Arquivo da categoria: Manejo

Práticas de manejo do rebanho Nelore e pastagens na Fazenda Vale do Boi

Em 10 meses de recria, projeto “Zebu, carne de qualidade” alcança marca de 38,22 arrobas por hectare

O projeto tem como objetivo avaliar o potencial da raça Nelore quanto ao desempenho técnico, econômico e de qualidade da carne dentro de um sistema de produção eficiente

Na conclusão de mais uma etapa do projeto “Zebu, carne de qualidade”, desenvolvido pela Premix em parceria com a ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), os resultados novamente superaram as expectativas, pela qualidade genética dos animais e, principalmente, pelos protocolos de suplementação utilizados. Na fase de recria, nos períodos de seca e águas, foram produzidas 38,22 arrobas por hectare, em 10 meses.

Adobo VBV da Vale: classificação superior com IPGP 106,2 na PGP a pasto do programa Zebu: Carne de Qualidade.
Adobo VBV da Vale: classificação superior com IPGP 106,2 na PGP a pasto do programa Zebu: Carne de Qualidade.

O experimento foi realizado em sistema de pastagem na Fazenda Experimental da ABCZ – Orestes Prata Tibery Júnior, localizada no município de Uberaba (MG), com um lote de 105 bezerros, com idade média de 8 meses e 246 kg de peso médio, doados por criadores de 11 estados brasileiros.

O projeto tem como objetivo avaliar o potencial da raça Nelore quanto ao desempenho técnico, econômico e de qualidade da carne dentro de um sistema de produção eficiente, cuja premissa é a sustentabilidade. O trabalho é desenvolvido em três etapas: pastagem, confinamento e abate técnico.

Na etapa de suplementação a pasto, no período de seca, encerrada no final de outubro de 2020, os animais foram suplementados durante 140 dias com o proteico energético PSAI Seca com Fator P, aditivo 100% natural da Premix, via Protocolo R30. O resultado foi um aumento do peso médio corporal de 246 kg para 340 kg, evolução corporal relativa ao peso inicial de 38,2%, acumulando 16,21 @/ha e ganho médio diário por animal de 667 gramas.

Já na fase das águas, seguindo o Protocolo R30, o rebanho foi suplementado com o PSAI Águas com o adtitivo Fator P. Como resultado, os animais alcançaram 424 kg de peso médio corporal, uma evolução de 178 kg (evolução relativa de 72,3%) desde o início do projeto, há 10 meses. No mesmo período, foram produzidas 38,22 arrobas por hectare, considerando a área utilizada para produção de silagem.

Os animais do projeto foram recriados no sistema de pastejo rotacionado, em área de 20,3 hectares dividida em 8 piquetes formados com capim Brachiaria brizantha cv. BRS Paiaguás. Nas áreas de pastagem estavam disponíveis 5 m² de sombra, além de praça de alimentação, cochos para suplementação e bebedouro.

Além da forragem oriunda da pastagem, no periodo de seca, os animais receberam silagem de milho (1% do peso corporal) para garantir a lotação por área e suplementação proteico energética feita com o PSAI Seca (0,5% do peso corporal). Durante o período das águas os bovinos tiveram acesso a pastagem e suplementação proteico energética PSAI Águas Com Fator P (0,4% do peso corporal).

De acordo com o pesquisador da EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) e membro da equipe técnica do projeto, Leonardo de Oliveira Fernandes, foi possível verificar o potencial genético dos animais através do ganho de peso médio nas avaliações. “Esse ganho proporcionou produção de 38,22@/ha, resultado fantástico, superando as médias de ganho anual verificados na pecuária brasileira. O resultado é fruto de uma genética adequada, da forrageira utilizada, do manejo de pastagens e da suplementação estratégica com produtos de qualidade da Premix”, salienta.

Para o gerente de Melhoramento Pró Genética da ABCZ, Lauro Fraga Almeida, o ganho médio de peso nos períodos de seca e águas também garantiu uma previsibilidade por conta da genética de qualidade, da mineralização e da boa alimentação. “Com tudo isso, foi possível prever o potencial de ganho e ter segurança no investimento. O Protocolo R30 nos permitiu prever o que queríamos e alcançamos este objetivo, uma vez que vamos abater esses animais entre 21 e 22 meses com 22 arrobas de peso de carcaça. Essa é a grande vitória que teremos no final”, ressalta.

André Pastori D’Aurea, coordenador de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovaçao (P,D&I) da Premix, destaca outro princípio importante do Protocolo R30: a utilização de unidades produtivas. “Cada uma dessas unidades representa um animal, sendo o foco de produção arrobas por hectare por ano. Assim, os ganhos por hectare são a consequência dos ganhos individuais somados”, comenta.

Segundo Lauriston Bertelli Fernandes, diretor de P,D&I da Premix, a finalidade do projeto foi recriar os animais para expressarem o máximo de seu potencial genético, imprimindo conformação e estrutura corporal, sendo o manejo nutricional o principal influenciador. “Com a variação na quantidade e qualidade das forragens ao longo do ano, as estratégias de suplementação são as principais ferramentas para influenciar nos índices produtivos e econômicos da propriedade”, explica.

Bertelli destaca ainda que o manejo de pasto é muito importante para o sucesso do Protocolo R30, sendo que a referência é a quantidade e a qualidade das folhas disponíveis. “Os bovinos consomem preferencialmente 2/3 iniciais da folha onde estão concentrados a maior parte dos nutrientes disponíveis. Desta forma, correção do solo, adubação nitrogenada e manejo de pasto são ferramentas fundamentais para início do protocolo de produção adensado”, finaliza.

No dia 17 de março, os animais entraram em confinamento, onde ficarão por 84 dias participando de um teste de ganho de peso para a medição do consumo alimentar residual (CAR). Foram 28 dias de adaptação da dieta e mais 56 dias de prova efetiva. Ao final, serão mensurados o ganho de peso, o consumo alimentar residual e a ultrassonografia de carcaça, para medir a área de olho de lombo e o acabamento, tanto na 13ª costela quanto na picanha, finalizando com o abate técnico para ratificar a carne de qualidade.

https://opresenterural.com.br/em-10-meses-de-recria-projeto-zebu-carne-de-qualidade-alcanca-marca-de-3822-arrobas-por-hectare/

Bem estar animal: boas práticas na recuperação de nascentes

Na coluna Bem Estar Animal ,do Dia Dia Rural no canal TerraViva, no último dia 25/Fev, a pecuarista Carmen Perez recebeu o zootecnista Ricardo Andrade, filho do Sr. Epaminondas da Fazenda Vale do Boi. Conversaram sobre as boas práticas de produção, recuperação das nascentes e seu impacto no resultado econômico e no bem estar dos animais. Assista!

https://tvterraviva.band.uol.com.br/videos/16902003/bem-estar-animal-boas-praticas-na-recuperacao-de-nascentes

Água, a nova fronteira da sustentabilidade

No Dia Mundial da Água, a pecuária de excelência mostra o produtor pode gerir esse líquido precioso

Hoje, 22 de março, é o Dia Mundial da Água. Na pecuária, o uso da água é um dos temas mais debatidos por ambientalistas. Afinal, o boi é vilão nessa história? O repórter da revista DBO e zootecnista, Renato Villela, esteve no Tocantins para mostrar um trabalho de excelência na gestão da água. Chamados de “produtores de água”, os pecuaristas que se dedicam à causa vêm mostrando que ela é alimento para o gado e fonte de perpetuidade de seu patrimônio, ao  criar mecanismos de preservação.

Na reportagem de junho de 2019, Villela esteve com o produtor Epaminondas de Andrade, da Fazenda Vale do Boi, em Carmolândia, município a 27 km de Araguaína. Andrade recuperou nascentes e montou um sistema hídrico criativo para burlar a escassez e produzir mais. A reportagem está divida em 8 capítulos: 

Grande Susto, Produzindo Água, Sistema Interligado, Distribuição Ininterrupta, Travessia da Represa, Água Limpa para Maior Produção, Boi Quer Água Pura, Dimensionamento Correto e Detalhes Fazem Diferença.

A seguir você, confere um resumo de cada um desses capítulos. 

Santa Água

A água é a “nova fronteira” da sustentabilidade. Diretamente associada ao bem-estar animal (sede traz sofrimento) e à produção de carne (boi que não bebe não come), a água começa a escassear onde era abundante, colocando a atividade sob risco em vários pontos do País. “Usá-la de forma racional é questão de sobrevivência. Tê-la em abundância e qualidade, um direito dos animais”, diz Mateus Paranhos, coordenador do Etco, Grupo de Estudos e Pesquisa em Etologia e Ecologia Animal, da Unesp/Jaboticabal. Há forte pressão da sociedade nesse sentido, confirmada por estudos cada vez mais frequentes sobre comportamento animal e “pegada hídrica”, quantidade do recurso que se usa para obter um produto, desde a fazenda até a indústria, incluindo os insumos utilizados.

Nos sistemas fortemente baseados no confinamento de longa duração, como o norte-americano, fala-se em 15.415 litros para 1 kg de carne. Nos de pasto, como o brasileiro, esse número ainda não está disponível. Mas estudos iniciais da Embrapa indicam uma “pegada” menor. Muitos pecuaristas ainda não se deram conta, mas, além de produtores de bois, terão de se tornar produtores de água.

Andrade, um respeitado selecionador diz que a “intimação” veio da própria natureza. Quando chegou na região do Bico do Papagaio, há 35 anos, encontrou um modelo típico de pecuária extensiva: piquetes grandes, com divisões atreladas a pequenos córregos, onde os animais matavam a sede.

Se o pasto não era servido por um riachinho, recorria-se às famigeradas cacimbas, cavando áreas baixas até encontrar um lençol freático. O modelo convencional de dessedentação do gado, contudo, logo mostraria suas fragilidades.

Grande susto

Na década de 1990, criador de nelore, decidiu dividir pastagens e levar água até os piquetes não contemplados por cursos naturais. Furou poço artesiano, construiu reservatório e alguns bebedouros, instalou encanamentos, mas essa estrutura atendia pequena parte dos pastos. A grande maioria continuava a ser servida por córregos e cacimbas. Foi então que o clima começou a dar suas cartas, complicando a história.

“Há 10 anos, percebemos, que a quantidade de chuvas estava diminuindo e que a seca estava se esticando”, conta o filho, Ricardo José de Andrade, que toca a fazenda junto com o pai e o irmão, Paulo Henrique. O histórico pluviométrico da fazenda começou em 1986  e comprova isso.

A mudança climática trouxe consequências graves: córregos que nunca secavam passaram a secar; nascentes começaram a minguar. Não tardou para que o projeto de intensificação de pastagens fosse ameaçado. “Estávamos com a fazenda melhor dividida, os pastos cortados por córregos, mas não tínhamos mais água”, diz Ricardo.

O primeiro passo para enfrentar o problema da escassez hídrica era encontrar novas fontes de abastecimento. A propriedade tem rebanho de 3.000 cabeças, alojadas em 1.300 ha de pastagem.  O poço artesiano escolhido para dar início à troca das aguadas naturais por bebedouros e atender dois retiros contíguos produziu menos água do que o esperado. A previsão de 3.500 litros/hora não se concretizou.

Produzindo água

Que fazer diante disso? Perfurar outros pontos da fazenda não sairia barato nem era garantia de sucesso, devido ao histórico de poços de baixa vazão na região. A saída foi encontrar uma forma complementar de produção hídrica. A fazenda possui três minas d`água maiores, uma delas, inclusive, utilizada há 25 anos para abastecer a sede, mas nunca se havia cogitado usá-las para matar a sede dos animais. “Na época, nem pensávamos em instalar bebedouros na fazenda”, diz Ricardo.

O bom funcionamento das minas ao longo dos anos, associado à sua localização privilegiada (700 m acima do poço já existente) despertou a criatividade dos produtores, levando-os a desenhar um modelo inovador de captação hídrica, que alia a produção da nascente com a do poço artesiano.

Antes de descrever esse sistema, entretanto, voltemos às nascentes salvadoras. O cuidado com esses “pontos de descarga” dos aquíferos é fundamental para se ter abundância hídrica na propriedade. É necessário isolá-las, recompor a mata ciliar que as protege (caso tenha sido destruída) e perenizá-las. Seu Epaminondas usou, para isso, um sistema semelhante ao descrito na reportagem “Fartura no campo”, publicada por DBO, em abril de 2015. A técnica consiste em cavar bem o local, retirando todo tipo de sujeira e barro podre até se identificar os “olhos d`água”. Em seguida, calça-se o buraco com pedras grandes que permitem o percolamento e filtragem da água. Por cima, coloca-se pedras menores e passa-se sobre elas uma camada de solo-cimento. Assim, a nascente fica coberta, evitando-se assoreamento, presença de animais silvestres e acúmulo de matéria orgânica que pode contaminar a água.

Sistema interligado

Com a nascente protegida e estruturada, providenciou-se sua conexão com o poço artesiano. O sistema integrado funciona da seguinte maneira: a água represada e canalizada na mina segue, por gravidade, até uma caixa d’água.  Para aumentar a quantidade de água captada, o mesmo trabalho foi feito em outras duas nascentes. “Cada nascente contribui, em média, com 1.000 l/h no auge da seca, o resto vem do poço”, conta Seu Epaminondas. Uma vez que o volume da caixa é preenchido, a água sai por um cano na parte superior e é despejada dentro do poço.

O sistema, portanto, se retroalimenta. Do poço, a água é bombeada para dois reservatórios, um de 30.000 e outro de 100.000 litros, descendo por gravidade para abastecer os bebedouros dos piquetes que compõem os dois retiros contíguos da fazenda. Detalhe importante: além da bomba hidráulica localizada no poço artesiano, há outra de reserva junto à caixa, independente e pronta para bombear a água que vem direto das nascentes, caso haja algum problema com o primeiro equipamento.

A primeira etapa do projeto teve início em 2009, quando foi preciso “dar uma arrancada” em virtude do agravamento da crise hídrica. Naquele ano, construiu-se o reservatório de 100.000 litros e estendeu-se a linha de canos (5 km) até o fundo da fazenda, onde a situação era mais crítica. O produtor instalou seis bebedouros que davam acesso a 12 pastos. “No ano seguinte a seca foi forte, os córregos novamente secaram, mas não tivemos problema para fornecer água aos animais”, recorda Ricardo. Com o passar dos anos, mais pastos foram sendo estruturados. Hoje, a fazenda conta com 140 piquetes, 116 deles (83%) servidos por água encanada, mas a meta é chegar a 100% nos próximos dois anos.

Distribuição ininterrupta

A exemplo da dobradinha que se viu entre a nascente e o poço artesiano para produzir a quantidade de água necessária ao rebanho, era preciso garantir que a distribuição fosse efetuada de maneira ininterrupta. A solução encontrada foi fazer os dois reservatórios de 30.000 e 100.000 litros operar em sintonia.

Para evitar desperdício, foram instaladas duas bóias, uma elétrica que desliga automaticamente a bomba do poço, e outra que controla a passagem de água do reservatório mais alto. “Quando se atinge a capacidade máxima, a bóia fecha, evitando transbordamento”, explica o produtor.

Travessia da represa

O mesmo modelo de abastecimento hídrico já descrito foi usado no terceiro retiro da fazenda, do outro lado da rodovia. Quando essa gleba foi comprada, 17 anos atrás, tinha um poço artesiano com capacidade para 6.000 l/hora e um pequeno reservatório situado na parte mais alta. Os pastos eram grandes e, para serem divididos, precisavam de água. Da mesma forma que nos outros retiros, o poço não tinha vazão suficiente. “Rebaixamos a bomba algumas vezes na tentativa de captar mais água, até o momento em que não deu mais”, conta Seu Epaminondas. Sem nascentes que pudessem fornecer água por gravidade, o jeito era fazer mais poços. “Furávamos, furávamos, mas não encontrávamos nada”, conta ele.

Ao todo, foram feitas 11 tentativas. O insucesso levou a uma situação extrema. “Para garantir o abastecimento do reservatório tivemos de puxar água de caminhão-pipa por dois anos seguidos”, relata o produtor. Não havendo fontes de água de melhor qualidade, Seu Epaminondas decidiu recorrer à represa. Mas logo depois um vizinho indicou o local por onde provavelmente passava um “veio d`água”. Dito e feito. “Encontramos um poço com água de ótima qualidade e vazão de 30.000 litros/hora”, conta.

O problema parecia, enfim, resolvido, mas a alegria durou pouco. O novo poço ficava do outro lado da represa, oposto ao reservatório. Foi preciso levar o encanamento até ele, passando por 150 m de águas profundas.

Água limpa para maior produção

A Vale do Boi conta com 98 bebedouros, um número alto, considerando-se que a fazenda faz pastejo rotacionado, mas Seu Epaminondas preferiu não trabalhar com praças de alimentação centrais. Os bebedouros ficam dentro dos piquetes ou em suas divisas. “A fazenda já estava organizada assim e decidimos não mudar”, justifica o selecionador, que dessa forma, diminuiu disputas por água e situações de estresse dentro dos lotes, garantindo o bem-estar animal.

Outra preocupação constante é com a qualidade hídrica. Tanto a sede da propriedade quanto os pastos são abastecidos pelos mesmos reservatórios. “A água que o gado bebe é a mesma que a gente toma”, diz o produtor. Para evitar desperdício, Seu Epaminondas usa bebedouros menores, com capacidade entre 1.200 e 600 litros, uma tendência hoje defendida por consultores. “Com isso, temos de jogar menos líquido fora quando esvaziamos esses recipientes para lavagem”, justifica.

Boi quer água pura

“Nossas observações de campo mostram que os animais não bebem água quando alguns tipos de algas estão presentes. Eles têm repulsa”, afirma Mateus Paranhos, do Etco. Essa percepção tem sido comprovada por pesquisas. João Luís Santos, da Especializo Gestão de Recursos Hídricos, de Campinas, SP, cita um estudo realizado no Canadá sobre concentração de estrume na água e restrição de consumo.

Constatou-se que 0,05 mg de estrume por litro já é percebido pelos animais, fazendo-os procurar outras fontes. “É uma concentração muito pequena, principalmente se considerarmos que um animal pode gerar até 20 kg de estrume por dia, quantidade suficiente para contaminar 40 milhões de litros de água”, diz Santos.

A contaminação microbiológica não é o único parâmetro avaliado. Há outros critérios de qualidade como odor e sabor, propriedades químicas e físicas, presença de elementos tóxicos e concentração de compostos minerais. Um estudo mostrou redução no consumo hídrico, consequentemente, no desempenho produtivo, em função de altas concentrações de sulfatos na água, o que provoca perdas econômicas.

“É um dinheiro que o produtor está deixando de ganhar por não ter água de boa qualidade”, diz.  “A prevenção é a melhor forma de ter água de qualidade na propriedade”. O especialista faz um apelo: “Precisamos valorizar nossos recursos hídricos. Não temos uma cultura de valorização, não consideramos a água um insumo produtivo, como a genética, a nutrição ou o pasto, e não temos noção do prejuízo que traz uma água de má qualidade à pecuária, devido a nosso próprio desconhecimento”.

Dimensionamento correto

Tão importante quanto a qualidade da água para o bem-estar dos animais é garantir-lhes boa oferta do precioso líquido e facilidade de acesso para dessedentação. Para isso, é necessário reduzir a distância a ser percorrida até a fonte de água e dimensionar corretamente os bebedouros.

“Restrição hídrica causa forte estresse, gerando não somente problemas de ganho de peso. Se o bovino se sentir ameaçado pela falta de água, vai mudar seu comportamento, movimentar-se mais, tornar-se mais agressivo. Isso também acontece se o bebedouro for insuficiente para o número de animais. Nós também ficaríamos agressivos se estivéssemos com sede, tivéssemos apenas um copo d`água e cinco pessoas querendo tomá-lo. Os animais não são diferentes de nós”, afirma Santos.

Um bovino adulto consome, em média, 50 l de água por dia. Segundo Adilson Aguiar, professor da Faculdades Associadas Uberaba e diretor da Consupec (Consultoria e Planejamento Pecuário), para dimensionar o bebedouro, considera-se que, em média, apenas 10% do lote chegando para beber a cada vez, desde que os animais não estejam passando por restrição de água. Aguiar explica que os animais preferem água de bebedouros à de aguadas naturais, mesmo tendo acesso livre a ambas. Além de ter aspecto mais límpido, essa água apresenta temperatura mais alta do que a dos mananciais, um atrativo para os bovinos.

https://www.portaldbo.com.br/agua-a-nova-fronteira-da-sustentabilidade/

A santa água para o gado …

Revista DBO – Edição 465 – Julho de 2019

Demétrio Costa

Felizmente, não é um cenário comum, mas projetos pecuários que lidam com escassez de água são bom exemplo para despertar a atenção sobre a importância de fazer bom uso do recurso e, sobretudo, zelar por suas fontes. Quando comprou a Fazenda Vale do Boi, em Carmolândia, a 30 Km de Araguaína, TO, Epaminondas de Andrade não tinha problema nesta área. O padrão de chuvas era melhor que agora e o gado no sistema extensivo matava a sede nos córregos ou nas antigas cacimbas. Com a intensificação, tudo começou a mudar. Foi preciso levar água aos novos pastos, furar poço artesiano, mas logo poço passou a não dar conta e outras fontes também começaram a minguar. Há 10 anos, o respeitado selecionador de Nelore, hoje com 83 anos de vida, descobriu que precisava virar um produtor de água para sustentar o rebanho de 3 mil cabeças. O repórter Renato Villela foi até a Vale do Boi e conta, na matéria de capa, como Seu Epaminondas e o filho Ricardo domaram a situação com trabalho exemplar de preservação de nascentes.

AgroAmbiental entrevista Ricardo da Vale do Boi

#AGROAMBIENTAL​: VIVIAN MACHADO ENTREVISTOU RICARDO ANDRADE – FAZENDA VALE DO BOI

Ricardo , gestor da propriedade, fala sobre as práticas de manejo responsáveis pelo nível de produtividade muito acima das médias nacionais e regionais. Desde os cuidados com as pastagens, preservação do solo, bem estar animal e alimentação do rebanho. Aplicando inovação e tecnologia.

Pecuaristas do Tocantins Aprovam Novo Defensivo Que Controla Plantas Daninhas Lenhosas e Semilenhosas

Nesta segunda, 10, o Giro do Boi levou ao ar uma edição especial de lançamento de uma tecnologia que irá ajudar os pecuaristas no combate das chamadas “pragas duras”, como são popularmente conhecidas as plantas daninhas lenhosas e semilenhosas.

Em um dos blocos dos especial, foram ao ar entrevistas feitas com dois produtores do estado do Tocantins, o pecuarista Ricardo José de Andrade, da Fazenda Vale do Boi, de Carmolândia-TO, e o pecuarista Wagner Martins Borges, da Fazenda Nova Guia, em Araguanã-TO, que também tem propriedade na região de Ananás-TO.

“Nós somos preocupados em trabalhar com produtividade, e produtividade passa por combater eventuais problemas e pragas que existem na propriedade. As plantas daninhas, principalmente de folhas largas, são um problema para a região. Ao longo do tempo a gente vem utilizando produtos que nos auxiliam a isso e a chegada de novas tecnologias vem ao encontro daquilo que a gente que precisa. O produto certo para tratar da praga que a gente quer combater”, afirmou Ricardo. “Hoje com essa tecnologia, de um produto que combate mais as pragas lenhosas, aí seria a cereja do bolo, porque elas são aquelas que tinham um combate com maior dificuldade, e hoje passamos a ter mais facilidade. Então esses novos produtos vêm ajudar a gente sensivelmente no trabalho do dia a dia da fazenda”, ressaltou.

Ricardo também destacou a sustentabilidade do produto, classificado como “faixa verde” pela Anvisa, (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): das quatro faixas de classificação estabelecidas pela agência para produtos da categoria, a nova linha foi enquadrada no menor nível de impactos para os aplicadores e para o meio ambiente. “É tudo aquilo que a gente procura. Produtos que tragam benefício, uma melhoria da produtividade, sem agressão, porque hoje é a pauta, proteger o meio ambiente, e nossa preocupação também é não atrapalhar os nossos colaboradores. Isso faz parte do contexto, pensar em aumento de produtividade, que passa pela utilização das novas tecnologias, correção de solo, adubação, preocupação com os animais, com o meio ambiente, manejo racional, tudo isso é fundamental para ter uma pecuária lucrativa, competitiva. É tudo aquilo que meu pai sempre almejou, trabalhou e nós fazemos isso na Fazenda Vale do Boi”, disse o pecuarista em referência ao seu pai, Epaminondas de Andrade.

controle-foliar-plantas-lenhosas-semilenhosas

Já Wagner Borges destacou o problema da competição das pastagens com as plantas daninhas. “A infestação das pragas daninhas é um problema sério, porque tem a competição com o capim. Quanto mais pragas daninhas, menos produtividade, que reflete em menos lucratividade. Para a gente é menos ganho de peso, menos lotação da pastagem. Isso é realmente um problema sério para a pastagem. E nossa região é mesmo propícia para o desenvolvimento de plantas daninhas, tem a questão da umidade, do tempo, é muito úmido e quente”, salientou.

Wagner listou ainda as plantas daninhas que mais infestam as suas pastagens. “Além das pragas moles, ainda tem as de folhas lisas, folhas largas, que são um problema sério. A gente não tinha ainda um produto específico para combater os cipós, as pragas mais duras. E agora com esse novo produto a gente tem esperança de ter um bom combate para estas pragas”, admitiu.

fonte: www.girodoboi.com.br/videos/pecuaristas-do-tocantins-aprovam-novo-defensivo-que-controla-plantas-daninhas-lenhosas-e-semilenhosas/

 

https://vimeo.com/396524809

Evento no Tocantins reúne pecuaristas e apresenta tecnologia para limpeza de pasto

Foi realizado na última sexta-feira, dia 23, em Carmolândia, estado do Tocantins, uma edição do Dia na Varanda na Fazenda Vale do Boi, do pecuarista Epaminondas de Andrade, promovido pela Corteva Agriscience, a divisão agrícola Dow DuPont, para lançar a tecnologia XT para os pecuaristas do estado.

No evento, cerca de 80 produtores, demais profissionais e estudantes, acompanharam também o lançamento do primeiro produto da linha, o Tordon XT, que ajuda no combate a plantas daninhas como as Sidas (guanxuma, guanxuma-branca ou malva-branca), fedegoso-branco, canela-de-perdiz, casadinha, cheirosa e carqueja.

Além disso, o dia de campo levou para um bate papo com os pecuaristas o zootecnista Adilson Aguiar, mestre em solo e meio ambiente e professor da Fazu.

Veja no vídeo abaixo : https://www.girodoboi.com.br/videos/dia-na-varanda-reune-pecuaristas-no-to-para-lancar-tecnologia-para-limpeza-de-pasto/

Propriedade no norte do estado investe em sistema de abastecimento para o gado

Propriedade no norte do estado investe em sistema de abastecimento para o gado;

http://g1.globo.com/to/tocantins/jornal-do-campo/videos/v/propriedade-no-norte-do-estado-investe-em-sistema-de-abastecimento-para-o-gado-acompanhe/6266540/

https://globoplay.globo.com/v/6266540/

Assista #JornalDoCampoTO pelo #GloboPlay https://globoplay.globo.com/v/6266540/?utm_source=twitter&utm_medium=share-player-desktop

Fazenda Vale do Boi é parceira da palestra sobre Manejo Racional de Bovinos.

Palestra Manejo Racional Bovinos - Fev/2016Encontro/ Palestra sobre Manejo Racional de Bovinos

O Encontro/ Palestra tem como objetivo principal o treinamento e aperfeiçoamento de profissionais (pecuaristas, capatazes, vaqueiros, técnicos e demais interessados) em práticas de manejo. A ênfase doevento está na utilização dos conhecimentos sobre o comportamento dos bovinos para a definição de estratégias de manejo, de forma a reduzir o estresse animal. A adoção dessa nova filosofia de trabalho contribui para melhorar nossa interação com os bovinos, proporcionando: melhoria do bem-estar dos animais, melhores condições de trabalho, diminuição de perdas e maior produtividade.

Horário: 08:00 às 12:00 e 14:00 às 18:00

Data: 20/02/2016

Palestrante: Prof. Dr. Mateus Paranhos – UNESP – Campus de Jaboticabal/ SP

Número de vagas: 80 vagas

Obs.: Inscrições gratuitas e no local do evento

Local: Auditório do SEBRAE em Araguaína/ TO

Temas abordados:

 

  • Custos da má qualidade na produção de bovinos
  • Aspectos fundamentais no comportamento de bovinos
  • Interações humano-bovinos no dia-a-dia da fazenda
  • Infraestrutura para o manejo de bovinos
  • Manejo Racional de bezerros ao nascimento

 

  • Tópicos em Manejo Racional:
    • Na Desmama
    • Na condução de bovinos ao curral: apartação, embretamento, condução ao tronco de contenção e contenção.
    • Na vacinação
    • Na identificação
    • No embarque

Realização: Sindicato Rural de Araguaína

Parceiros: Faz. Vale do Boi, Sebrae, Agroquima, Romancini e UFT.