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Bem estar animal: boas práticas na recuperação de nascentes

Na coluna Bem Estar Animal ,do Dia Dia Rural no canal TerraViva, no último dia 25/Fev, a pecuarista Carmen Perez recebeu o zootecnista Ricardo Andrade, filho do Sr. Epaminondas da Fazenda Vale do Boi. Conversaram sobre as boas práticas de produção, recuperação das nascentes e seu impacto no resultado econômico e no bem estar dos animais. Assista!

https://tvterraviva.band.uol.com.br/videos/16902003/bem-estar-animal-boas-praticas-na-recuperacao-de-nascentes

Água, a nova fronteira da sustentabilidade

No Dia Mundial da Água, a pecuária de excelência mostra o produtor pode gerir esse líquido precioso

Hoje, 22 de março, é o Dia Mundial da Água. Na pecuária, o uso da água é um dos temas mais debatidos por ambientalistas. Afinal, o boi é vilão nessa história? O repórter da revista DBO e zootecnista, Renato Villela, esteve no Tocantins para mostrar um trabalho de excelência na gestão da água. Chamados de “produtores de água”, os pecuaristas que se dedicam à causa vêm mostrando que ela é alimento para o gado e fonte de perpetuidade de seu patrimônio, ao  criar mecanismos de preservação.

Na reportagem de junho de 2019, Villela esteve com o produtor Epaminondas de Andrade, da Fazenda Vale do Boi, em Carmolândia, município a 27 km de Araguaína. Andrade recuperou nascentes e montou um sistema hídrico criativo para burlar a escassez e produzir mais. A reportagem está divida em 8 capítulos: 

Grande Susto, Produzindo Água, Sistema Interligado, Distribuição Ininterrupta, Travessia da Represa, Água Limpa para Maior Produção, Boi Quer Água Pura, Dimensionamento Correto e Detalhes Fazem Diferença.

A seguir você, confere um resumo de cada um desses capítulos. 

Santa Água

A água é a “nova fronteira” da sustentabilidade. Diretamente associada ao bem-estar animal (sede traz sofrimento) e à produção de carne (boi que não bebe não come), a água começa a escassear onde era abundante, colocando a atividade sob risco em vários pontos do País. “Usá-la de forma racional é questão de sobrevivência. Tê-la em abundância e qualidade, um direito dos animais”, diz Mateus Paranhos, coordenador do Etco, Grupo de Estudos e Pesquisa em Etologia e Ecologia Animal, da Unesp/Jaboticabal. Há forte pressão da sociedade nesse sentido, confirmada por estudos cada vez mais frequentes sobre comportamento animal e “pegada hídrica”, quantidade do recurso que se usa para obter um produto, desde a fazenda até a indústria, incluindo os insumos utilizados.

Nos sistemas fortemente baseados no confinamento de longa duração, como o norte-americano, fala-se em 15.415 litros para 1 kg de carne. Nos de pasto, como o brasileiro, esse número ainda não está disponível. Mas estudos iniciais da Embrapa indicam uma “pegada” menor. Muitos pecuaristas ainda não se deram conta, mas, além de produtores de bois, terão de se tornar produtores de água.

Andrade, um respeitado selecionador diz que a “intimação” veio da própria natureza. Quando chegou na região do Bico do Papagaio, há 35 anos, encontrou um modelo típico de pecuária extensiva: piquetes grandes, com divisões atreladas a pequenos córregos, onde os animais matavam a sede.

Se o pasto não era servido por um riachinho, recorria-se às famigeradas cacimbas, cavando áreas baixas até encontrar um lençol freático. O modelo convencional de dessedentação do gado, contudo, logo mostraria suas fragilidades.

Grande susto

Na década de 1990, criador de nelore, decidiu dividir pastagens e levar água até os piquetes não contemplados por cursos naturais. Furou poço artesiano, construiu reservatório e alguns bebedouros, instalou encanamentos, mas essa estrutura atendia pequena parte dos pastos. A grande maioria continuava a ser servida por córregos e cacimbas. Foi então que o clima começou a dar suas cartas, complicando a história.

“Há 10 anos, percebemos, que a quantidade de chuvas estava diminuindo e que a seca estava se esticando”, conta o filho, Ricardo José de Andrade, que toca a fazenda junto com o pai e o irmão, Paulo Henrique. O histórico pluviométrico da fazenda começou em 1986  e comprova isso.

A mudança climática trouxe consequências graves: córregos que nunca secavam passaram a secar; nascentes começaram a minguar. Não tardou para que o projeto de intensificação de pastagens fosse ameaçado. “Estávamos com a fazenda melhor dividida, os pastos cortados por córregos, mas não tínhamos mais água”, diz Ricardo.

O primeiro passo para enfrentar o problema da escassez hídrica era encontrar novas fontes de abastecimento. A propriedade tem rebanho de 3.000 cabeças, alojadas em 1.300 ha de pastagem.  O poço artesiano escolhido para dar início à troca das aguadas naturais por bebedouros e atender dois retiros contíguos produziu menos água do que o esperado. A previsão de 3.500 litros/hora não se concretizou.

Produzindo água

Que fazer diante disso? Perfurar outros pontos da fazenda não sairia barato nem era garantia de sucesso, devido ao histórico de poços de baixa vazão na região. A saída foi encontrar uma forma complementar de produção hídrica. A fazenda possui três minas d`água maiores, uma delas, inclusive, utilizada há 25 anos para abastecer a sede, mas nunca se havia cogitado usá-las para matar a sede dos animais. “Na época, nem pensávamos em instalar bebedouros na fazenda”, diz Ricardo.

O bom funcionamento das minas ao longo dos anos, associado à sua localização privilegiada (700 m acima do poço já existente) despertou a criatividade dos produtores, levando-os a desenhar um modelo inovador de captação hídrica, que alia a produção da nascente com a do poço artesiano.

Antes de descrever esse sistema, entretanto, voltemos às nascentes salvadoras. O cuidado com esses “pontos de descarga” dos aquíferos é fundamental para se ter abundância hídrica na propriedade. É necessário isolá-las, recompor a mata ciliar que as protege (caso tenha sido destruída) e perenizá-las. Seu Epaminondas usou, para isso, um sistema semelhante ao descrito na reportagem “Fartura no campo”, publicada por DBO, em abril de 2015. A técnica consiste em cavar bem o local, retirando todo tipo de sujeira e barro podre até se identificar os “olhos d`água”. Em seguida, calça-se o buraco com pedras grandes que permitem o percolamento e filtragem da água. Por cima, coloca-se pedras menores e passa-se sobre elas uma camada de solo-cimento. Assim, a nascente fica coberta, evitando-se assoreamento, presença de animais silvestres e acúmulo de matéria orgânica que pode contaminar a água.

Sistema interligado

Com a nascente protegida e estruturada, providenciou-se sua conexão com o poço artesiano. O sistema integrado funciona da seguinte maneira: a água represada e canalizada na mina segue, por gravidade, até uma caixa d’água.  Para aumentar a quantidade de água captada, o mesmo trabalho foi feito em outras duas nascentes. “Cada nascente contribui, em média, com 1.000 l/h no auge da seca, o resto vem do poço”, conta Seu Epaminondas. Uma vez que o volume da caixa é preenchido, a água sai por um cano na parte superior e é despejada dentro do poço.

O sistema, portanto, se retroalimenta. Do poço, a água é bombeada para dois reservatórios, um de 30.000 e outro de 100.000 litros, descendo por gravidade para abastecer os bebedouros dos piquetes que compõem os dois retiros contíguos da fazenda. Detalhe importante: além da bomba hidráulica localizada no poço artesiano, há outra de reserva junto à caixa, independente e pronta para bombear a água que vem direto das nascentes, caso haja algum problema com o primeiro equipamento.

A primeira etapa do projeto teve início em 2009, quando foi preciso “dar uma arrancada” em virtude do agravamento da crise hídrica. Naquele ano, construiu-se o reservatório de 100.000 litros e estendeu-se a linha de canos (5 km) até o fundo da fazenda, onde a situação era mais crítica. O produtor instalou seis bebedouros que davam acesso a 12 pastos. “No ano seguinte a seca foi forte, os córregos novamente secaram, mas não tivemos problema para fornecer água aos animais”, recorda Ricardo. Com o passar dos anos, mais pastos foram sendo estruturados. Hoje, a fazenda conta com 140 piquetes, 116 deles (83%) servidos por água encanada, mas a meta é chegar a 100% nos próximos dois anos.

Distribuição ininterrupta

A exemplo da dobradinha que se viu entre a nascente e o poço artesiano para produzir a quantidade de água necessária ao rebanho, era preciso garantir que a distribuição fosse efetuada de maneira ininterrupta. A solução encontrada foi fazer os dois reservatórios de 30.000 e 100.000 litros operar em sintonia.

Para evitar desperdício, foram instaladas duas bóias, uma elétrica que desliga automaticamente a bomba do poço, e outra que controla a passagem de água do reservatório mais alto. “Quando se atinge a capacidade máxima, a bóia fecha, evitando transbordamento”, explica o produtor.

Travessia da represa

O mesmo modelo de abastecimento hídrico já descrito foi usado no terceiro retiro da fazenda, do outro lado da rodovia. Quando essa gleba foi comprada, 17 anos atrás, tinha um poço artesiano com capacidade para 6.000 l/hora e um pequeno reservatório situado na parte mais alta. Os pastos eram grandes e, para serem divididos, precisavam de água. Da mesma forma que nos outros retiros, o poço não tinha vazão suficiente. “Rebaixamos a bomba algumas vezes na tentativa de captar mais água, até o momento em que não deu mais”, conta Seu Epaminondas. Sem nascentes que pudessem fornecer água por gravidade, o jeito era fazer mais poços. “Furávamos, furávamos, mas não encontrávamos nada”, conta ele.

Ao todo, foram feitas 11 tentativas. O insucesso levou a uma situação extrema. “Para garantir o abastecimento do reservatório tivemos de puxar água de caminhão-pipa por dois anos seguidos”, relata o produtor. Não havendo fontes de água de melhor qualidade, Seu Epaminondas decidiu recorrer à represa. Mas logo depois um vizinho indicou o local por onde provavelmente passava um “veio d`água”. Dito e feito. “Encontramos um poço com água de ótima qualidade e vazão de 30.000 litros/hora”, conta.

O problema parecia, enfim, resolvido, mas a alegria durou pouco. O novo poço ficava do outro lado da represa, oposto ao reservatório. Foi preciso levar o encanamento até ele, passando por 150 m de águas profundas.

Água limpa para maior produção

A Vale do Boi conta com 98 bebedouros, um número alto, considerando-se que a fazenda faz pastejo rotacionado, mas Seu Epaminondas preferiu não trabalhar com praças de alimentação centrais. Os bebedouros ficam dentro dos piquetes ou em suas divisas. “A fazenda já estava organizada assim e decidimos não mudar”, justifica o selecionador, que dessa forma, diminuiu disputas por água e situações de estresse dentro dos lotes, garantindo o bem-estar animal.

Outra preocupação constante é com a qualidade hídrica. Tanto a sede da propriedade quanto os pastos são abastecidos pelos mesmos reservatórios. “A água que o gado bebe é a mesma que a gente toma”, diz o produtor. Para evitar desperdício, Seu Epaminondas usa bebedouros menores, com capacidade entre 1.200 e 600 litros, uma tendência hoje defendida por consultores. “Com isso, temos de jogar menos líquido fora quando esvaziamos esses recipientes para lavagem”, justifica.

Boi quer água pura

“Nossas observações de campo mostram que os animais não bebem água quando alguns tipos de algas estão presentes. Eles têm repulsa”, afirma Mateus Paranhos, do Etco. Essa percepção tem sido comprovada por pesquisas. João Luís Santos, da Especializo Gestão de Recursos Hídricos, de Campinas, SP, cita um estudo realizado no Canadá sobre concentração de estrume na água e restrição de consumo.

Constatou-se que 0,05 mg de estrume por litro já é percebido pelos animais, fazendo-os procurar outras fontes. “É uma concentração muito pequena, principalmente se considerarmos que um animal pode gerar até 20 kg de estrume por dia, quantidade suficiente para contaminar 40 milhões de litros de água”, diz Santos.

A contaminação microbiológica não é o único parâmetro avaliado. Há outros critérios de qualidade como odor e sabor, propriedades químicas e físicas, presença de elementos tóxicos e concentração de compostos minerais. Um estudo mostrou redução no consumo hídrico, consequentemente, no desempenho produtivo, em função de altas concentrações de sulfatos na água, o que provoca perdas econômicas.

“É um dinheiro que o produtor está deixando de ganhar por não ter água de boa qualidade”, diz.  “A prevenção é a melhor forma de ter água de qualidade na propriedade”. O especialista faz um apelo: “Precisamos valorizar nossos recursos hídricos. Não temos uma cultura de valorização, não consideramos a água um insumo produtivo, como a genética, a nutrição ou o pasto, e não temos noção do prejuízo que traz uma água de má qualidade à pecuária, devido a nosso próprio desconhecimento”.

Dimensionamento correto

Tão importante quanto a qualidade da água para o bem-estar dos animais é garantir-lhes boa oferta do precioso líquido e facilidade de acesso para dessedentação. Para isso, é necessário reduzir a distância a ser percorrida até a fonte de água e dimensionar corretamente os bebedouros.

“Restrição hídrica causa forte estresse, gerando não somente problemas de ganho de peso. Se o bovino se sentir ameaçado pela falta de água, vai mudar seu comportamento, movimentar-se mais, tornar-se mais agressivo. Isso também acontece se o bebedouro for insuficiente para o número de animais. Nós também ficaríamos agressivos se estivéssemos com sede, tivéssemos apenas um copo d`água e cinco pessoas querendo tomá-lo. Os animais não são diferentes de nós”, afirma Santos.

Um bovino adulto consome, em média, 50 l de água por dia. Segundo Adilson Aguiar, professor da Faculdades Associadas Uberaba e diretor da Consupec (Consultoria e Planejamento Pecuário), para dimensionar o bebedouro, considera-se que, em média, apenas 10% do lote chegando para beber a cada vez, desde que os animais não estejam passando por restrição de água. Aguiar explica que os animais preferem água de bebedouros à de aguadas naturais, mesmo tendo acesso livre a ambas. Além de ter aspecto mais límpido, essa água apresenta temperatura mais alta do que a dos mananciais, um atrativo para os bovinos.

https://www.portaldbo.com.br/agua-a-nova-fronteira-da-sustentabilidade/

A santa água para o gado …

Revista DBO – Edição 465 – Julho de 2019

Demétrio Costa

Felizmente, não é um cenário comum, mas projetos pecuários que lidam com escassez de água são bom exemplo para despertar a atenção sobre a importância de fazer bom uso do recurso e, sobretudo, zelar por suas fontes. Quando comprou a Fazenda Vale do Boi, em Carmolândia, a 30 Km de Araguaína, TO, Epaminondas de Andrade não tinha problema nesta área. O padrão de chuvas era melhor que agora e o gado no sistema extensivo matava a sede nos córregos ou nas antigas cacimbas. Com a intensificação, tudo começou a mudar. Foi preciso levar água aos novos pastos, furar poço artesiano, mas logo poço passou a não dar conta e outras fontes também começaram a minguar. Há 10 anos, o respeitado selecionador de Nelore, hoje com 83 anos de vida, descobriu que precisava virar um produtor de água para sustentar o rebanho de 3 mil cabeças. O repórter Renato Villela foi até a Vale do Boi e conta, na matéria de capa, como Seu Epaminondas e o filho Ricardo domaram a situação com trabalho exemplar de preservação de nascentes.

AgroAmbiental entrevista Ricardo da Vale do Boi

#AGROAMBIENTAL​: VIVIAN MACHADO ENTREVISTOU RICARDO ANDRADE – FAZENDA VALE DO BOI

Ricardo , gestor da propriedade, fala sobre as práticas de manejo responsáveis pelo nível de produtividade muito acima das médias nacionais e regionais. Desde os cuidados com as pastagens, preservação do solo, bem estar animal e alimentação do rebanho. Aplicando inovação e tecnologia.

Propriedade no norte do estado investe em sistema de abastecimento para o gado

Propriedade no norte do estado investe em sistema de abastecimento para o gado;

http://g1.globo.com/to/tocantins/jornal-do-campo/videos/v/propriedade-no-norte-do-estado-investe-em-sistema-de-abastecimento-para-o-gado-acompanhe/6266540/

https://globoplay.globo.com/v/6266540/

Assista #JornalDoCampoTO pelo #GloboPlay https://globoplay.globo.com/v/6266540/?utm_source=twitter&utm_medium=share-player-desktop

Vale do Boi falará sobre bem-estar animal no BeefSummit 2014

BeefSummit Bem-estar Animal 2014No próximo dia 8 de Maio, Epaminondas de Andrade apresentará as experiências e resultados com práticas de bem-estar animal no rebanho da Vale do Boi nos últimos 30 anos.

“Há quase 30 anos abolimos o ferrão e a gritaria com o gado, e estamos colhendo resultados surpreendentes.” Atesta Epaminondas de Andrade. Pecuarista, proprietário da Fazenda Vale do Boi, no município de Carmolândia, região de Araguaína na região norte do Tocantins.

Há tempos o BeefPoint publica artigos sobre manejo racional e bem-estar animal pois esse assunto é muito importante para a pecuária de corte brasileira, por uma série de motivos:

  • fazendas que adotam bem-estar animal são mais produtivas
  • há menos acidentes com animais (menos prejuízos)
  • há menos acidentes com pessoas
  • há melhor qualidade de carne (menos stress)
  • há maior ganho de peso e outras medidas de produtividade
  • há menos perda por contusões no abate

E num futuro muito breve:

  • vai abrir (ou manter aberto) mercados importantes de carne bovina
  • existir mercado para carnes com certificação de bem-estar animal (como já existe nos EUA)

Ou seja, são muitos ganhos, para o produtor, para os animais, para os vaqueiros, para o frigorífico, para o consumidor. E para o setor como um todo. É um verdadeiro ganha-ganha-ganha.

Esse será um evento com conteúdo de altíssima qualidade, relacionamento, interação, e muita inspiração para você fazer diferente.

O BeefSummit Bem-Estar Animal vai ser o encontro de quem faz bem-estar animal na prática no Brasil, em pecuária de corte. Se você quer estar entre os líderes nesse negócio, marque na sua agenda.

Confira:

BeefSummit Bem-estar Animal
8 de maio de 2014
Centro de Convenções do Ribeirão Shopping – Ribeirão Preto/SP

O Sr. Epaminondas é finalista no Premio BeefPoint Edição Bem estar Animal.

beefpoint2014Prêmio BeefPoint 2014 – Edição Bem-estar Animal – Vote agora em quem é referência no Brasil!

O BeefPoint realizará um grande evento sobre “Bem-estar Animal” no dia 8 de maio de 2014, no Centro de Convenções do Ribeirão Shopping, na cidade de Ribeirão Preto/SP.

O evento terá a participação especial de Temple Grandin – pesquisadora que é referência mundial em bem-estar animal. Além de palestras inovadoras, com Prof. Mateus Paranhos da Costa e pecuaristas que são referência nas práticas de bem-estar animal no Brasil.

Estes profissionais irão compartilhar casos de sucesso e aprendizados nesta área que cresce a cada dia dentro da cadeia produtiva da carne. E para fechar o dia com chave de ouro, realizaremos a entrega do Prêmio BeefPoint 2014 – Edição Bem-estar Animal, que irá homenagear pecuaristas, profissionais, vaqueiros e pesquisadores que são referência em bem-estar no Brasil. Assim, como tudo do BeefPoint, você é a parte mais importante, nós queremos te ouvir!

Então, participe da votação e escolha quem deve ser homenageado pelo trabalho e dedicação ao bem-estar animal na pecuária. :-)

O Prêmio BeefPoint 2014 – Edição Bem-estar Animal, irá homenagear pessoas e não empresas ou entidades, além de ser permitido apenas um voto por pessoa, e vamos rastrear isso com uma confirmação enviada por email.

Vote agora! :-) Esperamos você neste dia que ficará marcado no cenário da pecuária brasileira, de 2014.

http://sites.beefpoint.com.br/premio/bemestaranimal/

Produtor Referência em Bem-estar Animal
Alexandre Parise
Ana Lúcia Spironelli
Anselmo Paulo Bellodi
Arnaldo Johannes Eijsink
Beatriz Biagi
Breno Barros
Carmen Perez
Claudio Braga
Eduardo Penteado Cardoso
Epaminondas de Andrade
Fernanda Macitelli Benez
Helton Marçola
Henrique Coutinho
Hugo Correa Netto da Costa Porto
Ian Hill
Joaquim Loureiro
José da Rocha Cavalcanti
Lourival Delpupo
Luciano Borges
Luiz Antônio Ferreira
Mauro Lúcio
Paulo Aranha
Percio Barros de Lima
Vinicius Scaramussa

A pecuária de corte gera empregos (inclusive nas cidades), riquezas, impostos e produz a melhor fonte de proteínas para o homem, a carne

BeefPoint lançou seu prêmio mais importante do ano para reconhecer e celebrar quem faz a diferença na pecuária de corte brasileira.

Nosso trabalho é focado em 3 pilares: conhecimento, relacionamento e inspiração. Tudo isso com foco em uma pecuária mais moderna, lucrativa e eficiente. Realizar um prêmio que seja uma festa e uma homenagem a essas pessoas especiais da pecuária de corte é a melhor maneira que encontramos para trazer inspiração a todos os envolvidos na cadeia da carne. Celebrar e destacar os bons exemplos é o caminho que encontramos e por isso sempre realizamos o Prêmio BeefPoint.

A premiação ocorreu durante nosso maior evento de 2013, o BeefSummit Brasil, que reuniu mais de 1.000 pessoas em Ribeirão Preto, SP, nos dias 10 e 11 de dezembro de 2013.

A cerimônia de entrega dos prêmios e divulgação dos ganhadores foi no final do dia 10 de dezembro, após as palestras e antes do coquetel com Chopp Pinguim e degustação de carnes especiais.

Para conhecer melhor os finalistas de cada categoria, o BeefPoint preparou uma série de entrevistas com cada um deles.

Confira abaixo a entrevista com Eduardo Penteado Cardoso, pecuarista e um dos finalistas e vencedor do Prêmio BeefPoint Brasil na categoria – Produtor – Destaque Bem-estar Animal.

BeefPoint: Qual o maior desafio da pecuária de corte do Brasil hoje?

Eduardo Penteado: O maior desafio é manter a competitividade da atividade, pois diversas áreas de pastagens vêm perdendo espaço para culturas diversas. O principal motivo é econômico, pois de uma forma geral a agricultura vem se mostrando mais rentável do que a pecuária de corte.

BeefPoint: O que o setor poderia / deveria fazer para aumentar sua competitividade no brasil?

Eduardo Penteado: Internamente, é preciso ter atenção especial ao gerenciamento das fazendas, especialmente o fluxo de caixa, lembrando sempre que Lucro = Receita – Despesas. As margens da pecuária são muito pequenas e administrar bem as despesas torna-se vital na atividade. Nesse contexto, por menores que sejam, é muito importante que sejam corretas e bem pensadas as decisões que temos que tomar todos os dias. Não existe, em larga escala, um “pulo do gato” na pecuária de corte.

Na maioria das vezes, a viabilidade econômica é alcançada pela somatória dessas pequenas decisões que precisamos tomar todos os dias. Nunca podemos esquecer a segurança econômica que a atividade nos traz, quando comparada com a agricultura. E isso em geral não é traduzido em números quando se compara agricultura e pecuária de corte.

Externamente, seria muito importante aumentar a demanda pela carne vermelha. Isso seria feito com campanhas de propaganda inteligentes, mostrando para a população urbana que a pecuária de corte não se resume às novelas de televisão, tampouco aos leilões de elite. Ela não é a vilã do meio ambiente, lembrando que ocupa enormes áreas de pastagens perenes, verdes a maior parte do ano: as plantas exercem a fotossíntese, sequestrando o carbono da atmosfera e liberando o oxigênio. Trata-se de um verdadeiro filtro natural.

A pecuária de corte brasileira é executada por um enorme contingente de pessoas distribuídas por todo o país, dando empregos a milhões de trabalhadores (inclusive nas cidades), gerando riquezas e impostos e, o mais importante, produzindo a melhor fonte de proteínas e minerais para o homem: a carne vermelha. Isso tudo a partir de 3 fatores relativamente abundantes na natureza: sol, água e nutrientes do solo.

BeefPoint: Você poderia nos contar sobre os acertos? O que fez e deu certo em sua carreira? Qual a sua maior realização?

Eduardo Penteado: Profissionalmente, a maior realização foi o envolvimento com a pecuária de corte através da seleção da raça Nelore, a base da produção de carne em nosso país. A opção foi por uma linhagem antiga e fechada, Lemgruber, que por ser um tanto homozigótica, tem a finalidade de promover o “choque de sangue” quando utilizada com animais da raça Nelore de outras origens.

Adicionalmente, esse trabalho de seleção permitiu que se pudesse aquilatar o potencial que essa raça apresenta para ser melhorada em diversas características.

BeefPoint: Todos sabemos que aprendemos mais com nossos erros. O que fez e deu errado? Você poderia nos contar?

Eduardo Penteado: É difícil particularizar um erro. Talvez o fato de eu ter me envolvido um pouco tarde com o gado, o que me privou por muitos anos desse grande prazer que é o contato com os animais.

BeefPoint: O que você fez em 2013 que te trouxe mais resultados?

Eduardo Penteado: Dei continuidade ao trabalho de seleção genética da linhagem Lemgruber, mantendo inalterada a filosofia que vem sendo adotada desde 1982 e é baseada em 4 pilares:

  • Adaptação ao ambiente (pasto)
  • Fertilidade
  • Aptidão econômica
  • Padrão racial

Uma filosofia objetiva aliada à qualidade das informações coletadas tem grandes possibilidades de levar o trabalho de melhoramento genético ao sucesso, onde a geração mais nova deve ser mais eficiente do que a mais velha. Em 2013 ficou evidente o excelente desempenho do Lemgruber nos diversos sumários de avaliação genética.

Foi também o ano em que a linhagem Lemgruber ultrapassou mais da metade de influência nos touros Nelore com sêmen à venda nas 9 maiores centrais de inseminação artificial no Brasil: 52,9% dos reprodutores dessa raça cujo sêmen está à venda, tem algum grau de sangue Lemgruber.

BeefPoint: O que você pretende fazer em 2014? quais são seus planos?

Eduardo Penteado: Continuar a seleção genética nos moldes atuais, sempre preservando a qualidade das informações coletadas e buscando incessantemente animais melhoradores. A satisfação dos clientes, principalmente no aspecto econômico, é fator fundamental. Pretendemos dar mais visibilidade ao trabalho de criação e seleção efetuado na Fazenda Mundo Novo.

BeefPoint: Em sua opinião, o que deve ser feito para aumentar o envolvimento dos jovens na agropecuária?

Eduardo Penteado: Mostrar a eles que a pecuária de corte é uma atividade nobre, pois vem suprir, como foi dito, a melhor fonte de proteínas e minerais para a população cada vez mais urbanizada. É também uma atividade rentável desde que bem gerenciada. E é extremamente gratificante pelo envolvimento entre o homem e o gado, cujo relacionamento existe desde a pré-história.

BeefPoint: Qual o exemplo de pecuarista do futuro do brasil hoje? Quem você admira por fazer um excelente trabalho?

Eduardo Penteado: Respeito muito as pessoas que vivem exclusivamente da pecuária. Dentro desse princípio, tenho um especial apreço pelo trabalho executado na Fazenda Vale do Boi, pelo meu amigo Epaminondas de Andrade, em Araguaína/TO. É um exemplo de gerenciamento, com muita objetividade e sem complicações. É uma prova de que a atividade pecuária dá lucro.

Também admiro a persistência dos Srs. Geraldo de Paula (Fazenda Papagaio, em Curvelo/MG) e Paulo Lemgruber (Fazenda São José, em Carmo/RJ). Além de depender da pecuária a vida toda, eles resistiram bravamente às novidades que surgiram ao longo do tempo e mantiveram-se fiéis à linhagem Lemgruber, trazida para o Brasil por Manuel Lemgruber em 1878.

BeefPoint: Em sua opinião, qual fazenda se destaca na pecuária hoje?

Eduardo Penteado: Gosto muito do Grupo CFM, que há muitas décadas vem exercendo um excelente trabalho de seleção genética da raça Nelore, produzindo animais que têm contribuído muito para a pecuária brasileira.

BeefPoint: Por que você acha que foi finalista do prêmio BeefPoint Brasil?

Eduardo Penteado: Talvez por ter sido um dos primeiros criatórios a se envolver com seleção da característica “temperamento” no Brasil e a adotar manejo mais racional no rebanho. O bovino existe para servir ao homem e precisa exercer as atividades que este quiser.

Todavia, pode-se induzir o animal a exercer essas atividades sem contrariar o seu instinto. Para isso, precisamos estudar o comportamento dos bovinos diante das diferentes situações, trazendo esses conhecimentos para o nosso próprio benefício. Quando chegamos a esse ponto, estamos proporcionando-lhes o bem-estar e ao mesmo tempo fazendo com que nos sirvam e satisfaçam as nossas necessidades.

BeefPoint: Que mensagem você deixaria para os pecuaristas?

Eduardo Penteado: Seria a mesma para os jovens: a pecuária é uma atividade nobre pela qualidade do alimento que ela produz e pela melhoria ambiental que ela proporciona. É também passível de ser lucrativa, desde que gerenciada de forma adequada, com um olho fixo nas despesas.

Finalmente posso afirmar que traz uma enorme satisfação pessoal e proporciona uma excelente qualidade de vida para quem gosta.

 

http://www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/entrevistas/a-pecuaria-de-corte-gera-empregos-inclusive-nas-cidades-riquezas-impostos-e-produz-a-melhor-fonte-de-proteinas-para-o-homem-a-carne-eduardo-penteado-cardoso-produtor-destaque-bem-est/

Há quase 30 anos abolimos o ferrão e a gritaria com o gado

Epaminondas, Ricardo e PauloHá quase 30 anos abolimos o ferrão e a gritaria com o gado, e estamos colhendo resultados surpreendentes – Epaminondas de Andrade

bem-estar animal tem sido preocupação crescente entre pesquisadores, produtores e consumidores de todo o mundo que passaram a exigir com maior intensidade uma conduta humanitária no tratamento dos animais, no que diz respeito à produção, transporte e abate.

Assim, para mostrar o que está acontecendo de mais atual no Brasil  e no mundo frente a área de bem-estar animal, na cadeia produtiva bovina, o BeefPoint preparou algumas entrevistas com diversos pecuaristas que já adotam medidas de manejo que visam as boas práticas de manejo, compartilhando casos de sucesso na pecuária de corte.

Confira abaixo, o caso de sucesso da Fazenda Vale do Boi, propriedade de Epaminondas de Andrade, no município de Carmolândia, região de Araguaína na região norte do Tocantins:

BeefPoint: Por favor, conte sobre o trabalho que vem desenvolvendo na área de bovinocultura de corte e bem-estar animal na sua propriedade.

Epaminondas de Andrade: Junto com meus filhos Ricardo José e Paulo Henrique trabalhamos na pecuária de corte, com ênfase no melhoramento genético da raça Nelore utilizando o PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos), sendo que em 2015 faremos 40 anos de seleção. Sempre fomos preocupados com o respeito aos animais. Há quase 30 anos abolimos o ferrão e a gritaria com o gado, sendo que nos últimos tempos aumentamos a atenção para o “chamado bem-estar animal”.

BeefPoint: Quais técnicas/práticas você desempenha em sua fazenda que resultou em bons resultados, quando o tema é bem-estar animal?

Epaminondas de Andrade: Foi realizado na propriedade no ano de 2006, o curso de Manejo Racional de Bovinos de Corte, ministrado pelo Professor Mateus Paranhos. Assim passamos a adotar algumas medidas de resultado, tais como:

  • Uso de bandeira para condução do gado
  • Não há gritos com os animais
  • Fazemos tratamento e vacinações um a um no brete de contenção
  • Quando colocamos sal mineral ou proteinados chamamos os animais para o cocho
  • Fazemos a cura do umbigo e tatuagem dos recém-nascidos no próprio pasto sem agressividade e brutalidade

A partir de então colhemos resultados surpreendentes, como uma maior facilidade no trabalho com os animais, redução na mortalidade dos bezerros e outros acidentes, bem como, conforto e segurança para os trabalhadores. O rebanho ficou mais dócil!

BeefPoint: Conte para nós qual a aceitabilidade de sua equipe quanto às técnicas de bem-estar animal? Como é feito o treinamento de seus funcionários?

Epaminondas de Andrade: A aceitabilidade foi razoável, mas aos poucos foi fazendo parte do dia a dia. Nossa rotatividade é pequena, mas quando entra um novo funcionário ele vai aprendendo com os mais velhos ou com nossas explicações, mas sempre é preciso fazer uma reciclagem.

BeefPoint: Quais instalações de sua propriedade são adequadas para as técnicas de bem-estar?

Epaminondas de Andrade: Nossos currais foram feitos antes de conhecermos os atuais anti-stress, mesmo assim foram planejados para um manejo mais tranquilo e seguro. Ao redor dos currais mantemos piquetes para não acumular muitos animais fechados.

Estamos instalando bebedouros com água de qualidade para o rebanho,  uma vez que pesquisas mostram que podemos ter aumentos de mais de 20% em desempenho econômico. Também mantemos arborização nas pastagens para o conforto dos animais.

BeefPoint: Por que decidiu adotar medidas de bem-estar animal em sua propriedade? Teve o apoio de alguma empresa e/ou profissional da área?

Epaminondas de Andrade: Estamos convencidos de que a melhor maneira de aumentar a rentabilidade na pecuária de corte é com o aumento da produtividade e isso se consegue com genética, nutrição, sanidade e manejo. Tivemos diversas contribuições para tal, sendo que para lidar com o gado o Professor Mateus Paranhos foi essencial.

BeefPoint: O que a sua propriedade difere das demais? As que utilizam boas práticas de manejo e as que não utilizam?

Epaminondas de Andrade: Somos preocupados com o futuro de nossa atividade, e meus dois filhos e eu vivemos intensamente o dia a dia de nosso negócio. Quanto às diferenças com outras propriedades nós temos trabalhadores mais felizes, menor rotatividade, menos acidentes tanto de caráter pessoal quanto animal, obtendo maior produtividade.

BeefPoint: Em relação ao manejo de bovinos, quais os erros mais comuns cometidos  em sua propriedade?

Epaminondas de Andrade: O erro mais comum é o de não entender ao certo, como o animal reage com a presença do homem.

BeefPoint: Que mensagem você deixaria para os pecuaristas que pretendem praticar técnicas relacionadas ao bem-estar animal?

Epaminondas de Andrade: Os resultados são palpáveis a qualquer leigo. Estamos no século 21 e a pecuária de corte precisa evoluir muito para competir com outras atividades, hoje existe tecnologia para triplicar os índices de produtividade assim como o retorno sobre o investimento, e as técnicas de manejo racional e bem-estar animal são fundamentais.

http://www.beefpoint.com.br/radares-tecnicos/ha-quase-30-anos-abolimos-o-ferrao-e-a-gritaria-com-o-gado-e-estamos-colhendo-resultados-surpreendentes-epaminondas-de-andrade-fazenda-vale-do-boi/