Arquivo da categoria: Melhoramento Genético

Atividades do Programa de Melhoramento Genético da raça Nelore na Fazenda Vale do Boi

Quando dizer adeus aos touros

Com o fim da estação de monta, é aconselhável que os touros sigam para um pasto próprio, para um merecido descanso. “Se trabalharam bem na fase de acasalamento, estarão com condições corporais demandando cuidados e merecerão mesmo alguma suplementação alimentar”, comenta o pesquisador da área de Genética Aplicada da Embrapa Gado de Corte Antônio do Nascimento Rosa.

Rosa salienta, porém, que logo após a recuperação eles devem ser avaliados. De acordo com o resultado dos exames, se comprovada alguma deficiência, devem ser substituídos no rebanho o mais rapidamente possível. A idéia é que isto seja feito cedo para aproveitar a maior facilidade de venda para animais jovens. “Para reprodução, quanto mais novo um touro, mais fácil de ser vendido ou trocado; para abate, quanto mais velho, mais difícil será conseguir um bom acabamento de carcaça”, justifica o técnico. Além disso, a rapidez no descarte evitará que se trate do animal, durante meses, para eliminá-lo nas proximidades da nova estação de monta.

Rosa elenca os quesitos a se levar em conta na avaliação dos reprodutores: libido, fertilidade, condição dos aprumos dianteiros e traseiros, conformação frigorífica e valor genético, ou seja, a capacidade de transmitir suas características à progênie.

A idade para substituição dos touros também é quesito importante, pois se evita que venham a cobrir as próprias filhas. Um animal de qualidade comprovada deve ser mantido na propriedade, porém, o criador deve tomar os devidos cuidados para evitar acasalamentos consangüíneos.

Na Fazenda Vale do Boi, em Araguaína, TO, o pecuarista Epaminondas de Andrade mantém os reprodutores, em média, por dois anos no plantel. Diz que o procedimento facilita a comercialização. Estão excluídos da regra os touros que, após esse período, geraram progênies comprovadamente superiores às de suas contemporâneas. Sobretudo no que se refere à produção de matrizes boas criadeiras. “Claro que avaliamos a performance do touro durante a monta e sua condição corporal, mas não dá pra avaliar somente no olho. Após o serviço, selecionamos nossos reprodutores em função de seu valor genético, com ênfase em habilidade materna”, explica o criador. E confirma que o procedimento acontece logo após o término da estação.

A reportagem “Quando dizer adeus aos touros” foi escrita pelo repórter Gualberto Vita para a Revista DBO, em abril de 2006
http://www.portaldbo.com.br/noticias/DetalheNoticia.aspx?notid=34895

O real valor genético do zebu selecionado

Revista ABCZ Mar/Abr 2006

A Vale do Boi tem o rebanho nelore com maior número de CEPs PLATINA.

Tempo Técnico

O real valor genético do zebu selecionado

Na seleção, conhecer o real valor genético dos animais é essencial. Entre o valor genético real dos indivíduos e nossa avaliação, se interpõem camadas e camadas de elementos que desviam nossa atenção. Todos os esforços para remover essas camadas que falseiam nossas decisões são dignos de louvor. Em geral, eles demandam tempo e dinheiro, e aqueles que travam essa batalha merecem todo crédito. Neste espaço, desta edição, gostaria de apresentar algumas informações sobre o PMGZ – Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos, trabalho que é conduzido pela equipe da Superintendência de Melhoramento Genético – SMG, com muita dedicação. É um conjunto pequeno de informações dada a dimensão real do programa, mas é válida sua divulgação. A proposta é mantê-la atualizada a cada edição da nossa revista.

Seu rebanho é especial?
Sabia que em seu rebanho podem existir animais especiais?
Animal com CEP (Certificado Especial de Produção) é animal especial, pois a ABCZ atesta sua superioridade genética e fenotípica.
Baseado nas Avaliações Genéticas ABCZ – Embrapa/CNPGC, os animais participantes do PMGZ são avaliados e determina-se seu IQG – Índice de Qualificação Genética.
Este IQG apresenta a seguinte ponderação:

IQG = 10% PM-EM + 15% PD-ED + 20% TMD + 30%PS + 10% IPP + 10% I2P + 5% PES

Onde:
PM- EM: DEP para efeito materno sobre o peso aos 120 dias (kg);
PD-ED: DEP para peso aos 240 dias (kg), efeito direto;
TMD: DEP para total materno sobre o peso a desmama (kg);
PS: DEP para peso ao sobre ano (kg);
IPP: Idade ao primeiro parto (dias) ;
I2P:DEP para intervalo entre o primeiro e segundo parto (dias);
PES: DEP para perímetro escrotal ao sobre ano (cm).

Os 8% melhores animais PO baseados neste índice (IQG) e nascidos na safra avaliada, são pré-candidatos ao CEP, portanto devem ser avaliados fenotipicamente por um técnico da ABCZ.
Assim, o intuito do CEP é identificar e disponibilizar ao mercado animais com genética superior e biotipo adequado à produção.

O CEP está dividido em quatro categorias:

CEP Platina: animais entre os 0,5% melhores IQG
CEP Ouro: animais entre os 2% melhores IQG
CEP Prata: animais entre os 5% melhores IQG
CEP Bronze: animais entre os 8% melhores IQG

Prova de ganho em peso

Por sua fácil execução e alta eficiência técnica, seja ela realizada a pasto ou confinada, a PGP – Prova de Ganho em Peso, é uma das provas zootécnicas que mais vem crescendo dentro do PMGZ. Conheça as PGP´s que encerraram e as que iniciaram em 2006:

Luiz Antonio Josahkian é superintendente-técnico da ABCZ.

http://www.abcz.org.br/site/produtos/revista/index.php?cb_mes=03&cb_ano=2006&idrevista=31

PMGZ: a sigla do melhoramento genético

Revista ABCZ Nov/Dez 2005

Programa da ABCZ caracteriza a genética do zebu; banco de dados é o maior do mundo.

Epaminondas de Andrade ainda era um principiante na lida com a pecuária, em meados da década de 1970, quando já se preocupava em responder à pergunta: como se fazer o melhoramento genético de zebuínos? “Naquela época, um amigo criador, bem mais antigo do que eu, e com mais experiência, me disse que, se para selecionar gado PO, tivesse que fazer o Ponderal, ele preferia parar de criar. Fiquei assustado, surpreso”, lembra o pecuarista ao recordar-se das provas iniciais de ganho em peso da ABCZ, em 1968.

Atuante na região Norte do Brasil, Epaminondas disse notar que, a exemplo do passado, muitos criadores da atualidade ainda não se atentaram para o valor dos programas de melhoramento genético como ferramenta de trabalho. “Existe, e prevalece, a cultura antiga do olho, da pessoa que utiliza o touro registrado, grande e bonito, com um grupo de vacas registradas, e que acredita estar fazendo seleção”, disse o criador, proprietário da fazenda Vale do Boi, no município de Carmolândia, no Estado de Tocantins.

Na sua propriedade, o selecionador de gado nelore sempre registrou – outrora no papel, hoje no computador – todas as informações de seu rebanho, até mesmo dos animais cara limpa. “É o que chamamos atualmente de valor agregado”, ressaltou, ao comentar que traz consigo esse conceito a partir de sua experiência como administrador de empresas. “Sabemos a habilidade materna de cada vaca da fazenda, inclusive, do rebanho comercial”, disse Ricardo José de Andrade, filho do criador.

Pioneiro na utilização do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), Epaminondas de Andrade afirma que custos, receitas e índices de produtividade são termos incorporados ao seu negócio desde o início de sua atividade como pecuarista. “O rebanho evolui com mensuração”.

A ótica de trabalho do criador mineiro radicado no Tocantins rendeu dois pontos importantes em seu empreendimento. O primeiro deles é que, mesmo sem participar de pistas de julgamento, a genética da Vale do Boi está presente nos reprodutores que lideram o Sumário de Touros ABCZ/Embrapa; em segundo lugar, animais nascidos e criados na fazenda consagraram-se campeões em dois abates técnicos, na categoria Lote de Carcaça, realizados pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), em Tocantins.

“O PMGZ permite com bastante precisão, baseado em critérios técnicos, identificar os melhores animais do rebanho, e direcionar cada grupo e característica dos mesmos de acordo com o mercado específico que o produtor quer atingir. São várias as características observadas pelo Programa, que busca atender as mais variadas demandas da pecuária”, afirmou Nelson Pineda, diretor Técnico da ABCZ.

“Seleção não é descartar um animal que nasce mancando de uma perna. Não é tão simples assim”, emendou Epaminondas de Andrade, ao se declarar um aprendiz de genética com base na teoria da “ervilha de Mendel”, e assumir que ocorreram diversas mudanças na área científica nesses seus mais de 30 anos como pecuarista. “Alguém pode até dizer que alcança algum avanço genético sem programa de melhoramento, mas é um avanço irrelevante para a pecuária atual”, afirmou.

Ciência

Com o mundo cada vez mais conectado entre si, a influência direta da economia global no destino do setor produtivo é ainda maior; tendência que leva à equação: aumento de produtividade versus redução de custos. “Incorporar tecnologia é fundamental para que os pecuaristas aumentem o ganho na seleção de seus rebanhos”, salienta Carlos Henrique Cavallari Machado, superintendente técnico-Adjunto da ABCZ.

Segundo ele, a pressão diária do mercado cobra maior eficiência dos criadores e, conseqüentemente, mais perspicácia no processo de produção. “O PMGZ identifica os melhores animais com maior probabilidade de acerto. Com isso, o ganho genético é mais acelerado. Aumenta-se os genes favoráveis no rebanho e diminui-se os não desejáveis”, explica o diretor Pineda, que vê nas estimativas de valores genéticos (VG) uma das grandes ferramentas geradas pelo PMGZ ao selecionador.

O ganho genético a que Pineda se refere foi o que o gerente da fazenda Morada da Prata, Fernando Garcia de Carvalho, objetivou para o plantel tabapuã da propriedade quando adotou o PMGZ. Na época, Carvalho era diretor técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Tabapuã (ABCT) e foi encarregado, também, de escolher qual o programa que seria adotado para raça com a oficialização da sua entidade.

“A base de dados do PMGZ é uma das suas grandes vantagens. Podemos comparar a tabapuã com outras raças zebuínas”, comentou o gerente da Morada da Prata, fazenda que completa sua 28ª Prova de Ganho em Peso, pela ABCZ. Atualmente, cerca de 25% dos animais tabapuã avaliados pelo PMGZ são pertencentes à Morada da Prata – a propriedade, localizada próxima à Batatais (SP), comporta 1.200 animais no total, sendo 500 deles matrizes.

“Existem clientes que querem animais com valor agregado. Os criadores geralmente são bons na seleção do ‘olho’, mas o PMGZ não faz seleção e, sim, melhoramento genético”, afirmou Fernando Carvalho, que há 13 anos atua na fazenda do interior paulista. Segundo ele, é importante o criador aliar o PMGZ ao Procan +, bem como incentivar e participar dos dias de campo promovidos pela ABCZ.

Carne e leite

O capixaba Carlos Fernando Fontenelle Dumans divide seu tempo entre o petróleo e a pecuária, mais precisamente com o guzerá NF. Engenheiro, Carlos Fernando trabalha na Petrobrás e ajuda a administrar a fazenda Fontenelle, localizada em Baixo Guandu (ES). Segundo ele, os animais da propriedade são todos provados em conformidade com os regulamentos das Provas de Leite da ABCZ. “Nos três currais da fazenda, uma vez por mês, é feita a pesagem oficial do leite por técnico da ABCZ para registro da produção leiteira”, comentou.

Adepta ao PMGZ, a marca NF tem sido destaque no Concurso Leiteiro da ExpoZebu desde 1992 quando atingiu produções como a das fêmeas Alvura NF (Reservada Grande Campeã), com 25 kg de leite/dia, sem ajustes, e Traíra NF (Campeã Vaca Adulta), com 31 kg/dia, ajustados para 4% MG.

Para reforçar o potencial de produção leiteira da raça guzerá, Carlos Fernando evidencia outros criatórios e cita como exemplo a quebra de recorde mundial do Concurso Leiteiro da ExpoZebu 2005, onde a fêmea Nagoia Taboquinha, registrou a maior produção de leite em torneios públicos da raça, com a produção média de 37,100 Kg/dia.

“Programas como o PMGZ são peças importantes para a seleção. Dão ao criador condição de verificar informações que vão servir para avaliar com maior eficiência as possibilidades de melhoramento genético do rebanho. É preciso dispor dessas informações para se melhorar a produtividade. Sem esse tipo de programa é muito mais complicado trabalhar com seleção”, reforçou Haroldo Fontenelle, que é tio de Carlos Fernando, proprietário da marca NF e ex-integrante do Conselho e do Colégio de Jurados da ABCZ.

Ambos acreditam que o gado guzerá desempenha bem a função de produzir carne e leite. Embora, o trabalho de reconhecer na seleção a dupla aptidão, segundo Carlos Fernando, não seja fácil. “É um desafio que programas como o PMGZ têm que superar”, sugeriu o engenheiro, “pois melhorar geneticamente o guzerá é um desafio permanente”, emendou.
Roberto Franco, criador de guzerá em Sales de Oliveira (SP) e Jussara (GO), reforça a tese de que o uso de um programa de melhoramento é peça indispensável para se fazer genética. “A base de dados da ABCZ é muito rica e as informações muito detalhadas. Isso nos dá tranqüilidade ao realizarmos a seleção dos animais da propriedade. É importante ter parâmetros detalhados quando se quer resultados eficientes e comprovados”, ressaltou.

Para Roberto Franco, que utiliza o PMGZ desde o seu lançamento, o programa tem evoluído muito, pois, atualmente, o criador tem acesso aos dados com maior facilidade. “É preciso saber como cruzar ou acasalar os animais para não correr o risco de descaracterizar o potencial do produto. E não adianta querer cruzar sem saber o que se está fazendo porque pode-se descaracterizar até a raça pura com isso”, alertou.

É para esse ponto que o diretor Técnico da ABCZ, Nelson Pineda, chama atenção, esclarecendo que as estimativas das DEPs em gado de corte e as PTAs em gado de leite, que correspondem a metade do VG, são o indicativos da probabilidade de um animal transmitir as suas qualidades a outro exemplar. “Participar do PMGZ, por si só, não significa que haverá progresso genético do plantel. Os dados utilizados e os reprodutores e matrizes eleitos são fundamentais no resultado”, recomendou Pineda. Segundo ele, uma coleta de dados sem precisão, e seriedade, é inválida e altamente prejudicial.

Importância do PMGZ

É o maior arquivo do mundo no que diz respeito a dados técnicos de bovinos. “Incialmente, o controle desses animais restringia-se a avaliações de características de padrão, como o tamanho das orelhas na raça indubrasil, nas primeiras décadas do século XX”, lembrou o presidente da ABCZ, Orestes Prata Tibery Júnior.

Percebendo a necessidade de ampliar as características avaliadas no zebu, a ABCZ iniciou, em 1968, as suas provas zootécnicas com a implantação do Controle de Desenvolvimento Ponderal (CDP), que trabalhou com medidas de quantidade, como os pesos em diferentes idades – através das Provas de Ganho em Peso (PGP). Naquela época, foram inscritos 996 animais, 448 machos e 548 fêmeas, sendo 531 da raça gir, 98 guzerá, 117 indubrasil e 250 nelore. No ano passado, a entidade contabilizou 142.279 animais inscritos no CDP, sendo 72.684 machos e 69.595 fêmeas.

Ao longo dos anos, a avaliação dos animais passou a levar em consideração características de valor econômico da produção, com vistas nos aspectos ambientais e sociais, o que incorporou ao PMGZ uma série de dados como a relação ossos/músculos, maciez e percentual de gordura na carne, fertilidade, resistência, avaliações de tipo (método EPMURAS) e outros. “Essa evolução do Programa demonstra o quanto nos preocupamos em atingir nosso objetivo, que é o de oferecer uma ferramenta ao criador que o auxilie na busca de um retorno econômico, aliado com maior contribuição social e menor impacto ambiental”, disse o superintendente Técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian.

Nova Fase

Há 26 anos, a Embrapa Gado de Corte é parceira da ABCZ, junto com o MAPA, na elaboração dos sumários de touros das raças zebuínas. O propósito dessa iniciativa foi disponibilizar, para as fazendas participantes do CDP, as avaliações de suas matrizes e animais jovens (machos e fêmeas). “Agora, evoluímos nessa parceria”, disse Luiz Otávio Campos da Silva, responsável pela equipe de melhoramento animal da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS).

Segundo ele, ABCZ e Embrapa vão trabalhar em conjunto no sentido de “unir” as informações disponíveis nos sumários de touros existentes no mercado. “A idéia é que, desta forma, além de ser oportunizado maior entendimento dos resultados das avaliações genéticas que aparecem nos sumários, haja um entendimento do processo do melhoramento como um todo”, reforçou Luiz Otávio.

De acordo com o especialista da Embrapa, o trabalho, entendido como uma prestação de serviço, será baseado na sinergia entre o corpo técnico da ABCZ e o corpo de gerência e manejo das fazendas, podendo se dar de forma isolada ou agrupada. “Esta união viabilizará a melhoria de todo o processo que se estende desde a definição dos objetivos, passando pela eleição do conjunto de características a serem trabalhadas, coleta dos dados, seguindo até a utilização das informações geradas, assim como na aplicação de critérios de seleção”, informou Luiz Otávio.
A maior otimização do Programa entusiasmou ainda mais o pecuarista Epaminondas de Andrade, que fez uma ressalva sobre a evolução das avaliações técnicas da ABCZ: “Hoje, aquele meu amigo que era resistente ao Ponderal, utiliza o PMGZ”.

Box 01
Passos para instalação de um programa de melhoramento genético
• Identificar todos os animais com numeração única e permanente;
• Definir o número de matrizes do rebanho;
• Definir o número de touros necessários;
• Definir os critérios de seleção a serem adotados, consoantes com as tendências e exigências do mercado;
• Estabelecer uma estação de monta, sendo sugerido a de 90 dias ou menos;
• Introduzir, quando necessário, variabilidade genética, evitando consangüinidade inicial;
• É ideal que se descarte as vacas e novilhas vazias, sendo outra opção o descarte das vacas que falharem duas vezes em três anos ou ainda, implacavelmente, as que falharem por dois anos consecutivos;
• Avaliar o desempenho de todos os animais nascidos, mesmo que portadores de defeitos;
Subdividir o rebanho em categoria de sexo e idade para facilitar o manejo;
• Manter sempre os animais até o momento da seleção em grupos de contemporâneos;
• Usar a balança para medir;
• Subdividir as pastagens para receber os lotes de acasalamento, maternidade e desmama;
• Proceder a uma desmama organizada;
• Criar índices próprios de seleção, atendendo demandas genéticas específicas;
• Cuidar para reduzir o intervalo entre gerações, usando touros e vacas jovens na reprodução e substituindo, sempre que possível, as vacas mais velhas por novilhas melhoradas;
• Selecionar os animais pelo desempenho individual, procurando sempre conciliar os maiores diferenciais de seleção (no caso de seleção para peso, kg acima da média do grupo de contemporâneos) com outros critérios de seleção;
• Não usar somente touros aparentados entre si na reprodução, evitando dessa forma consangüinidade em níveis prejudiciais;

Box 02
Vantagens do PMGZ
• Melhora a fertilidade do rebanho
• Evidencia os animais, mais precoces
• Melhora os índices de ganho de peso
• Diminui o intervalo entre gerações
• Coloca à venda animais testados, agregando valor aos mesmos
• Proporciona aos criadores produzirem animais prontos para abate mais jovens

Box 03
Controle Leiteiro
O criador que deseja iniciar o controle leiteiro em seu rebanho deverá entrar em contato com a ABCZ, através de nossos escritórios ou filiadas. Há também o sistema de credenciamento de controladores, que permite ao criador indicar técnicos de sua região para executar os controles mensais na propriedade, reduzindo em grande parte os custos do processo.
São requisitos básicos para iniciar o controle leiteiro em uma propriedade:
• Toda matriz deve possuir identificação (RGN ou RGD)
• A matriz deve estar com no máximo, 75 dias de parida no primeiro controle
• O primeiro controle deve ser feito após o 5º dia de parição
• O intervalo entre controles deve ser no mínimo 15 e no máximo 45 dias

Ao final de toda a lactação com mais de três controles, é emitido pela ABCZ o Certificado de Produção em Controle Leiteiro Oficial. Nesse relatório são demonstrados todos os controles realizados, o que permite apresentar um gráfico onde podem ser visualizadas a curva e a persistência da lactacão. É demonstrada também a produção de leite em até 305 dias e produção de leite em até 365 dias de lactação.

http://www.abcz.org.br/site/produtos/revista/index.php?cb_mes=11&cb_ano=2005&idrevista=29

Um novo polo de pecuária no norte

O Pará tem atraído pecuaristas de várias regiões do Brasil e hoje possui o quarto maior rebanho bovino do País, estimado em 15 milhões de cabeças, concentradas principalmente no sul e sudeste do Estado, com 9 milhões de animais. “O Pará é um grande banco de genética. Entre todos os Estados é o que mais tem investido”, garante o pecuarista Marco Marcelino de Oliveira, do Grupo Campo de Boi. “Cerca de 60% dos animais ofertados nos grandes leilões de Uberaba (MG) são comprados por criadores do Pará”, diz o criador. Só para ilustrar, ele informa que animais da Fazenda Cedro, pertencente a Benedito Mutran, e da Fazenda Arataú, do Grupo Queiroz Galvão, ambas no Pará, venceram os três últimos grandes campeonatos da ExpoZebu. “Nas fêmeas, o resultado tem sido extraordinário, tanto no nelore-padrão como no mocho.”

Há 40 anos, Marcelino de Oliveira saiu da Paraíba e desembarcou no Pará com o propósito de fundar a divisão agropecuária de uma multinacional da área veterinária. “Cheguei, gostei, fiquei, casei e comprei fazenda e gado”, conta. Gostou tanto que atualmente possui 10 mil animais, sendo 1.700 matrizes registradas. Dessas, 276 doadoras. Os animais de corte são criados em pastagens de braquiarão e quicuio e os produtos de genética são confinados.

“A elite da pecuária nacional tem fazenda no sul do Pará”, afirma o paulista de Guará Cesar Luiz Rodrigues de Freitas, dono do Frigo Class, com duas unidades, uma em Marabá (PA) e outra em Promissão (SP) – o antigo Frigo Dias, recém-inaugurado –, ambas liberadas para exportação.

Segundo o paulista José Francisco Diamantino, o rebanho paraense é muito bom e está crescendo em qualidade e quantidade. “Os pecuaristas da região são todos competentes e tradicionais”, diz. “São, na sua maioria, de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, trabalham muito bem a questão de sanidade e procuram a precocidade dos animais.” Nesse aspecto, ele diz que, há cinco anos, o Estado era classificado como de “risco desconhecido” pelo Ministério da Agricultura, em relação ao controle da febre aftosa. Com um trabalho persistente dos produtores e apoio do governo, o Estado evoluiu, passando para alto e médio riscos. “Esperamos, este ano, alcançar o status de livre de aftosa, com vacinação.”

Diamantino usa tecnologia de ponta: inseminação artificial, transferência de embriões, acasalamentos dirigidos e fecundação in vitro. Ainda novo, saiu de São Paulo, com os pais, para o Paraná. “Soubemos que o Incra estava abrindo a Transamazônica e estava doando lotes pequenos e vendendo lotes maiores, por meio de licitação”, conta. “Compramos as primeiras terras em Altamira e iniciamos a criação de gado há dez anos.” Depois, montaram uma concessionária de automóveis em Marabá. Foram crescendo, aumentando as terras e adquirindo tecnologia. “Copiamos o modelo de Benedito Mutran, um fazendeiro da região, pioneiro em embriões e acasalamento”, diz. Contrataram técnicos da região e especialistas em melhoramento genético, entre eles o veterinário Maurício Teixeira. Depois incorporaram à equipe um especialista em reprodução animal, Joaquim Correia, que a cada 30 dias visita a fazenda e hoje faz a parte de transferência de embriões. Na mesma visita ele dá assistência a mais dois criatórios: o de Benedito Mutran e o da Fazenda Arataú.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, coordenador do Núcleo da Embrapa em Marabá (PA), Raimundo Nonato Brabo Alves, na região predomina a pecuária extensiva, basicamente com o gado nelore. “Em genética a região está bastante avançada, os pecuaristas estão na frente”, observa. “Tanto que hoje as pesquisas estão voltadas para o melhoramento e a diversificação de pastagens.” Predomina na região o pasto de capim quicuio, do gênero braquiária, principalmente o braquiarão. Mas já estão ocorrendo problemas, como morte de pastos de braquiarão, por causa da falta de fertilização.

Alves afirma que, segundo estimativas, a Amazônia Legal tem 1 milhão de hectares de pastagens degradadas e, por isso, há três anos, o foco dos trabalhos da unidade voltou-se para a integração pecuária-agricultura, visando a elevar a produtividade da pecuária com o plantio de grãos. Como vantagens do sistema, o pesquisador cita a recuperação das pastagens degradadas por meio da fertilização do solo, o aumento da capacidade de lotação e da produção de carne por área. No aspecto econômico, um dos benefícios apontados por Alves é a estabilidade econômica, com o crescimento da pecuária de corte e de leite e a produção de soja, milho, arroz, feijão e sorgo. Em termos ambientais, Alves explica que o sistema ajuda a reduzir a pressão sobre as florestas, aumentando a produtividade pecuária nas áreas nas quais já existe a atividade.

Os pecuaristas do Estado vendem boi em pé para o mercado regional e Nordeste. Já os frigoríficos comercializam carne na região e enviam carne desossada para São Paulo. Levando em conta a localização do Estado em relação aos mercados europeu e americano, os pecuaristas estão apostando na queda das barreiras sanitárias, em breve.

Segundo Roque Quagliato, do Grupo Irmãos Quagliato, que possui várias fazendas na região, o problema das barreiras continua sendo um entrave para as exportações. Ele conta, porém, que, em maio deste ano, dez criadores conseguiram liberar a exportação de 2 mil nelores cruzados vivos para o Líbano, uma negociação encabeçada pelo Frigorífico Minerva, de Barretos (SP). Ele enviou 308 animais do seu rebanho. “O gado foi embarcado no Porto de Barcarena, vizinho a Belém (PA), e seguiu viagem por 21 dias até o destino”, informa, acrescentando que os animais foram transportados em caminhões pela Rodovia PA-150 “Estamos realizando estudos sobre a logística de transporte, pois comprador para nosso gado existe.”

Freitas, dono do Frigo Class, considera a carne paraense de boa qualidade e macia. Ele abate, em média, 800 bois por dia na unidade de Marabá e 300 bois por dia em Promissão. A carne dos animais abatidos pelo seu frigorífico é distribuída nas grandes capitais: Recife, Fortaleza, João Pessoa, Natal, São Paulo e Rio. Na região, explica, o boi vai para o abate aos 32 meses com 18 arrobas, em média. As vísceras brancas (bucho, testículos, aorta) são enviadas para a China, e o dianteiro, para o Oriente Médio. Já o couro cru é vendido em Redenção para a Bracol, empresa do Grupo Bertin. “O couro é curtido no Pará, de onde é exportado para a Itália, pelo Bertin.” Freitas também cria gado na região, onde possui seis fazendas, na região de Redenção, no total de 38 mil hectares e 30 mil cabeças de nelore comercial.

O médico veterinário de Mococa (SP) Fernando Galvani deixou São Paulo, em 1995, para prestar assistência às fazendas de gado do Tocantins.

Vislumbrando o potencial do agronegócio no Pará, em outubro de 2002 ele montou em Marabá (PA) uma empresa de consultoria e prestação de serviços ao agronegócio, especialmente na área veterinária e de alimentos. “No Pará tem tudo o que um pecuarista quer: terra barata, índice de chuvas ideal e capim espetacular”, enumera. “Quem quer crescer, ganhar dinheiro e buscar novas oportunidades, vem para cá.”

Galvani conta que decidiu ir para o Pará depois de ser contratado para dar assessoria à Agropecuária Corona, de Amílcar Yamin, que tem um criatório na região. Hoje, a sua empresa, a Vet Plus, atende a criadores de peso na pecuária nacional. Um deles é o Grupo Revemar, de nelore, de José Francisco Diamantino. Outro é José Coelho Vitor, o “Cabo Verde”, de Passos (MG), da Fazenda Santa Lúcia, em Xingura (PA), onde cria tabapuã, gir e nelore. “É o maior tirador de leite B de gado cruzado do Brasil”, diz Galvani. Segundo explica Galvani, o gir puro é cruzado com o holandês, no Pará. “Esse cruzamento dá boas girolandas que são vendidas pelo criador, em Passos.”

Galvani também orienta produtores de genética, como a Fazenda Caracol, de Tharley Elvecio Alves, com um rebanho de nelore puro, que passa por avaliação genética em Redenção (PA) e participa do Programa de Melhoramento do Nelore, coordenado pelo professor Raizildo Lobo, da USP de Ribeirão Preto (SP). Outro produtor de genética nelore é a Fazenda Vale do Boi, de Epaminondas de Andrade. “É uma das que usam mais tecnologia na região”, diz Galvani, que acrescenta: “Faz ponderal há três anos na Associação Brasileira de Criadores de Zebu.”

(Estadão/SP) – Quarta feira, 16 de julho de 2003
Notícia adaptada pela equipe do Boletim Agropecuário

http://www.boletimpecuario.com.br/noticias/noticia.php?noticia=not3070.boletimpecuario&tudo=sim

Tocantins agora tem mais um ETR

Revista ABCZ – Ano 2 – Nº11 – Novembro – Dezembro/2002

Araguaína abriga uma das mais novas “casas” do zebu brasileiro. Com a inauguração do escritório da ABCZ na cidade, mais agilidade no atendimento

O rebanho bovino brasileiro ultrapassou, no ano passado, as 164 milhões de cabeças. Só no estado do Tocantins, o número de animais passou a marca de 5,6 milhões. Desse total, 4,748 milhões foram destinados ao abate, o que rendeu ao estado mais de 200 mil toneladas equivalente carcaça no ano passado. Por causa dessa capacidade crescente de produção, a cada ano o investimento dos pecuaristas da região no tocante à seleção de seu gado aumenta consideravelmente.

Para impulsionar ainda mais o potencial produtivo da região, a ABCZ inaugurou no dia 11 de outubro na cidade de Araguaína, o segundo escritório técnico no estado. O outro está instalado na capital, Palmas, que, em 2001, teve um aumento de mais de 108% em registros genealógicos definitivos. No total foram 24.223 registros de zebuínos efetuados, englobando-se os de nascimento e os definitivos.

A idéia da implantação de outro ETR, agora na cidade de Araguaína, surgiu a partir de um pedido feito pelo presidente do Sindicato Rural da cidade, Ângelo Marzola, e pelo pecuarista Epaminondas de Andrade ao diretor da ABCZ João Machado Prata Júnior. Na época, João Machado participava de um dia de campo na fazenda Vale do Boi, de propriedade de Epaminondas e representava o então presidente da ABCZ Rômulo Kardec de Camargos, durante uma exposição realizada há três anos na cidade.

O escritório, que era uma reivindicação dos criadores da região, hoje é uma realidade muito bem vinda, uma vez que a pecuária no Tocantins está em franco crescimento e a região de Araguaína possui cerca de 60% do rebanho bovino do estado.

Hoje a ABCZ possui 23 escritórios técnicos regionais que cuidam de cada pedacinho do Brasil onde se desenvolve a pecuária. Para o diretor da ABCZ João Machado Prata Júnior a iniciativa tem como objetivo justamente dar um suporte técnico ainda mais rápido aos criadores de zebu do Tocantins. “Estamos interligando todos os escritórios e expandindo o atendimento. A idéia é garantir cada vez mais interatividade e maior contato com a sede”, explica.

A solenidade de inauguração do ETR contou com presenças ilustres como o secretário de Estado da Agricultura do Tocantins Nasser Yunes e o presidente do Sindicato Rural de Araguaína Ângelo Crema Marzola Júnior. Para o secretário Nasser Yunes, a iniciativa da ABCZ traduz a confiança da entidade na capacidade produtiva de seu estado. “Esse trabalho importante, desenvolvido pela ABCZ, não é apenas um suporte para dar agilidade aos negócios de nossos pecuaristas. É também uma forma de incentivo para o aumento de nossos investimentos nesse setor, que tanto tem contribuído para a rentabilidade econômica de nosso país”, disse. Yunes lembrou, também, de uma de suas iniciativas quando foi presidente do Sindicato Rural de Araguaína: a realização da primeira exposição ranqueada de nelore no estado.

Em seu discurso, o representante da ABCZ e empresário do ramo de leilões Eduardo Gomes enfa-tizou o empenho dos diretores da entidade João Machado Prata Júnior e Marco Túlio Andrade Barbosa, do membro do Conselho Consultivo da ABCZ em Tocantins Aloísio Borges Júnior e da pecuarista Virgínia Borges Adriano para a consolidação do escritório em Araguaína. Os diretores da ABCZ não puderam participar da inauguração do ETR devido a problemas técnicos durante o embarque no aeroporto de São Paulo.

http://www.abcz.org.br/site/produtos/revista/11/index.php3

Ícone do Boi Verde

Gazeta Mercantil Balanço Tocantins Set 2001

Tradicionais fazendeiros viram executivos da pecuária. Caso de Epaminondas de Andrade, 70 anos, pioneiro no melhoramento genético do rabanho nelore e correção de solos para pastagens. Ele acaba de vender a célebre fazenda Vale do Boi, mas a marca fica com a família.

O que muda no negócio do boi

Entra a tecnologia de ponta e atrás dela chegam as modernas técnicas de administração

A adoção de tecnologias modernas – como a seleção genética e a reprodução assistida – está mudando a cara da pecuária tocantinense. Nessa metamorfose, o negócio da criação de gado, como um todo, também se atualiza via adoção de técnicas administrativas voltadas para a qualidade total. Os fazendeiros de antes são chamados agora de executivos pecuaristas, responsáveis, em parte, pelo atual estouro da “boiada verde”.

De fato, o rebanho estadual de bois criados a pasto, o chamado “boi verde”, está aumentando à razão de 600 mil cabeças por ano. O crescimento em 2001 é equivalente a 10.7%, se comparado com o mesmo período do ano passado. O outro fator responsável pela expansão, porém, é a perspectiva de ganhar o mercado externo.

Ainda que a recente conquista do certificado da Organização Internacional de Epizootias (OIE), de área livre de febre aftosa com vacinação, não tenha aberto automaticamente as portas para o mundo, serviu de motivação para a melhoria na qualidade do rebanho. E representou um grande alento para a indústria frigorífica.

Um caso ilustrativo das novas tendências é o do criador Epaminondas de Andrade, de 70 anos, um genuíno executivo da pecuária. Há 18 anos e meio na fazenda Vale do Boi, em Carmolândia, na região de Araguaína, ele é o pioneiro na adoção de práticas de melhoramento genético, inseminação artificial, correção de solos para pastagens e controle informatizado de todos os procedimentos das propriedades. “Com mais cindo a sete anos, Tocantins vai assumir a primeira posição na pecuária de corte do País”, diz.

Andrade cita um conjunto de fatores – condições de clima, solos, expansão da fronteira agrícola e preço da terra – como elementos indutores da melhoria de qualidade na pecuária de corte. Ele lembra que os Estados do Sudeste – ao contrário de Tocantins – estão em fase de redução do plantel, e as terras migram para a pecuária leiteira e agricultura. “Um quilo de soja tem produção mais barata do que um quilo de carne, e ambos são commodities, com a diferença que a soja é mais fácil de transportar a longas distâncias.”

Segundo ele, as terras caras do Tocantins estão cotadas a R$ 1,5 mil o hectare, justamente na região de pecuária de corte mais desenvolvida. “Soma-se a esse preço compensador o menor custo de aprendizagem do pecuarista tocantinense, que hoje tem acesso a quase toda a base de tecnologia do campo, tanto em produtos como em procedimentos.”

A última prova de ganho de peso a pasto, realizada na Vale do Boi, confirma que as expectativas de Andrade não são infundadas. Na ocasião, pecuaristas de diversas localidades do Estado deixaram seus animais, de diferentes linhagens, alimentando-se em condições idênticas e o ganho médio diário de peso nos bois foi de 850g. Ele esclarece, contudo, que o desempenho não é uma decorrência pura e simples da genética apurada, mas sobretudo das boas condições ambientais e da qualidade do pasto. “Conseguimos chegar a resultados idênticos ao dos criadores de bois em confinamento, com até 1 kg de ganho diário em alguns animais, e sabemos que com mais tecnologia e nutrição adequada isto pode melhorar mais ainda”, anima-se Andrade.