. “É um desafio que programas como o PMGZ têm que superar”, sugeriu o engenheiro, “pois melhorar geneticamente o guzerá é um desafio permanente”, emendou.
Roberto Franco, criador de guzerá em Sales de Oliveira (SP) e Jussara (GO), reforça a tese de que o uso de um programa de melhoramento é peça indispensável para se fazer genética. “A base de dados da ABCZ é muito rica e as informações muito detalhadas. Isso nos dá tranqüilidade ao realizarmos a seleção dos animais da propriedade. É importante ter parâmetros detalhados quando se quer resultados eficientes e comprovados”, ressaltou.

Para Roberto Franco, que utiliza o PMGZ desde o seu lançamento, o programa tem evoluído muito, pois, atualmente, o criador tem acesso aos dados com maior facilidade. “É preciso saber como cruzar ou acasalar os animais para não correr o risco de descaracterizar o potencial do produto. E não adianta querer cruzar sem saber o que se está fazendo porque pode-se descaracterizar até a raça pura com isso”, alertou.

É para esse ponto que o diretor Técnico da ABCZ, Nelson Pineda, chama atenção, esclarecendo que as estimativas das DEPs em gado de corte e as PTAs em gado de leite, que correspondem a metade do VG, são o indicativos da probabilidade de um animal transmitir as suas qualidades a outro exemplar. “Participar do PMGZ, por si só, não significa que haverá progresso genético do plantel. Os dados utilizados e os reprodutores e matrizes eleitos são fundamentais no resultado”, recomendou Pineda. Segundo ele, uma coleta de dados sem precisão, e seriedade, é inválida e altamente prejudicial.

Importância do PMGZ

É o maior arquivo do mundo no que diz respeito a dados técnicos de bovinos. “Incialmente, o controle desses animais restringia-se a avaliações de características de padrão, como o tamanho das orelhas na raça indubrasil, nas primeiras décadas do século XX”, lembrou o presidente da ABCZ, Orestes Prata Tibery Júnior.

Percebendo a necessidade de ampliar as características avaliadas no zebu, a ABCZ iniciou, em 1968, as suas provas zootécnicas com a implantação do Controle de Desenvolvimento Ponderal (CDP), que trabalhou com medidas de quantidade, como os pesos em diferentes idades – através das Provas de Ganho em Peso (PGP). Naquela época, foram inscritos 996 animais, 448 machos e 548 fêmeas, sendo 531 da raça gir, 98 guzerá, 117 indubrasil e 250 nelore. No ano passado, a entidade contabilizou 142.279 animais inscritos no CDP, sendo 72.684 machos e 69.595 fêmeas.

Ao longo dos anos, a avaliação dos animais passou a levar em consideração características de valor econômico da produção, com vistas nos aspectos ambientais e sociais, o que incorporou ao PMGZ uma série de dados como a relação ossos/músculos, maciez e percentual de gordura na carne, fertilidade, resistência, avaliações de tipo (método EPMURAS) e outros. “Essa evolução do Programa demonstra o quanto nos preocupamos em atingir nosso objetivo, que é o de oferecer uma ferramenta ao criador que o auxilie na busca de um retorno econômico, aliado com maior contribuição social e menor impacto ambiental”, disse o superintendente Técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian.

Nova Fase

Há 26 anos, a Embrapa Gado de Corte é parceira da ABCZ, junto com o MAPA, na elaboração dos sumários de touros das raças zebuínas. O propósito dessa iniciativa foi disponibilizar, para as fazendas participantes do CDP, as avaliações de suas matrizes e animais jovens (machos e fêmeas). “Agora, evoluímos nessa parceria”, disse Luiz Otávio Campos da Silva, responsável pela equipe de melhoramento animal da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS).

Segundo ele, ABCZ e Embrapa vão trabalhar em conjunto no sentido de “unir” as informações disponíveis nos sumários de touros existentes no mercado. “A idéia é que, desta forma, além de ser oportunizado maior entendimento dos resultados das avaliações genéticas que aparecem nos sumários, haja um entendimento do processo do melhoramento como um todo”, reforçou Luiz Otávio.

De acordo com o especialista da Embrapa, o trabalho, entendido como uma prestação de serviço, será baseado na sinergia entre o corpo técnico da ABCZ e o corpo de gerência e manejo das fazendas, podendo se dar de forma isolada ou agrupada. “Esta união viabilizará a melhoria de todo o processo que se estende desde a definição dos objetivos, passando pela eleição do conjunto de características a serem trabalhadas, coleta dos dados, seguindo até a utilização das informações geradas, assim como na aplicação de critérios de seleção”, informou Luiz Otávio.
A maior otimização do Programa entusiasmou ainda mais o pecuarista Epaminondas de Andrade, que fez uma ressalva sobre a evolução das avaliações técnicas da ABCZ: “Hoje, aquele meu amigo que era resistente ao Ponderal, utiliza o PMGZ”.

Box 01
Passos para instalação de um programa de melhoramento genético
• Identificar todos os animais com numeração única e permanente;
• Definir o número de matrizes do rebanho;
• Definir o número de touros necessários;
• Definir os critérios de seleção a serem adotados, consoantes com as tendências e exigências do mercado;
• Estabelecer uma estação de monta, sendo sugerido a de 90 dias ou menos;
• Introduzir, quando necessário, variabilidade genética, evitando consangüinidade inicial;
• É ideal que se descarte as vacas e novilhas vazias, sendo outra opção o descarte das vacas que falharem duas vezes em três anos ou ainda, implacavelmente, as que falharem por dois anos consecutivos;
• Avaliar o desempenho de todos os animais nascidos, mesmo que portadores de defeitos;
Subdividir o rebanho em categoria de sexo e idade para facilitar o manejo;
• Manter sempre os animais até o momento da seleção em grupos de contemporâneos;
• Usar a balança para medir;
• Subdividir as pastagens para receber os lotes de acasalamento, maternidade e desmama;
• Proceder a uma desmama organizada;
• Criar índices próprios de seleção, atendendo demandas genéticas específicas;
• Cuidar para reduzir o intervalo entre gerações, usando touros e vacas jovens na reprodução e substituindo, sempre que possível, as vacas mais velhas por novilhas melhoradas;
• Selecionar os animais pelo desempenho individual, procurando sempre conciliar os maiores diferenciais de seleção (no caso de seleção para peso, kg acima da média do grupo de contemporâneos) com outros critérios de seleção;
• Não usar somente touros aparentados entre si na reprodução, evitando dessa forma consangüinidade em níveis prejudiciais;

Box 02
Vantagens do PMGZ
• Melhora a fertilidade do rebanho
• Evidencia os animais, mais precoces
• Melhora os índices de ganho de peso
• Diminui o intervalo entre gerações
• Coloca à venda animais testados, agregando valor aos mesmos
• Proporciona aos criadores produzirem animais prontos para abate mais jovens

Box 03
Controle Leiteiro
O criador que deseja iniciar o controle leiteiro em seu rebanho deverá entrar em contato com a ABCZ, através de nossos escritórios ou filiadas. Há também o sistema de credenciamento de controladores, que permite ao criador indicar técnicos de sua região para executar os controles mensais na propriedade, reduzindo em grande parte os custos do processo.
São requisitos básicos para iniciar o controle leiteiro em uma propriedade:
• Toda matriz deve possuir identificação (RGN ou RGD)
• A matriz deve estar com no máximo, 75 dias de parida no primeiro controle
• O primeiro controle deve ser feito após o 5º dia de parição
• O intervalo entre controles deve ser no mínimo 15 e no máximo 45 dias

Ao final de toda a lactação com mais de três controles, é emitido pela ABCZ o Certificado de Produção em Controle Leiteiro Oficial. Nesse relatório são demonstrados todos os controles realizados, o que permite apresentar um gráfico onde podem ser visualizadas a curva e a persistência da lactacão. É demonstrada também a produção de leite em até 305 dias e produção de leite em até 365 dias de lactação.

http://www.abcz.org.br/site/produtos/revista/index.php?cb_mes=11&cb_ano=2005&idrevista=29

Tocantins agora tem mais um ETR

Revista ABCZ – Ano 2 – Nº11 – Novembro – Dezembro/2002

Araguaína abriga uma das mais novas “casas” do zebu brasileiro. Com a inauguração do escritório da ABCZ na cidade, mais agilidade no atendimento

O rebanho bovino brasileiro ultrapassou, no ano passado, as 164 milhões de cabeças. Só no estado do Tocantins, o número de animais passou a marca de 5,6 milhões. Desse total, 4,748 milhões foram destinados ao abate, o que rendeu ao estado mais de 200 mil toneladas equivalente carcaça no ano passado. Por causa dessa capacidade crescente de produção, a cada ano o investimento dos pecuaristas da região no tocante à seleção de seu gado aumenta consideravelmente.

Para impulsionar ainda mais o potencial produtivo da região, a ABCZ inaugurou no dia 11 de outubro na cidade de Araguaína, o segundo escritório técnico no estado. O outro está instalado na capital, Palmas, que, em 2001, teve um aumento de mais de 108% em registros genealógicos definitivos. No total foram 24.223 registros de zebuínos efetuados, englobando-se os de nascimento e os definitivos.

A idéia da implantação de outro ETR, agora na cidade de Araguaína, surgiu a partir de um pedido feito pelo presidente do Sindicato Rural da cidade, Ângelo Marzola, e pelo pecuarista Epaminondas de Andrade ao diretor da ABCZ João Machado Prata Júnior. Na época, João Machado participava de um dia de campo na fazenda Vale do Boi, de propriedade de Epaminondas e representava o então presidente da ABCZ Rômulo Kardec de Camargos, durante uma exposição realizada há três anos na cidade.

O escritório, que era uma reivindicação dos criadores da região, hoje é uma realidade muito bem vinda, uma vez que a pecuária no Tocantins está em franco crescimento e a região de Araguaína possui cerca de 60% do rebanho bovino do estado.

Hoje a ABCZ possui 23 escritórios técnicos regionais que cuidam de cada pedacinho do Brasil onde se desenvolve a pecuária. Para o diretor da ABCZ João Machado Prata Júnior a iniciativa tem como objetivo justamente dar um suporte técnico ainda mais rápido aos criadores de zebu do Tocantins. “Estamos interligando todos os escritórios e expandindo o atendimento. A idéia é garantir cada vez mais interatividade e maior contato com a sede”, explica.

A solenidade de inauguração do ETR contou com presenças ilustres como o secretário de Estado da Agricultura do Tocantins Nasser Yunes e o presidente do Sindicato Rural de Araguaína Ângelo Crema Marzola Júnior. Para o secretário Nasser Yunes, a iniciativa da ABCZ traduz a confiança da entidade na capacidade produtiva de seu estado. “Esse trabalho importante, desenvolvido pela ABCZ, não é apenas um suporte para dar agilidade aos negócios de nossos pecuaristas. É também uma forma de incentivo para o aumento de nossos investimentos nesse setor, que tanto tem contribuído para a rentabilidade econômica de nosso país”, disse. Yunes lembrou, também, de uma de suas iniciativas quando foi presidente do Sindicato Rural de Araguaína: a realização da primeira exposição ranqueada de nelore no estado.

Em seu discurso, o representante da ABCZ e empresário do ramo de leilões Eduardo Gomes enfa-tizou o empenho dos diretores da entidade João Machado Prata Júnior e Marco Túlio Andrade Barbosa, do membro do Conselho Consultivo da ABCZ em Tocantins Aloísio Borges Júnior e da pecuarista Virgínia Borges Adriano para a consolidação do escritório em Araguaína. Os diretores da ABCZ não puderam participar da inauguração do ETR devido a problemas técnicos durante o embarque no aeroporto de São Paulo.

http://www.abcz.org.br/site/produtos/revista/11/index.php3